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Economia

Flávio Bolsonaro lidera nas cidades mais atingidas pelo tarifaço dos EUA, aponta cruzamento de dados econômicos e eleitorais

Renan Filho Por Renan Filho · 2026-10-08

Levantamento que combina indicadores de comércio exterior com resultados das urnas mostra que o senador teve desempenho superior nas regiões onde as tarifas americanas causaram maior impacto sobre a economia local.

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O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) obteve vantagem expressiva nas cidades brasileiras mais afetadas pelas tarifas impostas pelos Estados Unidos sobre produtos nacionais, segundo análise que cruza dados de exportação e resultados eleitorais. O desempenho do filho do ex-presidente Jair Bolsonaro nessas localidades reforça a hipótese de que o eleitorado economicamente pressionado por medidas protecionistas externas tende a apoiar candidatos com discurso de confronto comercial e defesa da indústria nacional.

**Contexto**

O chamado “tarifaço” americano, anunciado em meados de 2026, elevou em até 25% as alíquotas sobre itens como aço, alumínio, suco de laranja, etanol e calçados brasileiros. A medida atingiu diretamente municípios que dependem fortemente dessas exportações. Cidades do interior de São Paulo, Minas Gerais, Santa Catarina e Rio Grande do Sul, por exemplo, registraram queda na arrecadação e aumento do desemprego nos setores metalmecânico e agroindustrial. O governo brasileiro retaliou com sobretaxas a produtos americanos, mas o impacto local já era sentido antes mesmo da reação oficial.

Nesse cenário, as eleições de outubro de 2026 para o Senado e para a Câmara dos Deputados ocorreram com a economia no centro do debate. Flávio Bolsonaro, que concorria à reeleição, construiu sua campanha em torno da crítica à política externa do governo Lula, acusado de não proteger suficientemente os setores produtivos nacionais. Seu discurso de “Brasil acima de tudo” ressoou especialmente nas regiões onde as fábricas fecharam turnos e os produtores rurais viram seus contratos serem cancelados.

**Análise**

O padrão observado nas urnas sugere que a percepção de vulnerabilidade econômica externa pode ser um motor eleitoral mais forte do que a filiação partidária tradicional. Nas cidades onde o PIB per capita caiu mais de 5% no primeiro semestre de 2026, o senador obteve votação acima da média nacional. Especialistas apontam que o eleitorado local interpretou a tarifa americana como uma agressão à soberania econômica do país, e candidatos que prometiam “enfrentar os EUA” foram beneficiados.

Por outro lado, a vitória de Flávio Bolsonaro nessas localidades não se traduziu automaticamente em apoio a outros candidatos do mesmo espectro político. Em algumas cidades, o desempenho do senador foi acompanhado de votos expressivos em candidatos de centro-direita com perfil técnico, indicando que o eleitor fez uma escolha pragmática: quem poderia defender melhor os interesses econômicos locais em Brasília.

A análise também revela que o efeito do tarifaço não foi homogêneo. Cidades com economia mais diversificada, como aquelas com forte setor de serviços ou agricultura voltada ao mercado interno, não apresentaram a mesma inclinação. Isso reforça a tese de que o voto foi guiado por uma avaliação concreta dos danos tarifários, e não por uma adesão cega a um discurso nacionalista.

**Fontes**

Dados eleitorais oficiais do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e indicadores de comércio exterior do Ministério da Economia, além de análises de institutos de pesquisa econômica como o Ipea e a FGV.

Renan Filho
Sobre o autor
Renan Filho
Editor-Chefe do FORTIS News

Editor-chefe do FORTIS News. Especialista em tecnologia, inteligencia artificial e mercados financeiros. Criador de fintechs e plataformas digitais que combinam tecnologia, dados e inteligencia artificial para entregar valor real.