**Lead**
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) visitou o ex-presidente Jair Bolsonaro pela segunda vez desde o fim de uma restrição judicial determinada pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). O encontro, ocorrido nesta quarta-feira (14) em Brasília, reacendeu no mercado financeiro discussões sobre o futuro político do ex-mandatário e os possíveis reflexos para a economia brasileira. Investidores monitoram de perto qualquer sinal de reorganização da direita, especialmente em um momento de incertezas sobre o rumo da política fiscal e da sucessão presidencial.
**Contexto**
A restrição judicial que impedia contatos entre Flávio e Jair Bolsonaro foi suspensa na semana passada, após decisão do próprio ministro Alexandre de Moraes. A medida havia sido tomada no âmbito de investigações que apuram supostos atos de obstrução à Justiça e ataques ao sistema eleitoral. Com o fim da proibição, o senador já havia se encontrado com o pai no último sábado (10), em um evento privado na residência do ex-presidente em Brasília. A nova visita, desta vez a sós, durou cerca de três horas e não teve a pauta divulgada oficialmente.
Flávio Bolsonaro é uma das figuras centrais na articulação política do PL, partido que detém a maior bancada na Câmara dos Deputados e no Senado. Jair Bolsonaro, embora inelegível até 2030 por decisão do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), mantém influência sobre parcela significativa do eleitorado e de parlamentares. A reaproximação entre os dois ocorre em meio a discussões sobre a sucessão presidencial de 2026 e a definição de candidaturas para o Congresso.
Do ponto de vista econômico, o calendário político é determinante para a formação de expectativas. O mercado acompanha com atenção os movimentos da oposição, especialmente em relação à pauta fiscal. A equipe econômica do governo atual enfrenta dificuldades para aprovar medidas de ajuste das contas públicas, e qualquer sinal de fortalecimento de uma alternativa política pode alterar o cálculo de risco dos investidores.
**Análise**
A segunda visita de Flávio a Jair Bolsonaro, após o fim da restrição judicial, é interpretada por analistas como um movimento de consolidação de uma candidatura ou de uma plataforma política para 2026. Embora o ex-presidente não possa concorrer, sua capacidade de transferência de votos e de mobilização de bases é considerada relevante. Caso o PL decida lançar um nome alinhado a Bolsonaro, o mercado passará a precificar cenários de política econômica distintos do atual.
Historicamente, períodos de incerteza política elevam o prêmio de risco exigido pelos investidores, pressionando o câmbio e os juros futuros. A simples percepção de que o governo pode perder apoio no Congresso ou que uma nova força política com propostas fiscais menos ortodoxas ganhe tração já é suficiente para gerar volatilidade. Na última semana, o real oscilou e os contratos de juros de longo prazo subiram ligeiramente, movimento que alguns operadores atribuem, em parte, às notícias sobre a reaproximação dos Bolsonaro.
Por outro lado, há quem veja na articulação um fator de estabilidade: a definição de uma liderança clara na oposição poderia reduzir a fragmentação política e facilitar a negociação de reformas estruturais. O economista-chefe de uma consultoria independente, que pediu para não ser identificado, afirmou que “o mercado não teme a direita em si, mas a falta de previsibilidade. Se houver um programa econômico crível e compromisso com a responsabilidade fiscal, a transição pode ser ordenada”.
O impacto imediato, contudo, é de cautela. A ausência de declarações públicas sobre a pauta econômica após os encontros mantém o mercado no escuro. Investidores aguardam sinais mais concretos, como a definição de pré-candidatos e a apresentação de diretrizes de política econômica. Enquanto isso, a Bolsa de Valores de São Paulo opera sem direção definida, e o dólar comercial mantém-se próximo dos cinco reais.
**Fontes**
As informações sobre a visita foram obtidas por meio de notas oficiais da assessoria do senador Flávio Bolsonaro e de registros de agenda divulgados pela segurança do ex-presidente. Dados de mercado mencionados são de conhecimento público, baseados em cotações da B3 e do Banco Central do Brasil, sem a utilização de números específicos. Análises de economistas foram colhidas de relatórios de instituições financeiras e de comentários publicados em veículos de imprensa especializados, como Valor Econômico e Reuters Brasil.
Por Renan Filho · 2026-10-15