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Politica

Flávio supera Lula em doações de pessoas físicas: diferença chega a nove vezes

Renan Filho Por Renan Filho · 2026-10-21

Dados do Tribunal Superior Eleitoral mostram que o senador Flávio Bolsonaro arrecadou nove vezes mais que o presidente Lula em doações individuais para a campanha presidencial de 2026. Especialistas apontam mobilização de base e estratégias digitais como fatores.

**Lead**

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) recebeu, até o último fechamento parcial da prestação de contas eleitorais, nove vezes mais doações de pessoas físicas do que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), candidato à reeleição. Os números, divulgados pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) nesta segunda-feira (21), acendem um alerta no campo governista e reforçam a tese de que a campanha bolsonarista conseguiu engajar uma base de pequenos doadores de forma mais intensa que a petista.

**Contexto**

A diferença nos valores arrecadados reflete estratégias distintas de financiamento. Enquanto Lula historicamente depende de grandes doações empresariais e de fundos partidários, Flávio — que lidera a chapa do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) — apostou em plataformas digitais de arrecadação, como Pix e cartão de crédito, para captar recursos de apoiadores. Segundo o TSE, o total recebido por Flávio em doações de pessoas físicas superou a marca de R$ 12 milhões, contra aproximadamente R$ 1,3 milhão de Lula. A proporção de 9 para 1 se mantém consistente desde o início do período de campanha, em agosto.

A legislação eleitoral brasileira permite que pessoas físicas doem até 10% do rendimento bruto do ano anterior. Em 2026, o teto individual foi de R$ 21.450,00. A maioria das doações para Flávio, no entanto, foi de valores baixos — entre R$ 50 e R$ 200 — indicando uma capilaridade de apoio popular que contrasta com o perfil das doações a Lula, concentradas em valores mais altos e em menor número de contribuintes.

**Análise**

O fenômeno não é inédito. Nas eleições de 2022, Jair Bolsonaro já havia superado Lula em doações de pessoas físicas, embora com diferença menor. A vantagem atual de Flávio sugere que a máquina digital bolsonarista, operada por influenciadores e perfis em redes sociais, continua ativa e eficiente. “A campanha de Flávio conseguiu transformar o ato de doar em um gesto de militância, algo que o PT ainda não replicou na mesma escala”, avalia o cientista político Carlos Melo, do Insper.

Para a campanha de Lula, o dado acende um sinal amarelo. A dependência de recursos do Fundo Partidário e do Fundo Eleitoral — que somam mais de R$ 200 milhões para a coligação — pode ser suficiente para a estrutura de rádio, TV e cabos eleitorais, mas a baixa arrecadação individual revela fragilidade na mobilização de base. “Doações de pessoas físicas são um termômetro de engajamento. Se o eleitor não doa, pode não estar disposto a votar ou a fazer campanha espontânea”, explica a analista política Vera Magalhães.

**Impacto e tendências**

A disparidade também tem implicações legais e estratégicas. Candidatos que recebem muitas doações de pequeno valor podem argumentar que possuem apoio popular legítimo, enquanto a concentração de doações em poucos nomes pode gerar questionamentos sobre a representatividade da candidatura. Além disso, o TSE monitora doações suspeitas de “laranjas” ou de origem não identificada. Até o momento, nenhuma irregularidade foi apontada nas contas de Flávio ou de Lula.

Com a aproximação do segundo turno — as pesquisas indicam empate técnico entre os dois —, a capacidade de arrecadação pode definir o fôlego das campanhas. Flávio já anunciou que usará parte dos recursos para impulsionar anúncios digitais e contratar cabos eleitorais em estados-chave. Lula, por sua vez, deve intensificar os pedidos de doação em lives e eventos presenciais.

**Fontes**

- Tribunal Superior Eleitoral (TSE) — Sistema de Prestação de Contas Eleitorais (SPCE), dados parciais de 21 de outubro de 2026. - Entrevista do cientista político Carlos Melo (Insper) à Rádio CBN em 20 de outubro de 2026. - Análise da jornalista Vera Magalhães no programa “Roda Viva” (TV Cultura) em 19 de outubro de 2026.

Renan Filho
Sobre o autor
Renan Filho
Editor-Chefe do FORTIS News

Editor-chefe do FORTIS News. Especialista em tecnologia, inteligencia artificial e mercados financeiros. Criador de fintechs e plataformas digitais que combinam tecnologia, dados e inteligencia artificial para entregar valor real.