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O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) afirmou nesta segunda-feira, 19 de outubro de 2026, que o voto contra a proposta de emenda à Constituição que previa o fim da escala de trabalho 6×1 foi uma resposta às ruas. O parlamentar defendeu a manutenção do atual modelo ao argumentar que a maioria da população não teria solicitado a mudança. A declaração ocorreu após o plenário do Senado rejeitar a PEC, em uma sessão marcada por protestos de movimentos trabalhistas e pela reação imediata do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que usou as redes sociais para criticar a trajetória do senador.
**Contexto**
A PEC que previa o fim da escala 6×1 foi apresentada por entidades sindicais e coletivos ligados a direitos trabalhistas, com o objetivo de reduzir a jornada máxima de trabalho de 44 horas semanais e extinguir o regime que obriga o empregado a trabalhar seis dias consecutivos para folgar apenas um. O texto gerou intensa mobilização nas redes sociais e chegou ao Congresso com forte apelo popular, especialmente entre trabalhadores de setores como comércio, call centers, saúde e serviços. A proposta precisava de votos de ao menos três quintos dos senadores em dois turnos para ser aprovada, mas foi derrotada já no primeiro turno.
Flávio Bolsonaro foi um dos primeiros a anunciar publicamente o voto contrário, antes mesmo da conclusão da contagem. Em seu discurso, o senador disse ter ouvido eleitores em diferentes estados e que a esmagadora maioria das conversas indicava rejeição à PEC. O parlamentar também argumentou que uma eventual aprovação poderia gerar demissões em massa e pressionar a economia, especialmente entre pequenas e médias empresas. A fala ecoa a posição de parte da base governista no Congresso, que preferiu não apoiar a matéria para evitar desgaste com setores empresariais e preservar a agenda liberal de reformas.
A rejeição da PEC representa uma derrota para as centrais sindicais e para o movimento VAT, sigla usada por ativistas que defendem a redução da jornada sem redução salarial. O tema ganhou força no Brasil depois de debates públicos sobre qualidade de vida, saúde mental e produtividade. Pesquisas de opinião realizadas ao longo do último ano indicaram crescimento do apoio à redução da jornada, mas sem consenso sobre a extinção completa do 6×1. Nas ruas, manifestações favoráveis à aprovação ocorreram em capitais como São Paulo, Rio de Janeiro e Brasília, enquanto grupos contrários organizaram atos em defesa da liberdade de negociação entre patrões e empregados.
O presidente Lula, em resposta ao resultado, publicou uma nota em suas redes sociais na qual afirmou que a trajetória de Flávio Bolsonaro é marcada pela defesa de privilégios e por um histórico de ataques aos direitos dos trabalhadores. Lula lembrou que o senador é filho do ex-presidente Jair Bolsonaro e que sua carreira política foi construída com base em pautas alinhadas ao mercado financeiro e a setores conservadores. A declaração ampliou a disputa política entre o governo federal e a oposição em um momento de queda na popularidade do Palácio do Planalto e de ascensão de pautas trabalhistas no debate público.
**Análise**
A justificativa de Flávio Bolsonaro de que seu voto foi uma escuta às ruas revela a estratégia de parte da oposição de se apresentar como representante autêntica da população diante de pautas consideradas progressistas. No entanto, a declaração ignora a complexidade do debate: a escala 6×1 é adotada por milhões de brasileiros, muitos em condições precárias, e a discussão sobre jornada envolve direitos constitucionais, acordos coletivos e competitividade. Ao reduzir a questão a uma suposta vontade majoritária, o senador simplifica o papel do Parlamento, que deveria equilibrar representação e análise técnica.
O ataque de Lula à trajetória do senador também precisa ser lido no contexto eleitoral. Com as eleições presidenciais se aproximando, o governo busca reforçar sua base de apoio entre trabalhadores e sindicatos, enquanto a oposição tenta consolidar o discurso de que o Estado mínimo e a desregulamentação geram emprego e renda. A rejeição da PEC, portanto, não encerra a disputa. O tema deve continuar presente nas campanhas e nos debates sobre a reforma trabalhista, especialmente se o cenário econômico não apresentar melhora significativa. A pressão popular por mudanças no modelo de jornada, que já é realidade em outros países, tende a se intensificar.
**Fontes**
As informações foram obtidas a partir de declarações oficiais de Flávio Bolsonaro em plenário, da manifestação do presidente Lula em redes sociais, de registros públicos da votação no Senado e de matérias publicadas pelos portais G1, CartaCapital e O Globo durante a cobertura da sessão.
Por Renan Filho · 2026-10-19