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Política

Flávio Bolsonaro afirma que Lula deve vitória de 2022 a Alexandre de Moraes

Renan Filho Por Renan Filho · 2026-10-21

Senador Flávio Bolsonaro voltou a criticar o sistema eleitoral ao dizer que o presidente Lula só venceu as eleições de 2022 graças à atuação do ministro do STF e presidente do TSE, Alexandre de Moraes. A declaração reacende o debate sobre a confiança nas urnas e o papel do Judiciário no processo democrático.

**Lead**

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) afirmou, durante evento político em Brasília nesta quarta-feira (21), que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva deve sua eleição em 2022 ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF) e presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). A declaração ocorre em meio a um novo ciclo de críticas da oposição à atuação da Justiça Eleitoral, especialmente em relação ao período eleitoral de 2022, quando Lula venceu o então presidente Jair Bolsonaro no segundo turno com 50,9% dos votos válidos. Flávio Bolsonaro não apresentou provas para sustentar a acusação, mas reiterou a tese de que houve interferência judicial no pleito, afirmando que “sem Alexandre de Moraes, Lula não teria sido eleito”. A fala foi registrada por veículos de imprensa presentes no local e rapidamente repercutiu nas redes sociais, gerando reações de aliados e adversários.

**Contexto**

A relação entre a família Bolsonaro e o ministro Alexandre de Moraes é marcada por tensões desde o período eleitoral de 2022. Jair Bolsonaro, durante a campanha, questionou repetidamente a segurança das urnas eletrônicas e a imparcialidade do TSE, então presidido por Luís Roberto Barroso. Após a derrota, Bolsonaro e seus apoiadores intensificaram os ataques contra Moraes, que assumiu a presidência do TSE em agosto de 2022 e conduziu a reta final do pleito. Desde então, o ministro tornou-se alvo constante de críticas por parte do ex-presidente e de seus filhos, que o acusam de censura e perseguição política. Em 2023, Moraes foi responsável por decisões que bloquearam canais de aliados bolsonaristas e autorizaram buscas e apreensões em investigações sobre atos antidemocráticos. A declaração de Flávio, portanto, insere-se nesse panorama de hostilidade institucional.

A afirmação do senador também ocorre em um momento em que o TSE investiga supostas irregularidades na campanha de Bolsonaro em 2022, incluindo a atuação de milícias digitais e o chamado “gabinete do ódio”. Flávio Bolsonaro, por sua vez, é alvo de inquéritos no STF relacionados a esquemas de rachadinhas em seu gabinete quando era deputado estadual do Rio de Janeiro. A sobreposição de agendas jurídicas e políticas torna o cenário ainda mais complexo, com críticas ao Judiciário sendo usadas como instrumento de mobilização da base conservadora.

**Análise**

A declaração de Flávio Bolsonaro não é um fato isolado, mas parte de uma estratégia mais ampla da oposição de deslegitimar o processo eleitoral de 2022. Ao atribuir a vitória de Lula a um suposto favorecimento judicial, o senador alimenta a narrativa de que o sistema eleitoral brasileiro é fraudulento — tese já rejeitada por diversas auditorias nacionais e internacionais, incluindo relatórios da Organização dos Estados Americanos (OEA) e do Tribunal de Contas da União. Essa retórica tem efeitos concretos: segundo pesquisas recentes, uma parcela significativa dos eleitores de direita ainda duvida da confiabilidade das urnas, o que pode influenciar a participação e a aceitação de resultados futuros.

O impacto político também é notável. Ao atacar diretamente Alexandre de Moraes, Flávio Bolsonaro reforça a aliança entre o bolsonarismo e o antipetismo, ao mesmo tempo em que tenta desviar o foco das investigações que pesam sobre sua própria família. Para o governo Lula, a declaração serve como combustível para criticar a oposição e reforçar a defesa das instituições democráticas. O PT já anunciou que irá acionar a Procuradoria-Geral da República contra o senador por calúnia contra o sistema eleitoral, o que pode resultar em novas batalhas judiciais. A longo prazo, o constante questionamento da legitimidade eleitoral enfraquece a confiança da sociedade nas urnas e dificulta a consolidação democrática no Brasil.

**Fontes**

As informações deste artigo baseiam-se em declarações do senador Flávio Bolsonaro registradas por agências de notícias como Agência Brasil, G1 e Estadão, além de cobertura ao vivo realizada por canais de televisão. Dados sobre a votação de 2022 foram consultados no site oficial do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). O contexto jurídico e político é respaldado por reportagens do jornal O Globo e da Folha de S.Paulo, bem como por análises de cientistas políticos publicadas em veículos especializados. As referências a inquéritos e decisões judiciais estão disponíveis nos sistemas de consulta processual do STF e do TSE.

Renan Filho
Sobre o autor
Renan Filho
Editor-Chefe do FORTIS News

Editor-chefe do FORTIS News. Especialista em tecnologia, inteligencia artificial e mercados financeiros. Criador de fintechs e plataformas digitais que combinam tecnologia, dados e inteligencia artificial para entregar valor real.