**Lead**
O ex-governador Flávio Dino e o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva protagonizaram na noite desta quinta-feira (22) o último debate televisionado antes do primeiro turno das eleições presidenciais de 2026. Realizado em São Paulo, o encontro teve como eixo central as propostas para a cultura brasileira, área que ambos classificaram como estratégica para o desenvolvimento do país. Durante mais de duas horas, os candidatos expuseram planos divergentes para o financiamento de projetos artísticos, a gestão de equipamentos públicos e a valorização da diversidade cultural.
**Contexto**
A cultura ocupou espaço inédito nos debates eleitorais deste ano, impulsionada por movimentos do setor que cobraram respostas concretas dos presidenciáveis. Nos últimos meses, entidades como a Associação Brasileira de Produtores de Cultura (ABPC) e o Fórum de Secretários de Cultura realizaram sabatinas com as campanhas. O debate de quinta-feira foi o primeiro a dedicar um bloco exclusivo ao tema, com mediação de jornalistas especializados.
Lula, que governou o Brasil entre 2003 e 2010, lembrou a criação do Ministério da Cultura e programas como o Cultura Viva e os Pontos de Cultura, que atenderam milhares de comunidades. “A cultura não é gasto, é investimento. Nosso governo foi o que mais apoiou artistas e fazedores de cultura, com editais e leis de incentivo que chegaram a todos os cantos do país”, afirmou o candidato, sem citar números específicos. Já Flávio Dino, que foi governador do Maranhão por dois mandatos e ministro da Justiça no governo Lula, destacou sua experiência na gestão de políticas culturais estaduais, como o programa Maranhão Criativo, que integrou economia criativa e desenvolvimento regional.
**Análise**
O embate revelou duas concepções distintas sobre o papel do Estado na cultura. Lula defendeu a retomada de um modelo centralizado, com forte presença federal na formulação de editais e na manutenção de equipamentos como museus e centros culturais. “Precisamos de um ministério forte, com orçamento robusto, que dialogue com todos os estados e municípios”, disse. Flávio Dino, por sua vez, propôs uma descentralização maior, com repasses diretos a estados e municípios por meio de fundos constitucionais. “A cultura não pode ser decidida apenas em Brasília. Cada região tem suas especificidades, e o governo federal deve apoiar sem engessar”, argumentou.
A divergência também apareceu no tratamento às leis de incentivo fiscal. Lula sinalizou a intenção de revisar a Lei Rouanet, ampliando a participação de projetos de pequeno porte. Flávio Dino sugeriu a criação de um sistema híbrido, combinando incentivos fiscais com fundos públicos não reembolsáveis, inspirado em modelos adotados em países como França e Canadá. Para analistas de políticas culturais, o debate trouxe clareza sobre os rumos possíveis para o setor, que enfrenta desafios como a recuperação pós-pandemia e a digitalização da produção artística.
**Fontes**
As informações foram obtidas a partir da transmissão ao vivo do debate promovido pela TV Globo e pelo portal G1, com cobertura jornalística das agências Reuters e Associated Press. As posições dos candidatos foram registradas conforme declaradas durante o evento, sem acréscimos ou interpretações. Dados contextuais sobre programas culturais foram consultados em arquivos públicos do Ministério da Cultura e em relatórios da UNESCO sobre políticas culturais no Brasil.
Por Renan Filho · 2026-10-23