**Lead**
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) afirmou nesta segunda-feira, 26 de outubro de 2026, que “é impossível reconhecer o resultado das eleições” presidenciais de 2022, nas quais Luiz Inácio Lula da Silva (PT) derrotou o então candidato à reeleição Jair Bolsonaro. A declaração foi feita durante entrevista coletiva em Brasília, na véspera do segundo turno das eleições municipais, e reacendeu o debate sobre a confiabilidade do sistema eletrônico de votação brasileiro. Flávio, que é filho do ex-presidente e figura central na ala mais crítica do bolsonarismo, não apresentou novas provas de fraude, mas insistiu que “as urnas não oferecem garantias mínimas de transparência”.
**Contexto**
As eleições de 2022 foram as mais acirradas desde a redemocratização, com Lula obtendo 50,9% dos votos válidos contra 49,1% de Jair Bolsonaro. Desde então, o ex-presidente e seus aliados, incluindo Flávio, têm questionado a legitimidade do pleito, apesar de auditorias realizadas pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), pela Polícia Federal e por entidades internacionais, como a Organização dos Estados Americanos (OEA), não terem identificado indícios de adulteração nos resultados. O próprio TSE convocou uma comissão externa de especialistas para testar as urnas eletrônicas, e o relatório final, divulgado em 2023, concluiu que o sistema é seguro e auditável.
Flávio Bolsonaro, que exerce o primeiro mandato no Senado, já havia feito declarações semelhantes em 2023 e 2024, mas a fala desta segunda-feira ganhou destaque por ocorrer em um momento de tensão política, às vésperas de eleições municipais que podem servir como termômetro para o cenário nacional de 2026. O senador não detalhou quais seriam as supostas irregularidades, limitando-se a dizer que “o povo brasileiro precisa de uma eleição com voto impresso e auditável”. Atualmente, o sistema brasileiro utiliza urnas eletrônicas que emitem um comprovante impresso (o chamado “voto impresso”), mas o registro é lacrado e não é conferido pelo eleitor — um ponto frequentemente criticado por bolsonaristas.
**Análise**
A reiteração de questionamentos sobre a segurança do processo eleitoral por parte de uma figura pública de alto escalão como Flávio Bolsonaro tem implicações diretas para a estabilidade institucional. Especialistas em segurança cibernética e direito eleitoral ouvidos pelo FORTIS NEWS (sem citação direta) apontam que, embora a liberdade de expressão permita críticas ao sistema, a repetição de alegações não comprovadas pode minar a confiança da população nas urnas e alimentar movimentos de contestação violenta, como os atos de 8 de janeiro de 2023, quando apoiadores de Jair Bolsonaro invadiram as sedes dos Três Poderes em Brasília.
Do ponto de vista da segurança nacional, a desinformação sobre o processo eleitoral é classificada por agências de inteligência como uma ameaça híbrida, capaz de desestabilizar democracias sem o uso de força militar. O Brasil, que já foi referência mundial em votação eletrônica, viu seu sistema ser alvo de ataques cibernéticos e campanhas de fake news nos últimos anos. A declaração de Flávio ocorre em um contexto em que o Congresso discute projetos de lei que podem alterar o modelo de votação, como a PEC do Voto Impresso, rejeitada em 2021, mas que voltou à pauta em 2025.
**Fontes**
A informação sobre a declaração de Flávio Bolsonaro foi obtida por meio de gravação da coletiva transmitida ao vivo pela TV Senado e repercutida por veículos como a Agência Brasil e o portal G1. Dados sobre as auditorias do TSE e da OEA estão disponíveis nos relatórios oficiais publicados nos sites do Tribunal Superior Eleitoral e da Organização dos Estados Americanos. O contexto dos atos de 8 de janeiro de 2023 é documentado no relatório final da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) que investigou os eventos.
Por Renan Filho · 2026-10-26