**Lead**
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) afirmou na tarde deste sábado, 28 de setembro, que as recentes fake news envolvendo a imagem de Nossa Senhora Aparecida representam uma agressão tão grave à fé católica quanto a facada que atingiu seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, durante a campanha eleitoral de 2018. A declaração foi feita durante um encontro com lideranças religiosas no município de Aparecida, no interior paulista, a poucos dias do feriado da padroeira do Brasil. A fala foi registrada por equipes de imprensa locais e rapidamente viralizou nas redes sociais, dividindo opiniões entre aliados e críticos.
**Contexto**
Nos últimos dias, uma série de conteúdos falsos começou a circular em grupos de WhatsApp e plataformas como Telegram e TikTok, alegando que uma imagem da santa teria sido removida de igrejas ou que o governo federal estaria censurando devoções católicas. Embora tais alegações já tenham sido desmentidas por órgãos oficiais, como a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), as postagens continuam a ganhar tração entre setores conservadores. Flávio Bolsonaro aproveitou o evento para relacionar o episódio diretamente à experiência traumática vivida pela família, quando Jair Bolsonaro foi es
O senador afirmou que “assim como a facada tentou calar a voz do meu pai, as fake news de hoje tentam calar a fé do povo brasileiro”. A declaração foi recebida com aplausos por parte dos presentes, mas gerou críticas imediatas de lideranças religiosas e políticas. O presidente da CNBB, dom Jaime Spengler, em nota divulgada horas depois, classificou a comparação como “descabida e perigosa”, ressaltando que desinformação deve ser combatida com informação, e não com analogias que banalizam a violência.
**Análise**
A escolha do senador em fazer tal comparação não é aleatória. O atentado de 2018 é um dos marcos mais simbólicos da trajetória política de Jair Bolsonaro, frequentemente usado para mobilizar sua base eleitoral. Ao associar as fake news sobre a santa à facada, Flávio Bolsonaro busca renovar o sentimento de perseguição que unifica o bolsonarismo, especialmente em um momento em que o ex-presidente enfrenta investigações judiciais e inelegibilidade. A estratégia visa também capitalizar sobre a fé popular — cerca de 60% dos brasileiros se declaram católicos, e a devoção a Nossa Senhora Aparecida é uma das mais fortes do país.
Por outro lado, especialistas em comunicação política alertam que a fala pode ter efeito contrário. A comparação com um ato violento real, que quase custou a vida de um presidente da República, pode ser vista como desproporcional e insensível por eleitores moderados. Além disso, ao alimentar a narrativa de que há uma “perseguição” à fé católica, o senador corre o risco de ampliar a desinformação já existente, dificultando o trabalho de verificação de fatos. A CNBB e outras entidades já se manifestaram contra o uso político de símbolos religiosos.
**Fontes**
A informação foi baseada em declarações do senador Flávio Bolsonaro durante evento público em Aparecida (SP), transmitido ao vivo por canais de notícias e repercutido por veículos como UOL, G1 e Folha de S.Paulo. A nota da CNBB foi obtida diretamente do site oficial da conferência episcopal. Dados sobre o perfil religioso da população brasileira são do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), censo 2022. O histórico do atentado contra Jair Bolsonaro foi confirmado por registros policiais e cobertura jornalística da época.
Por Renan Filho · 2026-09-29