**Lead**
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) fez um apelo direto a eleitores e apoiadores para que intensifiquem sua presença e assumam riscos maiores nas redes sociais, argumentando que a liberdade de expressão no Brasil está sob ameaça e que apenas uma postura mais agressiva dos usuários pode reverter o que chamou de “censura digital”. A declaração ocorreu durante um encontro com lideranças conservadoras em Brasília, na última semana, e rapidamente gerou repercussão entre analistas políticos e especialistas em comunicação digital.
**Contexto**
Nos últimos anos, o debate sobre a regulação das plataformas digitais no Brasil se intensificou. Projetos de lei como o PL 2630/2020, conhecido como “PL das Fake News”, tramitam no Congresso e propõem maior responsabilização das empresas por conteúdos publicados por usuários. Flávio Bolsonaro, que sempre se posicionou contra qualquer forma de controle estatal sobre a internet, tem sido uma das vozes mais ativas na defesa de um ambiente digital sem restrições. Em suas redes sociais, o senador acumula milhões de seguidores e frequentemente utiliza esses canais para criticar decisões judiciais que determinam a remoção de perfis ou publicações.
O pedido por “mais riscos” reflete uma estratégia que vem sendo adotada por setores da direita brasileira: incentivar os eleitores a publicarem conteúdos considerados polêmicos, mesmo que isso possa resultar em denúncias, bloqueios temporários ou processos judiciais. Para Flávio, o receio de sofrer represálias nas plataformas tem levado muitos cidadãos a se autocensurarem, o que, em sua visão, enfraquece a democracia e favorece apenas os discursos alinhados ao establishment político e midiático.
**Análise**
A declaração do senador ocorre em um momento de acirramento da polarização política no Brasil, com as eleições de 2026 se aproximando e as redes sociais sendo o principal palco de disputa de narrativas. Especialistas apontam que o incentivo a comportamentos de risco pode acelerar a disseminação de desinformação e aumentar a judicialização de conflitos online. Por outro lado, defensores da liberdade irrestrita argumentam que a regulação atual já é excessiva e que o cidadão comum não deve temer expressar suas opiniões, mesmo que controversas.
O impacto prático do apelo de Flávio Bolsonaro ainda é incerto, mas observadores notam que, desde sua fala, houve um aumento no compartilhamento de conteúdos com teor crítico ao STF e ao sistema eleitoral, temas que frequentemente geram remoções. Plataformas como Twitter (agora X) e Instagram têm adotado políticas mais rígidas contra discursos de ódio e fake news, o que coloca os usuários que seguem a orientação do senador em rota de colisão com os termos de serviço.
Para a sociedade brasileira, o dilema é complexo: equilibrar a liberdade de expressão com a necessidade de combater a desinformação e proteger grupos vulneráveis. O chamado de Flávio Bolsonaro reforça a tese de que a direita política vê na regulação digital uma forma de censura, enquanto setores progressistas e parte do Judiciário enxergam a necessidade de limites claros. A discussão promete dominar o debate público nos próximos meses, especialmente com a tramitação de novas propostas legislativas.
**Fontes**
As informações foram baseadas em declarações públicas do senador Flávio Bolsonaro registradas em vídeos e transmissões ao vivo, além de reportagens de veículos como O Globo, Folha de S.Paulo e UOL, que cobriram o evento em Brasília. Dados sobre a tramitação do PL 2630 foram obtidos no site da Câmara dos Deputados. Análises de especialistas em comunicação digital foram consultadas em artigos acadêmicos e entrevistas publicadas na imprensa nacional.
Por Renan Filho · 2026-10-13