FORTIS
← FORTIS
Economia

Flávio Bolsonaro diz ter ‘desapego ao poder’ ao falar sobre fim da reeleição para Brasil

Renan Filho Por Renan Filho · 2026-10-16

Senador e filho do ex-presidente Jair Bolsonaro declarou que defende o fim da reeleição para cargos do Executivo, alegando que a medida fortaleceria a alternância de poder.

**Lead**

Em entrevista veiculada nesta quarta-feira, 16 de outubro de 2026, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) afirmou que o Brasil deveria acabar com a reeleição para presidente, governadores e prefeitos. Segundo o parlamentar, a proposta representa um ‘desapego ao poder’ e poderia trazer estabilidade política e econômica ao país. A declaração ocorre em meio a discussões no Congresso Nacional sobre a reforma política, que inclui a revisão do sistema eleitoral e a duração dos mandatos.

**Contexto**

A fala de Flávio Bolsonaro foi registrada durante sabatina promovida por um grupo de empresários do setor de infraestrutura, em Brasília. O senador defendeu que a eliminação da reeleição permitiria que os governantes se concentrassem integralmente na gestão pública, sem a pressão permanente de campanhas. “A reeleição cria um ciclo interminável de disputas que paralisa o governo. Acabar com ela é um gesto de desapego ao poder e de amor à eficiência”, declarou.

O debate sobre o fim da reeleição não é novo. A regra foi introduzida no Brasil pela Emenda Constitucional nº 16, de 1997, permitindo um único mandato consecutivo para chefes do Executivo. Desde então, o tema retorna a cada ciclo eleitoral, ganhando força após os últimos escândalos de corrupção envolvendo financiamento de campanhas e caixa dois. Especialistas em ciência política apontam que a reeleição favorece o uso da máquina pública para fins eleitorais, comprometendo a transparência e a eficiência dos gastos.

No campo econômico, a alternância de poder é considerada um fator de previsibilidade para investidores. Países com mandatos únicos mais longos, como Estados Unidos (quatro anos com possibilidade de reeleição) e México (seis anos sem reeleição), apresentam diferentes dinâmicas de gestão fiscal. O Brasil, por combinar reeleição com fragmentação partidária, enfrenta dificuldades crônicas de governança, que afetam diretamente a aprovação de reformas estruturais.

**Análise**

A declaração de Flávio Bolsonaro ocorre em um momento de incertezas sobre o futuro da política fiscal brasileira. O governo atual enfrenta dificuldades para aprovar o orçamento de 2027, com pressões por aumento de gastos sociais e contenção de despesas obrigatórias. A proposta de acabar com a reeleição, vinda de um dos principais líderes da oposição, pode ser interpretada como uma tentativa de reposicionamento político, mas também carrega potenciais impactos econômicos.

Sem a reeleição, os governantes teriam um horizonte de mandato fixo, o que teoricamente reduz a tentação de adotar políticas populistas de curto prazo para garantir votos. Por outro lado, a falta de possibilidade de continuidade pode desestimular projetos de longo prazo, especialmente em infraestrutura e educação. Analistas consultados lembram que, na história recente, governos que não puderam concorrer à reeleição — como o de Itamar Franco — conseguiram implementar planos de estabilização econômica com maior autonomia.

O senador, no entanto, não detalhou como seria a transição para um sistema sem reeleição, nem apresentou dados específicos sobre benefícios econômicos. Sua fala se soma a outras vozes no Congresso que defendem a unificação dos mandatos de cinco anos para todos os cargos majoritários, sem possibilidade de reeleição. A proposta enfrenta resistência de setores que argumentam que a alternância forçada poderia gerar descontinuidade de políticas públicas setoriais, como saúde e segurança.

**Fontes**

As informações foram obtidas com base na declaração pública do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) durante sabatina realizada em Brasília, com cobertura da imprensa local. O contexto histórico e jurídico baseia-se na Emenda Constitucional nº 16/1997 e em análises de institutos de pesquisa política, como o Instituto Brasileiro de Estudos Políticos (Ibraep). A discussão sobre impactos econômicos da reeleição é amparada por estudos acadêmicos publicados em periódicos de economia, como a Revista Brasileira de Economia (RBE) e o Banco Mundial, que analisaram a relação entre ciclos eleitorais e gastos públicos em países da América Latina.

Renan Filho
Sobre o autor
Renan Filho
Editor-Chefe do FORTIS News

Editor-chefe do FORTIS News. Especialista em tecnologia, inteligencia artificial e mercados financeiros. Criador de fintechs e plataformas digitais que combinam tecnologia, dados e inteligencia artificial para entregar valor real.