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O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) protocolou nesta semana um pedido formal ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), solicitando acesso integral ao inquérito que investiga suspeitas de lavagem de dinheiro envolvendo o parlamentar e pessoas próximas. A defesa do senador argumenta que o acesso é indispensável para o exercício do direito de defesa e para conhecer o teor completo das provas que embasam a investigação. O caso tramita em sigilo e tem como pano de fundo as movimentações financeiras atípicas detectadas pelo Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) quando Flávio ainda era deputado estadual no Rio de Janeiro.
**Contexto**
A investigação teve origem nos relatórios do Coaf que apontaram movimentações financeiras consideradas incompatíveis com a renda declarada de funcionários do gabinete de Flávio Bolsonaro na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj). À época, os valores levantados ultrapassaram R$ 1,2 milhão em operações suspeitas, o que levou o Ministério Público do Rio de Janeiro a abrir uma apuração sobre a prática conhecida como “rachadinha” — esquema em que servidores públicos devolvem parte dos salários a seus chefes. Flávio sempre negou irregularidades e afirmou que as movimentações eram lícitas, decorrentes de um empréstimo pessoal.
Em 2020, o STF decidiu que a investigação deveria ser conduzida pela Justiça estadual do Rio de Janeiro, mas o caso ganhou contornos nacionais quando o senador passou a ser investigado também por suposta lavagem de dinheiro envolvendo empresas de fachada. O inquérito foi remetido ao STF após decisão do próprio ministro Alexandre de Moraes, que entendeu haver conexão com outras investigações que tramitam no Supremo, como as relacionadas aos atos antidemocráticos e às milícias digitais.
O pedido de Flávio Bolsonaro ocorre em um momento de intensa movimentação no STF e no Congresso Nacional, com o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva tentando aprovar pautas econômicas e a oposição articulando a Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do 8 de janeiro. O senador, que é um dos principais aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro, tem buscado, por meio de seus advogados, acesso a todos os documentos do inquérito para, segundo ele, demonstrar que não há provas suficientes para uma acusação formal.
**Análise**
O movimento de Flávio Bolsonaro ao recorrer a Alexandre de Moraes, ministro que é alvo constante de críticas por parte da ala bolsonarista, representa uma mudança de estratégia. Durante anos, a família Bolsonaro questionou publicamente a atuação do magistrado, chegando a afirmar que ele agia com parcialidade. Agora, ao solicitar diretamente a ele o acesso ao inquérito, o senador sinaliza que reconhece a autoridade do STF e busca transparência nas investigações. Especialistas apontam que o pedido pode ser uma tentativa de obter informações para preparar uma defesa mais robusta ou até mesmo para antecipar possíveis acusações.
Se Moraes conceder o acesso, a defesa de Flávio poderá analisar detalhadamente os elementos colhidos pela Polícia Federal e pelo Ministério Público, como extratos bancários, quebras de sigilo fiscal e depoimentos. Isso pode tanto fortalecer a tese de inocência do senador quanto expor fragilidades nas acusações. No entanto, caso o acesso seja negado, a defesa deve recorrer ao plenário do STF, o que pode prolongar o processo e aumentar a tensão entre os Poderes. O desfecho desse pedido é aguardado com expectativa por analistas políticos e jurídicos, pois pode influenciar o cenário eleitoral de 2026, onde Flávio é cotado como possível candidato ao governo do Rio de Janeiro.
**Fontes**
As informações foram obtidas por meio de documentos protocolados no STF e divulgados pela assessoria de imprensa do senador Flávio Bolsonaro. Também foram consultados registros de decisões anteriores do ministro Alexandre de Moraes e reportagens de veículos como O Globo, Estadão e Folha de S.Paulo, que acompanham o caso desde seus primeiros desdobramentos em 2018. A notícia foi produzida com base em fontes abertas e oficiais, respeitando o sigilo imposto ao processo.
Por Renan Filho · 2026-10-20