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Internacional

Flávio Bolsonaro tenta construir identidade própria sem romper com legado do pai na campanha presidencial

Renan Filho Por Renan Filho · 2026-10-21

Senador e filho do ex-presidente Jair Bolsonaro adota tom moderado, evita confrontos institucionais e foca em pautas técnicas para atrair eleitores de centro, mas enfrenta o desafio de não desagradar a base bolsonarista.

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A campanha presidencial brasileira de 2026 tem revelado uma estratégia de diferenciação sutil, mas calculada, por parte de Flávio Bolsonaro, senador e filho do ex-presidente Jair Bolsonaro. Em vez de abraçar integralmente o estilo confrontador e polarizador que marcou a gestão do pai, Flávio tem buscado se apresentar como uma alternativa mais técnica, moderada e institucional. A abordagem, observada por analistas políticos, visa ampliar o eleitorado para além da base fiel do bolsonarismo, especialmente entre eleitores de centro e indecisos que rejeitam o radicalismo, mas ainda simpatizam com pautas conservadoras.

**Contexto**

Flávio Bolsonaro, que exerce o cargo de senador pelo Rio de Janeiro desde 2019, sempre foi um dos principais aliados políticos de Jair Bolsonaro. Durante o governo do pai, atuou como articulador no Congresso e defensor público das principais bandeiras da família, como a flexibilização do porte de armas e o combate à chamada “ideologia de gênero”. No entanto, a campanha de 2026 marca a primeira vez que Flávio disputa a Presidência da República com o nome próprio, e não como herdeiro direto. Desde o início da pré-campanha, ele tem evitado repetir os ataques virulentos ao sistema eleitoral que caracterizaram o discurso de Jair Bolsonaro, especialmente após as eleições de 2022. Em vez disso, o senador concentra seus discursos em propostas de segurança pública — área em que construiu reputação como relator de projetos de lei —, reforma tributária simplificada e modernização da gestão pública.

A diferenciação também se manifesta na escolha de aliados. Enquanto Jair Bolsonaro frequentemente se cercava de militares e figuras polêmicas como o ex-ministro da Educação Abraham Weintraub, Flávio tem buscado o apoio de políticos com perfil mais técnico, como ex-secretários de segurança e economistas liberais. Em eventos de campanha, ele evita discursos inflamados e prefere apresentar dados e gráficos sobre criminalidade e eficiência do Estado. Essa postura, no entanto, não significa um rompimento com o pai. Em entrevistas, Flávio sempre faz questão de exaltar o legado de Jair, especialmente nas áreas econômica e de infraestrutura, mas ressalta que sua gestão será “mais dialogada” e “menos ruidosa”.

**Análise**

A estratégia de Flávio Bolsonaro reflete uma leitura pragmática do eleitorado brasileiro. Pesquisas de opinião realizadas por institutos nacionais indicam que, embora a rejeição a Jair Bolsonaro continue alta em segmentos urbanos e entre mulheres, há um contingente significativo de eleitores que aprovam as políticas conservadoras, mas se incomodam com o estilo beligerante do ex-presidente. Flávio tenta ocupar exatamente esse espaço: o de um conservadorismo “civilizado”, que preserva os valores da direita sem o desgaste institucional. No entanto, a manobra é arriscada. A base bolsonarista mais radical, que vê em Jair um líder intocável, pode interpretar qualquer moderação como traição. Até o momento, Flávio tem conseguido manter o apoio dos principais líderes do campo conservador, como os filhos Carlos e Eduardo Bolsonaro, mas a tensão é latente.

Outro fator relevante é a comparação inevitável com o pai. Em debates e sabatinas, adversários frequentemente questionam Flávio sobre as declarações polêmicas de Jair, como as que minimizaram a gravidade da pandemia de covid-19 ou atacaram ministros do Supremo Tribunal Federal. Flávio responde com frases evasivas, dizendo que “cada um tem seu estilo” e que “o importante é o resultado”. Essa ambiguidade, segundo analistas, pode ser um ponto fraco: ele não consegue se desvencilhar completamente das controvérsias do pai, mas também não as abraça com a mesma intensidade, correndo o risco de parecer oportunista. A campanha de Flávio também enfrenta o desafio de construir uma imagem própria em um cenário onde o sobrenome Bolsonaro ainda é o principal ativo político.

**Fontes**

As informações deste artigo baseiam-se em análises de cientistas políticos brasileiros publicadas em veículos como Folha de S.Paulo, O Globo e Estadão, bem como em reportagens de canais de televisão como GloboNews e CNN Brasil. Dados contextuais sobre a trajetória política de Flávio Bolsonaro foram extraídos de registros oficiais do Senado Federal e de arquivos de imprensa. Nenhuma declaração direta atribuída ao candidato ou a seus assessores foi reproduzida sem verificação independente. A descrição das estratégias de campanha baseia-se em observações de eventos públicos e cobertura jornalística factual.

Renan Filho
Sobre o autor
Renan Filho
Editor-Chefe do FORTIS News

Editor-chefe do FORTIS News. Especialista em tecnologia, inteligencia artificial e mercados financeiros. Criador de fintechs e plataformas digitais que combinam tecnologia, dados e inteligencia artificial para entregar valor real.