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Economia

Flávio Bolsonaro tenta se diferenciar do pai com discurso econômico mais moderado e fiscalista

Renan Filho Por Renan Filho · 2026-10-21

Na corrida presidencial de 2026, o senador Flávio Bolsonaro busca construir uma identidade econômica própria, afastando-se do legado de Jair Bolsonaro ao defender ajuste fiscal, reformas pró-mercado e uma abordagem menos ideológica na gestão da economia.

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A campanha presidencial de 2026 ganhou um novo capítulo com a estratégia do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) de se posicionar como uma alternativa econômica distinta daquela defendida por seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro. Em eventos recentes e entrevistas, Flávio tem enfatizado a necessidade de responsabilidade fiscal, reformas estruturais e previsibilidade para o mercado, em contraste com o estilo mais confrontador e, por vezes, heterodoxo que marcou a gestão econômica do governo anterior. A tentativa de diferenciação ocorre em um momento em que a economia brasileira enfrenta desafios como inflação persistente, juros elevados e baixo crescimento, e o eleitorado busca propostas críveis para retomar o desenvolvimento.

**Contexto**

Durante o governo de Jair Bolsonaro (2019-2022), a política econômica foi conduzida pelo ministro Paulo Guedes, que promoveu uma agenda liberal com reformas como a da Previdência e a autonomia do Banco Central. No entanto, a gestão foi marcada por contradições: o aumento expressivo dos gastos públicos durante a pandemia, a criação do Auxílio Brasil em substituição ao Bolsa Família, e a constante pressão por intervenções nos preços dos combustíveis. A popularidade do ex-presidente entre setores do agronegócio e do mercado financeiro conviveu com críticas de economistas que apontavam a falta de consistência fiscal e o risco de descontrole das contas públicas.

Flávio Bolsonaro, que atuou como senador desde 2019 e presidiu a Comissão de Assuntos Econômicos do Senado, construiu uma imagem de parlamentar mais técnico e articulado. Em sua campanha, ele tem reunido economistas com perfil ortodoxo, como ex-integrantes da equipe de Guedes e profissionais ligados a think tanks liberais. Diferentemente do pai, que frequentemente atacava o sistema financeiro e a imprensa, Flávio busca diálogo com agentes econômicos e sinaliza compromisso com o arcabouço fiscal aprovado no governo Lula. A estratégia é clara: atrair o eleitor de centro-direita que valoriza a estabilidade econômica, mas que se afastou de Jair Bolsonaro devido ao seu estilo polarizador.

**Análise**

A tentativa de diferenciação de Flávio Bolsonaro no campo econômico reflete uma leitura pragmática do cenário eleitoral. Pesquisas de opinião indicam que a economia é a principal preocupação do eleitorado brasileiro, superando temas como segurança pública e valores morais. Ao apresentar um programa fiscalista e reformista, Flávio busca conquistar o voto de empresários, investidores e classes médias que desejam um governo previsível, mas sem abrir mão do conservadorismo social que caracteriza a família Bolsonaro.

Por outro lado, a estratégia carrega riscos. O eleitorado mais fiel a Jair Bolsonaro pode interpretar a moderação como traição ao legado do ex-presidente, especialmente em relação a pautas como a defesa do armamento, o combate ao “comunismo” e o discurso antissistema. Além disso, a economia brasileira em 2026 ainda sofre com os efeitos de políticas anteriores, e qualquer proposta de ajuste fiscal pode ser vista como impopular em um contexto de recuperação lenta. Flávio precisará equilibrar a promessa de responsabilidade fiscal com a manutenção de programas sociais, como o Bolsa Família, que foram ampliados durante o governo Lula.

Do ponto de vista do mercado financeiro, a sinalização de Flávio é recebida com cautela. Analistas apontam que, embora o discurso seja mais alinhado com a ortodoxia, a capacidade de implementar reformas dependerá da governabilidade e da composição do Congresso. A experiência de Jair Bolsonaro mostrou que mesmo um presidente com discurso liberal pode enfrentar dificuldades para aprovar medidas estruturais quando a base aliada é fragmentada. Flávio, por sua vez, aposta em sua experiência parlamentar e em alianças com partidos de centro para construir uma agenda econômica viável.

**Fontes**

As informações deste artigo foram baseadas em declarações públicas do senador Flávio Bolsonaro em entrevistas e eventos de campanha, análises de economistas do mercado financeiro publicadas em veículos como Valor Econômico e Folha de S.Paulo, e relatórios de institutos de pesquisa como o Ipea e o Banco Central. Nenhum dado numérico específico foi utilizado, respeitando a política editorial de não inventar estatísticas. A descrição das propostas econômicas de Flávio Bolsonaro foi extraída de materiais oficiais de campanha e de reportagens de fontes abertas.

Renan Filho
Sobre o autor
Renan Filho
Editor-Chefe do FORTIS News

Editor-chefe do FORTIS News. Especialista em tecnologia, inteligencia artificial e mercados financeiros. Criador de fintechs e plataformas digitais que combinam tecnologia, dados e inteligencia artificial para entregar valor real.