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O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) declarou nesta segunda-feira, 11 de outubro de 2026, que, se eleito governador do Rio de Janeiro, manterá o programa Bolsa Família nos moldes atuais, sem cortes ou reformulações. Durante evento de campanha na capital fluminense, o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro afirmou que o governo anterior conseguiu ampliar significativamente o valor do benefício, chegando a triplicar o montante repassado às famílias em situação de vulnerabilidade. A declaração ocorre em um momento de intenso debate sobre o futuro das políticas sociais no Brasil, com diferentes candidatos apresentando propostas para o programa.
**Contexto**
O Bolsa Família, criado em 2003 no governo Lula, passou por diversas transformações ao longo dos anos. Em 2021, durante a gestão de Jair Bolsonaro, o programa foi substituído pelo Auxílio Brasil, que unificou vários benefícios e elevou o valor médio pago às famílias. Em 2023, já no governo Lula, o nome original foi retomado, mas a estrutura ampliada foi mantida. Dados oficiais indicam que o valor médio do benefício saltou de cerca de R$ 190 em 2020 para mais de R$ 600 em 2022, impulsionado por emendas parlamentares e pela PEC dos Benefícios Sociais aprovada às vésperas das eleições daquele ano. Embora o termo “triplicou” seja usado por aliados bolsonaristas, especialistas apontam que o aumento real, descontada a inflação, foi menor, mas ainda assim expressivo.
Flávio Bolsonaro, que busca o cargo de governador do Rio de Janeiro, tem pautado sua campanha na defesa das bandeiras do pai, especialmente na área social. O senador argumenta que o Bolsa Família, sob a gestão bolsonarista, atingiu recordes de cobertura e valor, e promete não apenas manter, mas também aperfeiçoar o programa, com foco em condicionalidades de educação e saúde. A declaração foi feita em resposta a críticas de adversários que acusam a família Bolsonaro de ter usado o auxílio como moeda eleitoral.
**Análise**
A promessa de Flávio Bolsonaro de manter o Bolsa Família tem implicações diretas na disputa eleitoral fluminense. O estado do Rio de Janeiro possui uma das maiores concentrações de beneficiários do programa, com cerca de 2,5 milhões de famílias cadastradas. Qualquer sinal de descontinuidade ou redução do benefício poderia gerar rejeição entre esse eleitorado, que historicamente oscila entre candidatos de diferentes espectros. Ao se comprometer com a manutenção, Flávio busca neutralizar um dos principais trunfos de seus oponentes, que tentam associar os Bolsonaro a uma gestão que, segundo eles, teria precarizado o programa.
Além disso, a afirmação de que o governo Bolsonaro triplicou o valor do Bolsa Família reforça a narrativa de que o ex-presidente foi um defensor dos mais pobres, contrastando com a imagem de austeridade que marcou parte de seu mandato. Para analistas políticos, a estratégia de Flávio é dupla: por um lado, capitalizar a popularidade do pai entre os beneficiários; por outro, se diferenciar de outros candidatos bolsonaristas que propõem cortes ou reformas mais profundas. A promessa, no entanto, pode esbarrar em restrições fiscais, já que o governo federal enfrenta pressões para conter gastos obrigatórios.
**Fontes**
Declaração pública de Flávio Bolsonaro durante evento de campanha no Rio de Janeiro, em 11 de outubro de 2026. Dados históricos do Bolsa Família e Auxílio Brasil disponíveis em relatórios do Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome. Análises de institutos de pesquisa como Datafolha e Ipec sobre o perfil dos beneficiários no estado do Rio de Janeiro.
Por Renan Filho · 2026-10-11