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O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) afirmou, nesta quarta-feira (7), durante um encontro com apoiadores em Brasília, que o ex-presidente Jair Bolsonaro será a pessoa designada para passar a faixa presidencial a ele, caso seja eleito presidente da República em 2026. A declaração foi feita ao lado da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, que acompanhou o senador no evento. A fala reforça a estratégia da família Bolsonaro de apresentar Flávio como o herdeiro político natural do clã, em um momento em que Jair Bolsonaro se encontra inelegível por decisão do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
**Contexto**
Flávio Bolsonaro, de 45 anos, é o filho mais velho do ex-presidente e atualmente exerce o mandato de senador pelo Rio de Janeiro. Desde que Jair Bolsonaro foi condenado pelo TSE em junho de 2023 por abuso de poder político e uso indevido dos meios de comunicação durante as eleições de 2022, o nome de Flávio passou a ser cotado como o principal representante da direita conservadora nas próximas disputas eleitorais. A inelegibilidade de Jair Bolsonaro, que se estende até 2030, abriu caminho para que outros integrantes da família assumam a liderança do movimento bolsonarista.
A declaração de Flávio ocorre em um contexto de articulação interna no Partido Liberal (PL). Embora o partido ainda não tenha oficializado a candidatura presidencial para 2026, Flávio é visto como o nome mais forte entre os bolsonaristas. A presença de Michelle Bolsonaro ao lado do senador durante o evento não é casual: a ex-primeira-dama também é considerada uma possível candidata, mas tem reiterado publicamente que não disputará cargo eletivo neste momento, preferindo apoiar o filho mais velho do marido.
A tradição de um presidente eleito receber a faixa presidencial do antecessor é um dos rituais mais simbólicos da democracia brasileira. Desde a redemocratização, todos os presidentes eleitos passaram a faixa a seus sucessores, com exceção de momentos de ruptura institucional. Ao afirmar que Jair Bolsonaro será o responsável pelo gesto, Flávio busca associar sua eventual vitória a uma continuidade direta do governo anterior, apesar da inelegibilidade do ex-presidente.
**Análise**
A fala de Flávio Bolsonaro carrega um peso simbólico e político significativo. Em primeiro lugar, ela tenta contornar a barreira jurídica que impede Jair Bolsonaro de concorrer, transformando-o em uma figura cerimonial de transmissão de poder. Caso Flávio seja eleito, a imagem do pai passando a faixa ao filho seria um poderoso instrumento de propaganda, reforçando a narrativa de que o bolsonarismo não terminou com a inelegibilidade de seu líder máximo.
Do ponto de vista eleitoral, a declaração também serve para consolidar a candidatura de Flávio dentro da base conservadora. Ao lado de Michelle, que ainda mantém forte apelo entre o eleitorado evangélico e feminino, o senador busca unificar o campo bolsonarista em torno de seu nome. No entanto, a estratégia enfrenta desafios. Pesquisas de opinião recentes indicam que, embora Flávio tenha boa rejeição entre os eleitores de centro e esquerda, ele ainda precisa superar a desconfiança de parte do próprio eleitorado, que vê nele menos carisma que o pai.
Além disso, a menção à passagem da faixa presidencial levanta questões legais. O TSE já deixou claro que Jair Bolsonaro não pode exercer funções partidárias ou participar de atos de campanha de forma ativa, mas a cerimônia de posse é um evento institucional, não eleitoral. Especialistas em direito eleitoral consultados pela reportagem divergem sobre se a presença do ex-presidente na transmissão de cargo poderia ser contestada judicialmente. O fato é que a declaração de Flávio já acendeu alertas em setores jurídicos da oposição.
**Fontes**
As informações foram obtidas a partir de declarações públicas de Flávio Bolsonaro durante evento realizado em Brasília no dia 7 de outubro de 2026, com cobertura de veículos como a Agência Brasil, o jornal O Globo e o portal UOL. Dados sobre a inelegibilidade de Jair Bolsonaro referem-se à decisão do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) de junho de 2023, disponível no site oficial da corte. Informações sobre articulações internas do Partido Liberal foram baseadas em reportagens da Folha de S.Paulo e do Estadão publicadas ao longo de 2025 e 2026.
Por Renan Filho · 2026-10-07