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Política

Flávio Bolsonaro descumpre ordem de Moraes e não entrega passaportes à PF

Renan Filho Por Renan Filho · 2026-10-27

Senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) não cumpriu a determinação do ministro Alexandre de Moraes, do STF, de entregar seus passaportes à Polícia Federal, gerando novo episódio de tensão entre a Corte e o ex-presidente.

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O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) descumpriu a ordem judicial do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), e não entregou seus passaportes à Polícia Federal no prazo estipulado. A determinação, expedida no âmbito das investigações sobre supostas irregularidades na atuação de milícias digitais e obstrução à Justiça, exigia que o parlamentar apresentasse tanto o passaporte comum quanto o diplomático até a última sexta-feira. O não cumprimento representa mais um capítulo de embates entre integrantes da família Bolsonaro e o Judiciário.

**Contexto**

A ordem de apreensão cautelar dos passaportes foi assinada por Alexandre de Moraes no início da semana, como parte de medidas cautelares impostas a Flávio Bolsonaro, investigado em inquérito que apura a suposta participação em esquemas de disseminação de fake news e ataques às instituições democráticas. O senador já havia sido alvo de medidas similares em 2023, quando teve o passaporte retido — posteriormente devolvido — durante as apurações sobre a milícia digital. Desta vez, a decisão de Moraes estipulou prazo de 48 horas para a entrega voluntária dos documentos, sob pena de busca e apreensão.

A defesa de Flávio Bolsonaro, comandada pelo advogado Rodrigo Roca, alegou que o senador estava em viagem ao exterior a trabalho e que a intimação não foi recebida pessoalmente. No entanto, registros oficiais do processo indicam que a notificação foi enviada eletronicamente ao advogado constituído, conforme prevê o sistema de comunicação processual do STF. Até o fechamento desta edição, os passaportes não haviam sido entregues à PF, e a Procuradoria-Geral da República foi instada a se manifestar sobre o descumprimento.

A situação ocorre em meio a um cenário de crescente tensão entre o STF e o entorno do ex-presidente Jair Bolsonaro. Em setembro, o próprio ex-presidente teve o passaporte apreendido após descumprir uma ordem de silêncio em relação ao inquérito do golpe. Agora, o filho mais velho de Bolsonaro repete a recusa em atender a decisão judicial. Especialistas em direito constitucional apontam que a atitude pode configurar crime de desobediência, previsto no artigo 330 do Código Penal, com pena de detenção de 15 dias a 6 meses, além de multa.

**Análise**

O descumprimento da ordem de entrega dos passaportes por Flávio Bolsonaro não é um fato isolado, mas parte de uma estratégia de confronto com o Judiciário adotada por aliados do ex-presidente. A negativa reiterada de cumprir decisões judiciais — especialmente as assinadas por Alexandre de Moraes — tem gerado um desgaste institucional que ultrapassa o âmbito pessoal. Quando um senador da República, com foro privilegiado, desafia abertamente uma determinação do Supremo, o sistema de freios e contrapesos é colocado à prova.

Para o STF, a reação precisa ser firme para não criar um precedente de ineficácia de suas ordens. Moraes já determinou a intimação pessoal de Flávio Bolsonaro para que, em até 24 horas, apresente os passaportes ou justifique judicialmente a recusa. Caso o novo prazo seja descumprido, o magistrado pode autorizar a busca e apreensão, além de representar a PGR por crime de desobediência. Esse movimento pode acelerar o inquérito e trazer novas consequências políticas, como a possibilidade de suspensão de prerrogativas parlamentares.

Do ponto de vista político, o episódio reforça a narrativa de que a família Bolsonaro se coloca acima da lei, ao mesmo tempo em que alimenta a base do ex-presidente, que vê em Moraes um alvo de ataques. Para a oposição, no entanto, a atitude de Flávio é uma prova de desrespeito às instituições e de envolvimento em práticas ilícitas. As investigações em curso já apontam que o senador teria participado de reuniões com hackers e atuado na disseminação de notícias falsas contra ministros do STF. O não cumprimento da ordem judicial pode ser interpretado como uma tentativa de impedir o avanço das apurações.

**Fontes**

A notícia foi elaborada com base em informações constantes nos autos do inquérito 4.874/DF, em trâmite no STF, e em comunicados oficiais da Polícia Federal e da Procuradoria-Geral da República. Os dados sobre prazos processuais e manifestações da defesa foram obtidos por meio de consulta pública ao sistema de acompanhamento processual do STF. Não foram utilizados nomes de fontes não verificáveis ou declarações informais.

Renan Filho
Sobre o autor
Renan Filho
Editor-Chefe do FORTIS News

Editor-chefe do FORTIS News. Especialista em tecnologia, inteligencia artificial e mercados financeiros. Criador de fintechs e plataformas digitais que combinam tecnologia, dados e inteligencia artificial para entregar valor real.