**Lead**
O deputado federal Flávio Bolsonaro (PL-RJ) comparou, na noite desta segunda-feira, 28 de setembro de 2026, a disseminação de fake news envolvendo a imagem de Nossa Senhora Aparecida ao atentado a faca sofrido pelo ex-presidente Jair Bolsonaro em setembro de 2018. Durante um encontro com lideranças religiosas em São Paulo, o parlamentar afirmou que a desinformação sobre a padroeira do Brasil teria o mesmo potencial de incitar ódio e violência política que culminou na facada em Juiz de Fora (MG). A declaração ocorre a poucos dias do primeiro turno das eleições presidenciais, em um cenário de alta tensão nas redes sociais.
**Contexto**
A fala de Flávio Bolsonaro acontece em meio a uma onda de conteúdos falsos que associam a imagem de Nossa Senhora Aparecida a supostas mensagens de apoio a candidatos de esquerda. Nos últimos dias, publicações com montagens e áudios distorcidos circularam em grupos de WhatsApp e Telegram, gerando reações imediatas de lideranças católicas e evangélicas. O deputado, que busca a reeleição, usou o episódio para criticar o que chamou de “militância digital financiada” e pediu que os fiéis verifiquem a veracidade das informações antes de compartilhar.
A comparação com a facada de 2018 não é inédita no discurso bolsonarista. O ex-presidente Jair Bolsonaro, que sofreu o atentado durante um ato de campanha em Juiz de Fora, já havia citado o episódio em diversas ocasiões para justificar medidas de endurecimento contra notícias falsas. No entanto, a associação direta entre a desinformação religiosa e a agressão física sofrida por Bolsonaro amplia o tom de confronto em um momento delicado do calendário eleitoral. Especialistas em comunicação política ouvidos pelo FORTIS NEWS destacam que a estratégia de equiparar ataques virtuais a violência real pode ter efeitos imprevisíveis sobre o eleitorado religioso.
A escolha do palco também chama atenção. O evento, realizado na Assembleia de Deus Ministério do Belém, em São Paulo, reuniu pastores, bispos e fiéis de diversas denominações. Flávio Bolsonaro discursou ao lado do candidato a governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) e do pastor Silas Malafaia, um dos principais articuladores da campanha bolsonarista no meio evangélico. A presença de lideranças religiosas reforça a leitura de que a pauta de costumes segue como principal vetor de mobilização da base conservadora nas eleições de 2026.
**Análise**
A declaração de Flávio Bolsonaro sinaliza uma escalada retórica que pode redefinir o confronto político nas redes sociais nas próximas semanas. Ao comparar fake news sobre a padroeira do Brasil a um atentado que quase tirou a vida do ex-presidente, o deputado busca capitalizar politicamente sobre o sentimento de perseguição que permeia parte do eleitorado bolsonarista. A tática, contudo, carrega riscos: a associação entre desinformação e violência física pode legitimar discursos de ódio e até mesmo incitar novos ataques contra adversários, especialmente em um ambiente já polarizado.
Para analistas de políticas públicas, a fala também evidencia a dificuldade de se estabelecer um debate racional sobre regulação de plataformas digitais no Brasil. Enquanto setores do Congresso defendem a criminalização das fake news, outros argumentam que a liberdade de expressão deve ser preservada a qualquer custo. A comparação feita pelo deputado, no entanto, inverte o sinal da discussão: em vez de punir quem espalha desinformação, ela transfere o ônus para a vítima, que seria alvo de uma suposta campanha orquestrada para desestabilizar o campo conservador. Esse enquadramento, se amplificado, pode esvaziar iniciativas de combate à desinformação em um momento crítico do processo eleitoral.
**Fontes**
As informações foram obtidas a partir de discurso público do deputado federal Flávio Bolsonaro (PL-RJ) durante evento com lideranças religiosas em São Paulo, com transmissão ao vivo pelas redes sociais do parlamentar. Dados sobre a circulação de fake news foram coletados de relatórios de agências de checagem como Lupa e Aos Fatos, que monitoram conteúdos virais no WhatsApp e Telegram. A referência ao atentado de 2018 baseia-se em registros oficiais da Polícia Federal e em cobertura amplamente divulgada pela imprensa nacional na época. Não foram utilizadas informações de fontes anônimas ou não verificadas.
Por Renan Filho · 2026-09-29