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O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) visitará o ex-presidente Jair Bolsonaro nesta terça-feira, 13 de outubro, em Brasília. O encontro, confirmado por assessores próximos, ocorre em um momento de intensos debates sobre o ajuste fiscal e a reforma tributária no Brasil. A reunião é acompanhada de perto por agentes do mercado financeiro, que buscam sinais sobre a direção da política econômica que o grupo político do ex-presidente pretende defender no Congresso.
**Contexto**
Flávio Bolsonaro, líder do PL no Senado, tem atuado como articulador de pautas econômicas na Casa. Nos últimos meses, ele defendeu a redução de impostos sobre a folha de pagamento e a prorrogação de desonerações setoriais, medidas que geram controvérsia entre economistas quanto ao impacto nas contas públicas. Jair Bolsonaro, por sua vez, mantém influência sobre a base conservadora e tem se posicionado publicamente contra aumentos de tributos, defendendo cortes de gastos como alternativa ao ajuste.
A visita ocorre em um contexto de desaceleração da atividade econômica brasileira. O Produto Interno Bruto (PIB) apresentou crescimento modesto no segundo trimestre, e a inflação, embora em trajetória de queda, ainda pressiona o poder de compra das famílias. O governo federal tenta aprovar no Congresso um pacote de medidas que inclui a reforma do Imposto de Renda e a regulamentação da reforma tributária aprovada em 2023. A oposição, da qual o PL faz parte, tem resistido a pontos específicos, como o aumento da carga sobre setores de serviços.
Flávio Bolsonaro e o ex-presidente já se reuniram outras vezes neste ano, mas o encontro de agora ganha relevância por ocorrer às vésperas da votação de projetos considerados prioritários pela equipe econômica. Entre eles, a proposta que altera as regras de correção do salário mínimo e o projeto de lei que trata da desoneração da folha. A presença de Jair Bolsonaro na articulação política pode influenciar a posição de deputados e senadores aliados.
**Análise**
Para analistas de mercado, o encontro entre Flávio e Jair Bolsonaro sinaliza uma tentativa de unificar o discurso da oposição em torno de uma agenda econômica alternativa à do governo. A falta de coesão entre os partidos de centro-direita tem sido apontada como um dos fatores que dificultam a aprovação de reformas estruturais. Se os Bolsonaro conseguirem apresentar propostas concretas de redução de gastos públicos e simplificação tributária, isso pode gerar expectativas positivas entre investidores, que aguardam um compromisso fiscal mais claro.
Por outro lado, a reunião também pode ser interpretada como um movimento político para fortalecer a candidatura de Flávio Bolsonaro a cargos de liderança no Senado ou mesmo como preparação para as eleições de 2028. Nesse caso, o conteúdo econômico do encontro pode ficar em segundo plano, e o mercado tende a reagir com cautela até que medidas efetivas sejam apresentadas.
Especialistas em contas públicas destacam que o Brasil enfrenta um desafio fiscal significativo: a dívida pública bruta ultrapassou 78% do PIB, e o déficit primário persiste. Qualquer proposta que envolva renúncia de receita sem contrapartida de cortes de despesas é vista com preocupação por agências de classificação de risco. A visita de Flávio a Jair Bolsonaro, portanto, será avaliada não apenas pelo simbolismo político, mas pela capacidade de gerar consenso em torno de um plano econômico viável.
**Fontes**
A informação sobre a visita foi obtida junto à assessoria de imprensa do senador Flávio Bolsonaro, que confirmou o encontro sem detalhar a pauta. Dados sobre o PIB e a dívida pública são provenientes do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e do Banco Central do Brasil, respectivamente. Análises de mercado foram baseadas em relatórios de instituições financeiras como Itaú BBA e XP Investimentos, publicados na semana anterior. O contexto legislativo foi extraído de registros da Câmara dos Deputados e do Senado Federal.
Por Renan Filho · 2026-10-12