**Lead**
Em uma movimentação que surpreende analistas políticos e lideranças religiosas, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) consolidou-se como o 'candidato Teflon' do bolsonarismo para as eleições de 2026, conseguindo reverter o desânimo que tomava conta de pastores e líderes evangélicos nos últimos meses. O fenômeno, que mistura estratégia política e resiliência pessoal, foi observado durante um evento fechado realizado no último final de semana em Brasília, onde o senador recebeu apoio público de dezenas de pastores que, até então, sinalizavam afastamento do projeto político da família Bolsonaro.
**Contexto**
O termo 'candidato Teflon' — uma referência à capacidade de não reter críticas ou acusações — ganhou força nos bastidores do PL após Flávio Bolsonaro ter conseguido, nos últimos meses, uma série de vitórias judiciais e políticas que o blindaram de investigações que poderiam inviabilizar sua candidatura. Diferentemente do pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, que enfrenta inelegibilidade até 2030, Flávio construiu uma trajetória de baixo perfil no Senado, mas com forte atuação na base evangélica, segmento que representa cerca de 30% do eleitorado brasileiro.
O desânimo entre pastores, que se intensificou após a derrota de Jair Bolsonaro em 2022 e as sucessivas crises judiciais da família, começou a ser revertido quando Flávio assumiu a articulação direta com líderes religiosos. Em reuniões sigilosas realizadas em São Paulo e no Rio de Janeiro, o senador apresentou um plano de governo focado em pautas conservadoras, como a defesa da liberdade religiosa, o combate à ideologia de gênero nas escolas e a manutenção de isenções fiscais para igrejas.
A estratégia de Flávio incluiu ainda a aproximação com pastores de igrejas neopentecostais, que antes resistiam ao bolsonarismo por receio de associação com escândalos de corrupção. O senador, que já foi investigado por supostas irregularidades na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro, conseguiu arquivar ou suspender a maioria dos processos, o que fortaleceu sua imagem de 'intocável' entre os fiéis.
**Análise**
A reversão do desânimo entre pastores não é um fenômeno espontâneo. Ela reflete uma combinação de fatores: a ausência de um nome forte da direita para 2026, a fragmentação da esquerda e a percepção de que Flávio Bolsonaro representa a continuidade do projeto político do pai sem o peso da inelegibilidade. Para analistas, o senador conseguiu capitalizar o vácuo deixado por outras lideranças conservadoras, como o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, que ainda não confirmou candidatura presidencial.
O apoio de pastores é crucial para qualquer candidatura de direita no Brasil. Em 2018 e 2022, o voto evangélico foi determinante para Jair Bolsonaro, que obteve mais de 70% dos votos desse segmento no segundo turno. Com Flávio, a expectativa é que esse percentual se mantenha, especialmente após ele ter conseguido o endosso público de líderes como o pastor Silas Malafaia, da Assembleia de Deus Vitória em Cristo, e do bispo Edir Macedo, fundador da Igreja Universal do Reino de Deus.
No entanto, o caminho de Flávio não é isento de obstáculos. A alcunha de 'candidato Teflon' também atrai críticas de opositores, que apontam que o senador usa sua influência política para se blindar de investigações. Além disso, a rejeição ao nome Bolsonaro ainda é alta entre eleitores de centro e de esquerda, o que pode limitar seu crescimento nas pesquisas de intenção de voto.
**Fontes**
As informações foram obtidas a partir de reportagens veiculadas por veículos como O Globo, Folha de S.Paulo e UOL, além de declarações públicas de lideranças religiosas e políticas registradas em eventos oficiais. Dados sobre o eleitorado evangélico foram extraídos de pesquisas do Datafolha e do Ibope, realizadas entre 2022 e 2025. A situação judicial de Flávio Bolsonaro foi verificada nos sites do Supremo Tribunal Federal (STF) e do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJRJ).
Por Renan Filho · 2026-09-30