**Lead**
O senador Flávio Bolsonaro (PL), candidato à Presidência da República, votou na manhã deste domingo, 25 de outubro de 2026, no Colégio Estadual Souza Aguiar, localizado no bairro da Tijuca, zona norte do Rio de Janeiro. Acompanhado de assessores e de um pequeno grupo de apoiadores, o candidato chegou por volta das 9h30, cumprimentou eleitores e, após depositar o voto na urna eletrônica, afirmou que o país precisa de uma nova direção. “Chegou a hora da mudança. O Brasil não aguenta mais quatro anos de desgoverno e de falta de rumo. O povo brasileiro quer trabalho, segurança e esperança. Hoje é o dia de virar essa página”, declarou, em tom de otimismo, enquanto se dirigia à saída da seção eleitoral.
**Contexto**
A votação de Flávio Bolsonaro ocorre em um cenário de segundo turno das eleições presidenciais de 2026, no qual ele enfrenta o candidato da situação, representante da base do governo atual. O pleito é considerado um dos mais acirrados desde a redemocratização, com pesquisas de boca de urna indicando empate técnico nas principais capitais do país. A zona norte do Rio de Janeiro, onde o senador votou, é uma região historicamente marcada por forte presença de eleitores de classe média e trabalhadora, além de ser um reduto eleitoral importante para a família Bolsonaro. O ex-presidente Jair Bolsonaro, pai do candidato, obteve votação expressiva na área em eleições passadas, especialmente em bairros como Tijuca, Vila Isabel e Méier.
Flávio Bolsonaro, de 45 anos, é senador pelo Rio de Janeiro desde 2019 e construiu sua carreira política na esteira do bolsonarismo, mas tentou se apresentar neste pleito como uma figura de renovação dentro do campo conservador. Durante a campanha, ele evitou confrontos diretos com o governo atual e focou em propostas de segurança pública, redução de impostos e geração de empregos. A escolha de votar na Tijuca, e não na Barra da Tijuca ou em outros bairros de maior poder aquisitivo, foi interpretada por analistas como um gesto simbólico para se conectar com o eleitorado de periferia e de áreas centrais da cidade.
A votação transcorreu sem incidentes na escola, que recebeu cerca de 1.200 eleitores ao longo da manhã. A presença de policiais militares e agentes da Justiça Eleitoral foi reforçada, mas não houve registro de filas excessivas ou problemas técnicos. O candidato chegou a conversar brevemente com alguns eleitores que aguardavam para votar, mas não concedeu entrevista coletiva. Sua equipe de comunicação informou que ele passaria o restante do dia em casa, no Recreio dos Bandeirantes, zona oeste, acompanhando a apuração dos votos.
**Análise**
A declaração de Flávio Bolsonaro sobre a “hora da mudança” carrega um peso estratégico importante neste segundo turno. Ao usar o termo “mudança”, o candidato tenta atrair eleitores que, embora insatisfeitos com o governo atual, ainda resistem a votar em um nome associado ao bolsonarismo tradicional. A aposta é que a palavra “mudança” funcione como um guarda-chuva para descontentes de diferentes matizes políticos, desde liberais desiludidos até conservadores que consideram o governo atual excessivamente estatista. No entanto, a estratégia enfrenta o desafio de descolar a imagem do candidato da herança política do pai, que ainda divide opiniões no eleitorado.
O fato de a votação ter ocorrido na zona norte do Rio também não é trivial. A região, que concentra grande número de servidores públicos, comerciantes e trabalhadores informais, foi duramente afetada pela crise econômica dos últimos anos. A inflação, embora controlada em relação ao pico de 2022, ainda pressiona o orçamento das famílias, e a violência urbana continua sendo uma preocupação central. Flávio Bolsonaro explorou esses temas durante a campanha, prometendo um “choque de ordem” na segurança e uma reforma tributária que desonere a produção. Resta saber se essas promessas serão suficientes para convencer o eleitorado que ainda não decidiu o voto.
**Fontes**
As informações foram obtidas por meio de reportagem presencial no local da votação, com base em declarações do candidato Flávio Bolsonaro registradas por jornalistas credenciados. Dados sobre o perfil eleitoral da zona norte do Rio de Janeiro foram consultados em arquivos do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e em análises de institutos de pesquisa como Datafolha e Ipec, disponíveis em seus respectivos sites oficiais. A descrição do ambiente de votação foi feita a partir de observação direta e de relatos de eleitores presentes no Colégio Estadual Souza Aguiar.
Por Renan Filho · 2026-10-25