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O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) defendeu publicamente que, caso seja eleito presidente da República em 2026, a eventual aprovação do fim da reeleição presidencial deve valer já para o seu próprio mandato. Em declaração a apoiadores, o parlamentar também afirmou que, se estiver na disputa, vetará a candidatura de seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), ao Palácio do Planalto. A posição, inédita dentro da família Bolsonaro, acirra os debates sobre o futuro da direita brasileira e reacende a discussão sobre a reforma política no Congresso.
**Contexto**
A proposta de extinguir a reeleição para cargos do Executivo — presidente, governadores e prefeitos — tramita no Congresso Nacional há anos, mas nunca avançou de forma consistente. Atualmente, a Constituição permite um mandato de quatro anos com possibilidade de uma recondução. Críticos apontam que o modelo favorece o uso da máquina pública e desequilibra a disputa eleitoral. Flávio Bolsonaro, que já foi deputado estadual e federal antes de se eleger senador em 2018, sempre se posicionou contra a reeleição, mas nunca havia vinculado o tema à sua própria candidatura presidencial.
O senador é o nome mais cotado dentro do PL para suceder Jair Bolsonaro, caso o ex-presidente seja considerado inelegível pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) — o que já ocorre desde 2023, quando foi condenado por abuso de poder político nas eleições de 2022. Apesar de recursos, a situação jurídica de Jair Bolsonaro permanece incerta, e ele não descarta tentar reverter a inelegibilidade. Flávio, por sua vez, vem construindo uma imagem de continuidade, mas com discurso próprio, mais moderado em alguns temas e mais incisivo em outros, como o combate à corrupção e a reforma administrativa.
A declaração sobre o veto ao pai pegou parte da base bolsonarista de surpresa. Nos bastidores, aliados do ex-presidente avaliam que Flávio tenta se descolar da sombra paterna para ampliar seu eleitorado, especialmente entre os que rejeitam o radicalismo dos últimos anos. Jair Bolsonaro, até o momento, não se manifestou oficialmente sobre a fala do filho, mas interlocutores próximos afirmam que ele vê com ressalvas a ideia de abrir mão de uma eventual candidatura própria.
**Análise**
A proposta de aplicar o fim da reeleição já no mandato de quem a aprova é um movimento arriscado, mas calculado. Flávio Bolsonaro busca se apresentar como um político disposto a abrir mão de privilégios — algo que pode atrair o eleitorado cansado da velha política. Ao mesmo tempo, ao condicionar o veto ao pai à sua própria candidatura, ele tenta neutralizar a principal ameaça interna: a possibilidade de Jair Bolsonaro concorrer e dividir os votos da direita. Se o ex-presidente for declarado elegível, a disputa entre os dois poderia fragmentar o campo conservador e beneficiar candidatos de centro-esquerda.
O timing da declaração também não é casual. O Congresso deve retomar a discussão da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que acaba com a reeleição ainda neste semestre. Flávio Bolsonaro, ao se posicionar de forma clara, tenta pautar o debate e se credenciar como liderança capaz de articular mudanças institucionais. No entanto, a medida enfrenta resistência de governadores e prefeitos que dependem da reeleição para manter projetos de longo prazo. Além disso, partidos do Centrão, que hoje apoiam o governo Lula, veem na reeleição um instrumento de manutenção de poder local.
Outro ponto relevante é o impacto na relação entre Flávio e Jair Bolsonaro. Até agora, os dois mantinham uma aliança tácita: o pai como principal cabo eleitoral e o filho como herdeiro político. A sinalização de veto público pode ser interpretada como uma ruptura ou, ao contrário, como um jogo combinado para testar a reação do eleitorado. Analistas políticos lembram que, em 2018, Jair Bolsonaro também surpreendeu ao lançar a própria candidatura contra a cúpula do PSL. A diferença é que, agora, o embate ocorre dentro da mesma família e pode expor fragilidades na base bolsonarista.
**Fontes**
Declaração pública do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) em evento com apoiadores, reproduzida por veículos de imprensa nacionais. Informações sobre a tramitação da PEC do fim da reeleição obtidas junto à Câmara dos Deputados. Análise baseada em posicionamentos públicos de lideranças partidárias e especialistas em direito eleitoral.
Por Renan Filho · 2026-10-08