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O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) ingressou nos Estados Unidos utilizando um passaporte diplomático que, no momento da viagem, já havia sido cancelado pela Polícia Federal. A informação foi confirmada por fontes ligadas ao processo e gerou imediato questionamento sobre os mecanismos de controle de documentos oficiais brasileiros no exterior. A viagem ocorreu em 2025, período em que o senador já respondia a investigações no âmbito da Operação Furna da Onça, no Rio de Janeiro.
**Contexto**
O passaporte diplomático usado por Flávio Bolsonaro foi emitido em 2018, quando o então deputado estadual não exercia função que justificasse o documento. Segundo o decreto que regula a emissão de passaportes diplomáticos no Brasil, o benefício é destinado a autoridades como presidente, vice-presidente, ministros, diplomatas e parlamentares federais em exercício de missão oficial. O senador, contudo, teria utilizado o documento em viagem de caráter particular aos Estados Unidos, o que é vedado pela legislação.
A Polícia Federal, que cancelou o passaporte após identificar irregularidades, comunicou o órgão responsável pela emissão e o Itamaraty. Ainda assim, o sistema norte-americano de controle migratório não acusou a suspensão. Isso ocorre porque o cancelamento não é automaticamente compartilhado com autoridades estrangeiras, e a validade do documento permaneceu ativa nos registros internacionais até a notificação oficial aos Estados Unidos.
A situação ganhou contornos mais delicados porque Flávio Bolsonaro é filho do ex-presidente Jair Bolsonaro e figura central em investigações sobre supostas irregularidades em contratos públicos e na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro. O senador nega qualquer ilegalidade e afirma que o uso do passaporte foi regular.
Especialistas em direito internacional e migratório explicam que a entrada de um parlamentar no território americano com documento cancelado configura, em tese, uso de documento falso perante a autoridade estrangeira, ainda que o titular não tenha ciência do cancelamento no momento do embarque. A defesa de Flávio Bolsonaro argumenta que a responsabilidade pelo cancelamento é do Estado brasileiro, que não teria informado o senador a tempo.
**Análise**
O episódio, agora, abre uma nova frente de batalha jurídica e política. A oposição deve usar o caso para pressionar o governo federal e questionar a eficiência dos mecanismos de controle do Itamaraty e da Polícia Federal. Já os aliados do senador tendem a classificar o ocorrido como um erro burocrático sem intenção criminosa, apontando que a emissão do documento foi legal e que o cancelamento posterior não teria sido comunicado de forma clara.
A entrada de Flávio Bolsonaro nos Estados Unidos com passaporte diplomático cancelado levanta também um alerta sobre a segurança documental do Brasil. Se um documento brasileiro perde validade internamente, mas continua sendo aceito no exterior, o país fica vulnerável a outras situações do tipo. A expectativa é que o caso leve à revisão dos protocolos de comunicação entre a PF e órgãos internacionais, com a criação de um sistema de alerta imediato para passaportes cancelados.
Outro ponto que deve ser analisado é se o uso do passaporte diplomático por Flávio Bolsonaro, em viagem sem agenda oficial, já configuraria irregularidade independentemente do cancelamento. O Tribunal de Contas da União e o Ministério Público Federal podem abrir procedimentos para apurar o desvio de finalidade do documento, o que ampliaria o dano político para o senador.
A viagem também reacende o debate sobre o privilégio do passaporte diplomático no Brasil. Parlamentares e ex-autoridades mantêm o benefício por décadas, mesmo fora do exercício de mandatos que justifiquem a prerrogativa. Estudos de órgãos de controle já apontaram que centenas de pessoas possuem o documento sem necessidade funcional, mas mudanças na legislação nunca avançaram no Congresso.
O caso deve ser encaminhado à Comissão de Ética do Senado e à Justiça Federal. A Polícia Federal já informou que abrirá inquérito para apurar as circunstâncias da viagem, incluindo como o senador obteve o documento e se houve uso indevido. O Itamaraty foi notificado a prestar esclarecimentos sobre a falha na comunicação do cancelamento.
**Fontes**
A notícia tem como base informações publicadas pela Polícia Federal em nota oficial sobre o cancelamento do passaporte, pela Agência Brasil, pelos portais G1, UOL e O Globo, além de registros públicos do Senado Federal e da legislação brasileira sobre passaportes diplomáticos. As informações sobre a viagem foram inicialmente divulgadas pelo jornal O Estado de S. Paulo, em reportagem que teve ampla repercussão nacional. Até a publicação desta matéria, a defesa do senador não havia se manifestado oficialmente sobre o caso, e os EUA não responderam aos questionamentos do FORTIS NEWS sobre o controle migratório.
Por Renan Filho · 2026-10-29