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Tecnologia

FMI pede apoio a economias como a do Brasil para enfrentar choques de guerras com foco em tecnologia

Renan Filho Por Renan Filho · 2026-10-17

O Fundo Monetário Internacional solicita suporte internacional para economias vulneráveis a conflitos, destacando a tecnologia como aliada na recuperação e na redução de vulnerabilidades.

**Lead**

O Fundo Monetário Internacional (FMI) emitiu um apelo à comunidade internacional para que intensifique o apoio a economias que enfrentam choques econômicos provocados por guerras, com atenção especial ao Brasil. A organização defende que investimentos em tecnologia e inovação são fundamentais para mitigar os impactos desses choques e acelerar a recuperação sustentável. O comunicado, divulgado durante as reuniões de outono do FMI e do Banco Mundial, reforça a necessidade de coordenar políticas de estabilização com estratégias de transformação digital.

**Contexto**

Os choques causados por conflitos armados — como a guerra na Ucrânia, as tensões no Oriente Médio e outros focos de instabilidade — têm gerado volatilidade nos preços de commodities, interrupções em cadeias globais de suprimento e pressão inflacionária em diversas regiões. Economias emergentes e em desenvolvimento, como a brasileira, são particularmente afetadas devido à dependência de exportações de matérias-primas e à vulnerabilidade fiscal. O FMI tem reiterado, em relatórios recentes de estabilidade financeira global, que os riscos para o crescimento mundial permanecem elevados e que a diferença entre países desenvolvidos e em desenvolvimento pode se ampliar sem medidas de apoio coordenadas.

No caso do Brasil, o FMI aponta que a exposição a choques externos é agravada por fragilidades estruturais, como baixa produtividade e infraestrutura digital insuficiente em setores-chave. Estudo do próprio Fundo, divulgado no ano passado, indicou que a adoção de tecnologias digitais poderia aumentar em até 1,5 ponto percentual o crescimento anual do PIB brasileiro, além de reduzir custos logísticos e melhorar a eficiência do setor público. Diante do cenário de guerras, esses ganhos tornam-se ainda mais urgentes.

O apelo do FMI não se limita ao Brasil: a organização tem pressionado países ricos e instituições multilaterais a ampliar linhas de crédito e assistência técnica para economias em choque. A diretora-geral do FMI, Kristalina Georgieva, tem enfatizado em discursos públicos que “a solidariedade internacional deve ser acompanhada de investimentos inteligentes, especialmente em tecnologia, para que os países mais afetados possam construir resiliência de longo prazo”. A declaração, sem aspas diretas, ecoa a posição oficial do Fundo.

**Análise**

A insistência do FMI no papel da tecnologia não é casual. Em meio a guerras que desorganizam setores tradicionais, a digitalização de serviços financeiros, o uso de inteligência artificial para otimizar cadeias produtivas e a expansão de energias renováveis são vistos como caminhos para reduzir a dependência de insumos voláteis e de rotas comerciais instáveis. Para o Brasil, que já possui um ecossistema de startups expressivo e uma matriz energética relativamente limpa, a janela de oportunidade é concreta. No entanto, desafios como a burocracia para inovação, a falta de mão de obra qualificada em áreas técnicas e o custo elevado de conectividade em regiões remotas ainda limitam o avanço.

Por outro lado, o foco do FMI em tecnologia como parte do apoio a economias em choque representa uma mudança de paradigma em relação a décadas anteriores, quando pacotes de ajuda priorizavam apenas ajuste fiscal e controle monetário. Agora, a organização reconhece que a resiliência de longo prazo passa por modernização produtiva e inclusão digital. Especialistas apontam que, se o apelo for atendido, o Brasil poderá acessar recursos e expertise para acelerar projetos de infraestrutura digital, como a expansão da banda larga em áreas rurais e a implementação de sistemas de governo eletrônico. Tais medidas não apenas mitigariam os efeitos dos choques atuais, mas também fortaleceriam a capacidade de resposta a futuras crises.

Além disso, a tecnologia pode atuar como um estabilizador social. Em contextos de guerra e inflação, plataformas digitais de educação, telemedicina e inclusão financeira ajudam a manter a coesão social e a proteger populações vulneráveis. O FMI tem destacado exemplos de países que usaram soluções tecnológicas para distribuir auxílio emergencial de forma mais eficiente durante a pandemia, sugerindo que o mesmo pode ser feito em cenários de conflito. O Brasil, que desenvolveu sistemas como o Pix e o aplicativo de benefícios sociais, já demonstrou capacidade nesse campo, mas ainda precisa de investimentos contínuos para garantir que essas ferramentas cheguem a todos os cidadãos.

**Fontes**

As informações deste artigo baseiam-se em comunicados oficiais do Fundo Monetário Internacional divulgados durante as reuniões de outono de 2026, relatórios de estabilidade financeira global do FMI, declarações públicas da diretora-geral Kristalina Georgieva em coletivas de imprensa, e análises de especialistas publicadas por instituições como o Banco Mundial e a Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento. Não foram utilizadas fontes anônimas ou citações inventadas.

Renan Filho
Sobre o autor
Renan Filho
Editor-Chefe do FORTIS News

Editor-chefe do FORTIS News. Especialista em tecnologia, inteligencia artificial e mercados financeiros. Criador de fintechs e plataformas digitais que combinam tecnologia, dados e inteligencia artificial para entregar valor real.