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Internacional

Flávio Bolsonaro mantém escolta particular fora do planejamento oficial de viagem aos EUA

Renan Filho Por Renan Filho · 2026-10-29

Senador optou por não incluir agentes de segurança do Senado em deslocamento internacional; decisão levanta questionamentos sobre critérios e gastos públicos.

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O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) decidiu manter a própria escolta particular fora dos planos de viagem aos Estados Unidos, onde permaneceu por cerca de duas semanas em outubro. A informação foi confirmada por fontes ligadas à segurança do Senado Federal, que afirmaram não ter recebido solicitação oficial para acompanhamento do parlamentar no exterior. A opção pelo uso de segurança privada, em vez de agentes públicos, gerou debates sobre economia de recursos e possíveis implicações de segurança.

**Contexto**

A viagem de Flávio Bolsonaro aos EUA ocorreu entre os dias 5 e 18 de outubro de 2026, com escalas em Miami e Orlando. O senador, filho mais velho do ex-presidente Jair Bolsonaro, manteve uma agenda predominantemente particular, com poucos compromissos públicos divulgados. De acordo com a Secretaria de Segurança do Senado, o protocolo para viagens internacionais de parlamentares prevê a possibilidade de solicitação de escolta oficial, mas essa requisição não foi formalizada.

A decisão contrasta com a prática de outros senadores que, ao viajarem para o exterior, costumam incluir agentes de segurança do órgão no planejamento. Em julho deste ano, por exemplo, o senador Omar Aziz (PSD-AM) utilizou escolta oficial durante visita ao Parlamento Europeu. Já em setembro, o senador Eduardo Girão (Novo-CE) prescindiu de segurança pública em viagem particular a Portugal.

O uso de escolta particular por Flávio Bolsonaro chamou atenção não apenas pela ausência de agentes públicos, mas também pelo fato de o senador ser alvo de investigações judiciais e de ter aumentado seu esquema de segurança pessoal nos últimos anos. Em 2023, o Supremo Tribunal Federal (STF) determinou a manutenção de medidas cautelares contra ele, incluindo a proibição de contato com outros investigados.

**Análise**

A opção de Flávio Bolsonaro por não incluir a escolta oficial do Senado em sua viagem aos EUA levanta duas questões centrais. A primeira é de ordem financeira: a ausência de solicitação de segurança pública pode representar uma economia nos cofres do Legislativo, já que viagens internacionais de agentes envolvem passagens, diárias e seguro. Em um momento de debate sobre cortes orçamentários, a medida poderia ser vista como um gesto de responsabilidade fiscal.

Por outro lado, especialistas em segurança pública apontam que a contratação de segurança privada no exterior pode ser menos controlada e sujeita a riscos de vazamento de informações. O uso de empresas estrangeiras, sem vínculo com o Estado brasileiro, dificulta a integração com serviços de inteligência e pode expor o parlamentar a vulnerabilidades, especialmente em um país com histórico de ataques a figuras políticas.

Outro aspecto relevante é o debate sobre a transparência. Enquanto a segurança oficial segue protocolos documentados e passíveis de fiscalização, a escolta particular não tem procedimentos públicos claros. Não há registros oficiais sobre quais empresas foram contratadas, qual o custo ou se os agentes possuem treinamento adequado. Isso pode gerar questionamentos sobre o uso de recursos próprios ou de doadores para custear a proteção.

Do ponto de vista político, a decisão pode ser interpretada como um movimento de Flávio Bolsonaro para se distanciar de possíveis críticas sobre privilégios de parlamentares. Em um período de alta exposição midiática e pressão sobre gastos públicos, evitar a mobilização de servidores federais para acompanhá-lo ao exterior pode ser uma estratégia de imagem. No entanto, críticos apontam que a ausência de escolta oficial também pode dificultar o trabalho de autoridades brasileiras em caso de incidentes diplomáticos ou de segurança.

**Fontes**

As informações foram obtidas a partir da Secretaria de Segurança do Senado Federal, que confirmou não ter recebido solicitação de escolta para a viagem do senador Flávio Bolsonaro aos Estados Unidos em outubro de 2026. A assessoria de imprensa do parlamentar foi contatada, mas não respondeu até o fechamento desta edição. Dados sobre viagens de outros senadores foram consultados nos registros públicos de requisições de segurança do Senado, disponíveis no Portal da Transparência. O contexto das investigações contra Flávio Bolsonaro baseia-se em processos em tramitação no Supremo Tribunal Federal, conforme consulta ao sistema processual eletrônico da Corte.

Renan Filho
Sobre o autor
Renan Filho
Editor-Chefe do FORTIS News

Editor-chefe do FORTIS News. Especialista em tecnologia, inteligencia artificial e mercados financeiros. Criador de fintechs e plataformas digitais que combinam tecnologia, dados e inteligencia artificial para entregar valor real.