**Lead**
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) negou nesta quinta-feira, 17 de outubro de 2026, que seu irmão, o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP), seja cotado para o cargo de chanceler em um eventual novo governo do ex-presidente Jair Bolsonaro. Em declaração à imprensa, Flávio também afirmou que Jair Bolsonaro não pediu qualquer cargo público ao Brasil, contrariando rumores que circulavam nos bastidores políticos. A fala ocorre em um momento de intensa especulação sobre a formação de um possível gabinete bolsonarista para as eleições de 2026.
**Contexto**
Nos últimos dias, setores da imprensa e analistas políticos passaram a ventilar a possibilidade de Eduardo Bolsonaro assumir o Ministério das Relações Exteriores em uma eventual volta de Jair Bolsonaro ao Palácio do Planalto. A especulação ganhou força após declarações de aliados do ex-presidente que sugeriam uma reformulação na diplomacia brasileira, com foco em uma agenda mais alinhada à direita conservadora internacional. Eduardo, que já presidiu a Comissão de Relações Exteriores da Câmara dos Deputados, é visto por parte da base bolsonarista como um nome capaz de dar continuidade à política externa do governo anterior, marcada por aproximação com os Estados Unidos e críticas a regimes autoritários.
No entanto, Flávio Bolsonaro tratou de desmentir as informações. “Não procede. Eduardo não será chanceler. Isso é invenção de quem quer criar factoides eleitorais”, disse o senador, sem entrar em detalhes sobre os critérios que orientariam a escolha de um eventual ministro. Ele também rebateu a ideia de que Jair Bolsonaro estaria pleiteando um cargo no Brasil, seja no Executivo ou no Legislativo, após o fim de seu mandato. “O presidente Jair Bolsonaro não pediu cargo nenhum. Ele é candidato à Presidência da República, e ponto final”, afirmou.
A declaração de Flávio ocorre em um contexto de articulação pré-eleitoral. Jair Bolsonaro, inelegível até 2030 por decisão do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ainda busca reverter sua situação na Justiça. Enquanto isso, aliados discutem estratégias para manter o bolsonarismo como força política dominante. A possibilidade de Eduardo ocupar um ministério era vista por alguns como uma forma de manter a família no centro do poder, mesmo que Jair não pudesse concorrer.
**Análise**
A negativa de Flávio Bolsonaro tem implicações diretas no tabuleiro político de 2026. Ao descartar Eduardo como chanceler, o senador sinaliza que a família Bolsonaro ainda não definiu os nomes para um eventual governo, ou que prefere evitar desgastes precoces com a opinião pública. A menção de que Jair não pediu cargo também serve para afastar a narrativa de que o ex-presidente estaria negociando posições em troca de apoio político — algo que poderia enfraquecer sua imagem de líder intransigente.
Para analistas, a declaração pode ser lida como uma tentativa de controlar o discurso em um momento em que o bolsonarismo enfrenta desafios internos. A ala mais radical do partido pressiona por uma linha dura, enquanto setores moderados buscam ampliar alianças. A indefinição sobre o futuro político de Jair Bolsonaro — que ainda depende de recursos judiciais — mantém o ambiente incerto. Se a inelegibilidade for mantida, o nome de Eduardo poderia ganhar força como candidato ao Planalto, mas Flávio parece querer evitar que isso seja discutido abertamente agora.
Além disso, a negação pública pode ter como alvo a imprensa e os adversários políticos, que frequentemente acusam a família Bolsonaro de nepotismo e de usar cargos públicos para beneficiar parentes. Ao afirmar que Eduardo não será chanceler, Flávio busca desarmar essa crítica, ainda que a simples especulação já tenha gerado desgaste. O fato de a declaração ter sido feita por ele, e não pelo próprio Eduardo ou por Jair, também sugere uma estratégia de comunicação coordenada, na qual o senador atua como porta-voz da família.
**Fontes**
- Declaração do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) à imprensa em 17 de outubro de 2026. - Informações veiculadas por veículos de imprensa nacional sobre especulações envolvendo Eduardo Bolsonaro e o Ministério das Relações Exteriores. - Decisão do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) que declarou Jair Bolsonaro inelegível até 2030 (processo nº 0600814-85.2023.6.00.0000).
Por Renan Filho · 2026-10-17