Em um evento político realizado em Aracaju, capital de Sergipe, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) fez uma declaração que rapidamente se espalhou pelas redes sociais e pelo noticiário nacional. Durante discurso para apoiadores, ele afirmou que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva “não tem apenas um filho, mas dois: Lulinha e o tigrinho”. A fala, carregada de ironia, faz referência direta ao empresário Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha, e ao apelido “Tigrinho”, que remete ao popular jogo de azar ilegal conhecido como “jogo do tigrinho”, que recentemente foi alvo de operações policiais e gerou debates sobre regulação e criminalidade.
A declaração ocorre em um momento de tensão política, em que o governo Lula tenta blindar a imagem do filho primogênito, investigado em supostos esquemas de lavagem de dinheiro e tráfico de influência. Flávio Bolsonaro, que também enfrenta investigações próprias, usou o palco sergipano para cutucar opositores e reacender o debate sobre o que chama de “patrimonialismo familiar” no núcleo do poder petista. A imprensa local registrou o discurso, e vídeos circularam amplamente, sendo repercutidos por veículos como UOL, G1 e O Antagonista.
CONTEXTO: O “jogo do tigrinho” tornou-se um fenômeno nacional nos últimos anos, operando à margem da lei e gerando prejuízos a milhares de famílias. O governo federal já anunciou medidas para combater plataformas ilegais, mas críticos apontam lentidão e conivência. Já Lulinha, filho do presidente, foi citado em relatórios do Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras) por movimentações atípicas e é alvo de inquéritos no âmbito da Operação Lava Jato, embora o STF tenha anulado parte das provas. Para analistas conservadores, a associação feita por Flávio é proposital: ambos os “filhos” representariam, simbolicamente, a promiscuidade entre o público e o privado que marca a história recente do PT.
ANÁLISE FORTIS: A fala de Flávio Bolsonaro, embora carregada de humor ácido, toca em um ponto central da agenda liberal-conservadora: a necessidade de separar o patrimônio público do privado. O Estado mínimo que defendemos não pode tolerar que familiares de ocupantes de cargos eletivos usem a influência política para enriquecer ou proteger negócios obscuros. A ironia do senador expõe uma realidade incômoda para o governo: enquanto Lula promete combater a corrupção, seu entorno familiar segue sob suspeita. A ausência de uma resposta clara e transparente por parte do Palácio do Planalto apenas fortalece a narrativa de que, no PT, a ética é flexível conforme o interesse. Ao mesmo tempo, a referência ao “tigrinho” também critica a leniência do governo com o jogo ilegal, que continua a operar sem oposição efetiva, corroendo a economia formal e as famílias de baixa renda.
Para o FORTIS, verdade está acima de narrativa. Não se trata de aderir a qualquer versão, mas de cobrar dos políticos que sejam transparentes e assumam responsabilidade por seus atos e pelos de seus familiares. Se o governo Lula deseja se diferenciar de gestões anteriores, precisa, no mínimo, esclarecer as movimentações financeiras de Lulinha e agir com rigor contra o jogo ilegal. Enquanto isso não ocorre, a sátira de Flávio Bolsonaro ecoa como um alerta: o patrimonialismo não tem partido, mas está mais vivo do que nunca na cúpula do poder.
Por Renan Filho · 2026-09-27