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O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) afirmou que, se eleito presidente, pretende rever pontos da reforma tributária aprovada no governo Lula. A declaração foi dada durante evento com empresários na capital paulista, na manhã desta terça-feira, 13 de outubro de 2026. Segundo o senador, a proposta não será descartada, mas passará por ajustes para simplificar a aplicação das novas regras e reduzir a carga burocrática sobre pequenos negócios.
**Contexto**
A reforma tributária foi promulgada pelo Congresso Nacional em 2023, após décadas de discussão, e estabelece a substituição de cinco tributos — PIS, Cofins, IPI, ICMS e ISS — pelo IBS, CBS e Imposto Seletivo. A transição para o novo sistema deve ocorrer de forma gradual entre 2026 e 2033, com a extinção definitiva dos tributos antigos prevista para 2033. O texto aprovado é resultado de uma ampla negociação entre governadores, prefeitos, setor produtivo e parlamentares.
Flávio Bolsonaro, que tem se movimentado como pré-candidato à Presidência da República pelo PL, já vinha fazendo críticas pontuais à reforma. Em discursos recentes, ele defendeu a necessidade de reduzir a complexidade do novo sistema e evitar aumentos de carga tributária em setores estratégicos, como o de serviços e o agronegócio. O senador também tem dito que a alíquota-padrão do novo imposto ficará acima do previsto inicialmente pelo governo, o que exigiria uma revisão de exceções e benefícios.
A fala desta terça-feira ocorre em um momento de atenção do mercado à política fiscal. O governo federal tem enfrentado dificuldades para equilibrar as contas públicas, e parte do Congresso defende uma revisão de gastos obrigatórios. A reforma tributária, nesse cenário, entra como um tema central para a competitividade da economia brasileira. Especialistas alertam que mudanças constantes podem gerar insegurança jurídica e atrasar investimentos de longo prazo.
O senador não detalhou em sua fala exatamente quais pontos da reforma seriam alterados, mas mencionou que um eventual governo do PL encaminharia ao Congresso uma proposta de ajuste para "simplificar a vida de quem produz". Ele voltou a criticar a criação de fundos de desenvolvimento regional e o tratamento dado às operações com bens imóveis. Para Flávio, esses dispositivos teriam sido criados para atender a interesses políticos e não para modernizar a economia.
**Análise**
A declaração de Flávio Bolsonaro recoloca a reforma tributária no centro do debate eleitoral. A reforma aprovada é amplamente vista por economistas como um avanço estrutural, capaz de eliminar distorções históricas e elevar o potencial de crescimento do país. No entanto, a complexidade das regras transitórias e a incerteza em torno da alíquota final geram descontentamento em alguns setores. Esses pontos são exatamente os que um eventual governo pode explorar politicamente sem precisar rejeitar inteiramente a reforma.
O discurso do senador tenta conciliar duas mensagens: a de que não haverá ruptura com o que já foi aprovado e a de que a gestão atual teria falhado na implementação. Essa estratégia visa atrair o eleitorado que apoia a liberalização econômica e, ao mesmo tempo, dialogar com pequenos empresários que se sentem inseguros diante das mudanças. A sinalização, no entanto, depende de detalhes. Sem uma proposta concreta, o tema permanece no campo das intenções.
Outro ponto relevante é o impacto sobre a credibilidade fiscal do país. Se o próximo governo impulsionar uma nova rodada de negociações sobre a reforma, o mercado pode interpretar o movimento como risco de perda de arrecadação sem a devida contrapartida. Por outro lado, um ajuste bem calibrado pode melhorar a previsibilidade do sistema e reduzir custos de conformidade — o que também é visto com bons olhos por investidores. O desenho final dependerá do resultado das urnas e da composição do Congresso a partir de 2027.
**Fontes**
As informações foram coletadas com base na declaração pública de Flávio Bolsonaro durante evento empresarial em São Paulo. A reforma tributária foi promulgada pelo Congresso Nacional em 20 de dezembro de 2023. As regras de transição do novo sistema estão previstas na Emenda Constitucional 132/2023. Dados sobre a alíquota-padrão e sobre a implementação gradual do IBS e da CBS são acompanhados pela Receita Federal e pelo Comitê Gestor do IBS, a partir de informações oficiais do governo.
Por Renan Filho · 2026-10-13