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Opiniao

Se Flávio Bolsonaro for eleito, Brasil vai virar Venezuela? A análise FORTIS

Renan Filho Por Renan Filho · 2026-09-26

Colunista da Folha compara eventual governo do senador a Maduro; FORTIS separa exagero, alerta legítimo e cobra projeto liberal.

O colunista Celso Rocha de Barros, da Folha de S.Paulo, voltou a provocar o debate político ao afirmar que uma eventual eleição de Flávio Bolsonaro transformaria o Brasil em uma Venezuela. A frase é forte, mas não pode ser respondida com gritaria. Na linha editorial da FORTIS, verdade acima de narrativa. Portanto, é preciso separar o exagero retórico do alerta útil.

O cenário eleitoral de 2026 ainda está em construção, e o próprio senador não confirmou uma candidatura presidencial. O ex-presidente Jair Bolsonaro, inelegível, alimenta o nome do filho mais velho. Flávio, senador pelo Rio de Janeiro, carrega o sobrenome mais forte do bolsonarismo. Para a esquerda, isso basta para associá-lo a tudo o que havia de errado no governo anterior. Para quem acredita em liberdade econômica, essa associação automática é um erro de método.

A Venezuela de Hugo Chávez e Nicolás Maduro afundou porque o socialismo corroeu as instituições, estatizou a economia, perseguiu a oposição, controlou a imprensa e destruiu a confiança na propriedade privada. O resultado é conhecido: mais de 7,7 milhões de venezuelanos deixaram o país, conforme estimativas de agências da ONU, o PIB encolheu de forma dramática e a população enfrenta escassez e hiperinflação. Nada disso tem paralelo comprovado na trajetória parlamentar de Flávio Bolsonaro. Ele não foi presidente, não comandou estatais e não apresentou projeto de confisco. A comparação direta com a Venezuela é, portanto, um exagero.

Mas é exatamente nesse ponto que a direita liberal precisa ser honesta. O bolsonarismo nunca foi um movimento liberal puro. O governo Jair Bolsonaro fez reformas importantes, como a reforma da Previdência e a MP da Liberdade Econômica, mas também flertou com intervencionismo, atacou instituições, questionou o processo eleitoral sem provas e tratou o Estado como ferramenta de vingança contra adversários. Esse estilo populista não é chavismo, mas abre caminho para a erosão das regras do jogo. Quem compara Flávio a Maduro comete injustiça; quem acha que não há nenhum risco comete negligência.

Se Flávio Bolsonaro for eleito, o Brasil não vai virar Venezuela por causa de um sobrenome. O país vira Venezuela quando o Executivo concentra poder, quando o Banco Central perde autonomia, quando o Congresso se torna decorativo, quando os contratos públicos deixam de ser cumpridos e quando a liberdade de expressão é ameaçada. O que impede um colapso autoritário é a força das instituições e o compromisso com limites constitucionais. A direita liberal precisa dizer isso sem rodeios.

A esquerda adora chamar todo adversário de fascista. A direita adora chamar toda crítica de comunista. Nenhuma dessas respostas gera bom debate. A FORTIS defende o livre mercado, o Estado mínimo e a democracia liberal. Por isso, não temos medo de dizer: se Flávio Bolsonaro for eleito e governar com populismo irresponsável, o Brasil terá um problema seríssimo. Se governar com respeito às instituições, reformas liberais e equilíbrio fiscal, a expressão Venezuela será apenas uma fanfarronice de editorial.

O verdadeiro antídoto contra a Venezuela é o liberalismo. Isso significa privatizar estatais, abrir a economia, reduzir impostos, cortar privilégios, garantir segurança jurídica e fortalecer o Banco Central independente. Também significa apoiar a liberdade de imprensa e a alternância de poder. Qualquer candidato, inclusive Flávio Bolsonaro, deve ser avaliado por aquilo que propõe fazer, não pela cor do partido ou pelo sobrenome. O eleitor conservador precisa exigir propostas concretas, não aceitar respostas vagas.

No Brasil, o lulopetismo já mostrou o que é incompetência com verniz de generosidade. Mas nenhuma força política de relevância chegou ao ponto de extinguir a propriedade privada como na Venezuela. O Brasil não precisa de novos messias. Precisa de menos Estado, mais mercado e mais respeito à lei. Se uma gestão flávio-bolsonarista entender isso, poderá surpreender. Se escolher o caminho do confronto permanente, cairá na armadilha de repetir o pior de todos os populismos, independentemente do lado em que se encontrem.

Análise FORTIS: A provocação de Celso Rocha de Barros tem um mérito: obriga o conservadorismo a explicar o que não é. Venezuela é ditadura com discurso socialista. Brasil deve ser democracia liberal com economia de mercado. A melhor resposta à acusação é apresentar um projeto de país que torne a comparação inverossímil. Palavras são baratas. Instituições fortes, juros baixos e empregos gerados pelo setor privado são caros.

Renan Filho
Sobre o autor
Renan Filho
Editor-Chefe do FORTIS News

Editor-chefe do FORTIS News. Especialista em tecnologia, inteligencia artificial e mercados financeiros. Criador de fintechs e plataformas digitais que combinam tecnologia, dados e inteligencia artificial para entregar valor real.