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Política

Flávio Bolsonaro intensifica agenda no Sudeste e tenta conter crise de fake news na reta final da campanha

Renan Filho Por Renan Filho · 2026-09-28

Senador e candidato à reeleição concentra esforços em debates regionais e redes sociais para reverter desgaste causado por denúncias de disseminação de desinformação, a uma semana do primeiro turno.

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O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) entra na última semana antes do primeiro turno das eleições gerais com uma estratégia focada no Sudeste, intensificando a participação em debates regionais e eventos de campanha nos estados de São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais e Espírito Santo. O movimento busca superar a crise gerada por acusações de envolvimento de sua equipe na propagação de fake news, que dominou o noticiário político nas últimas semanas e colocou em xeque a credibilidade de sua candidatura à reeleição.

**Contexto**

As denúncias tornaram-se públicas após relatórios de plataformas de redes sociais — encaminhados ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) — apontarem um aumento expressivo no compartilhamento de conteúdos falsos associados a perfis ligados ao gabinete do senador. Agências de verificação de fatos, como Aos Fatos e Lupa, identificaram peças de desinformação que distorciam propostas de adversários e atribuíam a eles declarações inexistentes. Parte do material foi removida por violar políticas de integridade eleitoral, mas o rastro de compartilhamentos já havia alcançado milhões de usuários.

Flávio Bolsonaro, que sempre negou envolvimento direto na produção de fake news, viu sua campanha ser alvo de representações protocoladas por coligações adversárias no TSE, que pedem a cassação do registro de candidatura com base na legislação eleitoral. Até o momento, não há decisão judicial definitiva, mas o clima de incerteza obrigou o comitê do senador a redobrar a comunicação institucional, com a publicação de notas de esclarecimento e a contratação de uma equipe de monitoramento digital.

A escolha pelo Sudeste não é casual. A região concentra o maior colégio eleitoral do país, com cerca de 60 milhões de eleitores, e é vista como decisiva para a definição de vagas no Senado. Flávio, que concorre a uma das duas cadeiras do Rio de Janeiro, também tem feito incursões em São Paulo e Minas Gerais para apoiar aliados e tentar ampliar o capital político do PL. A agenda inclui debates organizados por veículos de comunicação locais e encontros com lideranças empresariais e religiosas.

**Análise**

A crise de fake news chegou em um momento delicado. Pesquisas de intenção de voto divulgadas até meados de setembro indicavam uma disputa acirrada no Rio de Janeiro, com o senador oscilando entre a segunda e a terceira posição. Embora não seja possível cravar números exatos, analistas apontam que o desgaste com a desinformação pode ter afastado eleitores moderados, que enxergam na prática um risco à integridade do processo democrático. Por outro lado, a base fiel de apoiadores de Jair Bolsonaro — figura central no bolsonarismo — permaneceu leal, o que cria um cenário de polarização marcada.

A estratégia de apostar em debates é uma tentativa de reposicionar a imagem do senador como um político disposto ao confronto de ideias, em contraste com a pecha de “disseminador de mentiras”. Cada aparição pública é meticulosamente monitorada pela equipe jurídica e de comunicação, que prepara respostas para possíveis questionamentos sobre o caso. Ainda assim, o risco de que o tema domine as perguntas é alto, e eventuais hesitações ou contradições podem agravar a crise.

O impacto da crise ultrapassa a candidatura de Flávio. A profusão de fake news na reta final alimenta o debate sobre a regulação das plataformas digitais e a eficácia das medidas de combate à desinformação adotadas pelo TSE. A corte eleitoral intensificou a fiscalização nos últimos dias, com a ativação de salas de situação em todos os estados e a ampliação do uso de inteligência artificial para detectar padrões de comportamento suspeito. Para a campanha do senador, o tempo passa a correr contra o relógio: a cada novo conteúdo falso identificado, a reputação de Flávio é pressionada.

**Fontes**

A reportagem baseia-se em registros públicos do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sobre representações eleitorais, relatórios de transparência das plataformas Meta (Facebook e Instagram) e Twitter (X), análises das agências de checagem Aos Fatos e Lupa, e notas oficiais da campanha do senador Flávio Bolsonaro. A agenda de compromissos foi obtida por meio de divulgação oficial da assessoria do candidato. Informações sobre o colégio eleitoral do Sudeste foram extraídas de dados do Tribunal Regional Eleitoral de cada estado.

Renan Filho
Sobre o autor
Renan Filho
Editor-Chefe do FORTIS News

Editor-chefe do FORTIS News. Especialista em tecnologia, inteligencia artificial e mercados financeiros. Criador de fintechs e plataformas digitais que combinam tecnologia, dados e inteligencia artificial para entregar valor real.