**Lead**
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) participou na manhã deste domingo da gravação de um podcast voltado ao público católico, em um movimento para conter o desgaste político provocado pela circulação de uma notícia falsa envolvendo a imagem de Nossa Senhora. A fake news, que associava a figura mariana a uma suposta declaração do senador, gerou reação negativa de fiéis e de representantes da Igreja Católica nas últimas semanas. O episódio, ainda sem data de estreia, foi gravado em um estúdio na capital paulista e deve ser divulgado nos próximos dias.
**Contexto**
A polêmica teve início quando um conteúdo sem qualquer base factual passou a circular em grupos de WhatsApp e redes sociais ligados ao bolsonarismo. A mensagem fraudulenta atribuía a Flávio Bolsonaro uma frase ofensiva sobre Nossa Senhora Aparecida, padroeira do Brasil. Apesar de a assessoria do senador ter negado a autoria da declaração ainda nas primeiras horas após a viralização, o boato ganhou força entre setores conservadores, que enxergaram na suposta fala uma afronta à fé católica.
A reação foi imediata. Lideranças leigas e alguns padres com atuação nas redes sociais gravaram vídeos pedindo providências e criticando o que consideraram um ataque à religiosidade popular. Embora nenhuma autoridade eclesiástica oficial tenha se manifestado de forma contundente, a pressão das bases obrigou a equipe política de Flávio a repensar a estratégia de comunicação com o eleitorado religioso.
O senador, que já vinha tentando se distanciar de pautas mais radicais para ampliar seu capital político visando 2028 – ano em que especula-se sua candidatura ao governo do Rio de Janeiro – viu na crise uma ameaça real de erosão de apoio justamente entre o segmento mais fiel de sua base. Pesquisas qualitativas internas, cujos percentuais não foram divulgados, indicavam tendência de queda na intenção de voto entre católicos praticantes nas regiões metropolitanas fluminenses.
**Análise**
A escolha de um podcast católico como palco para o aceno não é aleatória. Nos últimos anos, canais de entrevistas conduzidos por padres e influenciadores católicos ganharam relevância na comunicação política brasileira, especialmente entre eleitores que buscam conteúdo alinhado à doutrina da Igreja. Ao aceitar o convite, Flávio Bolsonaro sinaliza que reconhece o erro estratégico de não ter contido a disseminação da fake news com mais rapidez e que deseja restabelecer pontes com esse público.
A iniciativa, contudo, carrega riscos. Em um ambiente onde a desinformação já causou danos, qualquer resposta considerada evasiva ou pouco sincera pode aprofundar a desconfiança. Além disso, o episódio expõe a dificuldade que integrantes da família Bolsonaro enfrentam para controlar narrativas em um ecossistema digital fragmentado, onde apoiadores muitas vezes espalham conteúdos sem checagem prévia, movidos por entusiasmo ou má-fé.
Do ponto de vista político, o movimento de Flávio pode ser interpretado como parte de uma tentativa mais ampla de reestruturação da imagem do clã Bolsonaro junto ao eleitorado católico tradicional, segmento decisivo em eleições majoritárias. Se o podcast conseguir gerar empatia e esclarecimento, o senador pode transformar a crise em oportunidade. Caso contrário, o caso servirá como alerta sobre os limites do antigo método de comunicação baseado em ataques e polarização.
**Fontes**
- Perfil oficial do podcast "Caminho da Fé" (identificado como o veículo da gravação). - Nota oficial da assessoria de imprensa do senador Flávio Bolsonaro, publicada em 26 de setembro de 2026. - Matérias veiculadas pelos portais UOL e G1 sobre a repercussão da fake news entre grupos católicos. - Publicações em redes sociais de líderes católicos leigos que criticaram o boato (nomes preservados por não serem figuras públicas unânimes). - Dados de pesquisas qualitativas internas mencionadas por fontes da equipe política do senador em condição de anonimato.
Por Renan Filho · 2026-09-28