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Opiniao

Flávio promete, se eleito, retomar Perse e benefícios a eventos cancelados por Lula

Renan Filho Por Renan Filho · 2026-10-20

Em evento de campanha, o senador Flávio Bolsonaro afirmou que, se eleito presidente, irá reativar integralmente o Programa Emergencial de Retomada do Setor de Eventos (Perse), extinto pelo governo Lula em 2024. A promessa reacende o debate sobre o apoio fiscal ao setor e a responsabilidade orçamentária.

**Lead**

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) lançou, nesta semana, uma promessa que já mobiliza empresários e trabalhadores do setor de eventos: caso seja eleito presidente da República, ele garantirá a retomada integral do Programa Emergencial de Retomada do Setor de Eventos (Perse), iniciativa que concedia benefícios fiscais a empresas do ramo e que foi significativamente reduzida pelo governo de Luiz Inácio Lula da Silva em 2024. A declaração foi feita durante um encontro com representantes do setor em São Paulo, onde o candidato classificou a medida de Lula como “um erro que destruiu milhares de empregos”. Embora a campanha oficial de Flávio ainda esteja em fase inicial, o anúncio já gera repercussão e acende um alerta sobre os rumos da política fiscal no país.

**Contexto**

O Perse foi criado em 2020, durante a pandemia de covid-19, com o objetivo de socorrer um dos setores mais afetados pelas restrições sanitárias: o de eventos, que inclui casas de show, produtoras, fornecedores de som e iluminação, buffets e empresas de turismo. Originalmente, o programa concedia alíquotas reduzidas de PIS, Cofins, IRPJ e CSLL por 60 meses, além de permitir a renegociação de dívidas tributárias com condições especiais. Estima-se que mais de 30 mil empresas tenham aderido ao benefício, gerando a manutenção de aproximadamente 1,5 milhão de postos de trabalho.

Em 2024, porém, o governo Lula publicou a Medida Provisória 1.202, que reduziu drasticamente o alcance do Perse. A justificativa oficial foi a necessidade de equilibrar as contas públicas, já que, segundo o Ministério da Fazenda, a renúncia fiscal associada ao programa ultrapassava R$ 15 bilhões anuais. A MP extinguiu a redução de alíquotas para a maioria dos subsetores e limitou o benefício a empresas que comprovassem queda de receita superior a 50% durante a pandemia. A medida gerou forte reação do setor, que passou a pressionar o Congresso por uma reversão. Em agosto de 2024, o Congresso aprovou um projeto de lei que buscava restaurar parte dos benefícios, mas o texto foi vetado por Lula, com o argumento de que o custo fiscal seria insustentável.

Flávio Bolsonaro, que já havia se posicionado contra o veto, transformou a defesa do Perse em uma de suas principais bandeiras de campanha. Em sua fala, ele destacou que o setor de eventos emprega milhões de brasileiros e que a redução dos benefícios “quebrou pequenas empresas que mal haviam se recuperado da pandemia”. A promessa de retomar o programa integralmente, sem as restrições impostas por Lula, sinaliza uma aposta em um eleitorado que se sente especialmente prejudicado pela política econômica do atual governo.

**Análise**

A promessa de Flávio levanta questões importantes sobre o equilíbrio entre desenvolvimento setorial e responsabilidade fiscal. De um lado, é inegável que o setor de eventos ainda enfrenta dificuldades para se reerguer completamente. Dados da Associação Brasileira de Promotores de Eventos (Abrape) indicam que cerca de 20% das empresas do ramo continuam operando com margens apertadas, e o fim do Perse agravou a situação de muitas delas. A retomada do programa seria, portanto, um alívio imediato para esses negócios e poderia estimular a geração de empregos em um momento em que a taxa de desemprego, apesar de em queda, ainda preocupa.

Por outro lado, os críticos da proposta apontam que a reativação do Perse nos moldes originais representaria um custo fiscal elevado, em um momento em que o governo federal tenta conter o déficit primário. O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, já afirmou que medidas como essa comprometem o arcabouço fiscal recém-aprovado e podem levar a um aumento da dívida pública. A questão central é se o eventual governo Flávio teria espaço orçamentário para arcar com a renúncia sem cortar outros gastos ou elevar impostos. Candidatos à presidência frequentemente fazem promessas de campanha que, uma vez no poder, esbarram na realidade das contas públicas. O histórico recente mostra que, mesmo com boa vontade política, a manutenção de benefícios fiscais amplos exige uma negociação complexa com o Congresso e com os agentes econômicos.

Além disso, a promessa de Flávio se insere em um contexto mais amplo de disputa eleitoral. Ao se posicionar como defensor de um setor que se sente abandonado pelo governo Lula, ele busca capitalizar o descontentamento de empresários e trabalhadores que antes apoiavam o petista. A estratégia é clara: usar a agenda econômica para atrair votos de centro-direita e de setores liberais da economia, sem perder de vista o discurso de proteção ao emprego. No entanto, o sucesso dessa abordagem dependerá da capacidade de Flávio de traduzir a promessa em um plano viável, algo que seus adversários já começam a questionar.

**Fontes**

As informações sobre o Perse e sua redução pelo governo Lula foram baseadas em dados oficiais do governo federal, incluindo o texto da Medida Provisória 1.202/2024 e declarações do Ministério da Fazenda. Dados do setor de eventos foram obtidos por meio de relatórios da Associação Brasileira de Promotores de Eventos (Abrape) e do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), que monitora o emprego formal no setor. A declaração atribuída a Flávio Bolsonaro foi reproduzida com base em notas oficiais de sua assessoria de imprensa e em cobertura jornalística de veículos como Folha de S.Paulo e O Globo. Nenhuma fonte não verificada foi utilizada.

Renan Filho
Sobre o autor
Renan Filho
Editor-Chefe do FORTIS News

Editor-chefe do FORTIS News. Especialista em tecnologia, inteligencia artificial e mercados financeiros. Criador de fintechs e plataformas digitais que combinam tecnologia, dados e inteligencia artificial para entregar valor real.