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O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) abriu uma nova frente de confronto político ao atacar publicamente a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB). Para o sociólogo Rodrigo Toniol, pesquisador da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e especialista em religião e política, a estratégia representa um risco eleitoral significativo. Ao criticar a entidade que reúne a liderança da Igreja Católica no país, Flávio estaria abrindo mão de disputar o voto do católico indeciso – um contingente decisivo em pleitos recentes. A avaliação foi publicada em artigo de opinião e repercutiu entre analistas políticos.
**Contexto**
A CNBB sempre teve um papel ativo em debates sociais e políticos no Brasil, posicionando-se em temas como reforma agrária, direitos humanos e desigualdade. Durante o governo de Jair Bolsonaro, a relação entre o Planalto e a cúpula católica foi marcada por tensões, especialmente após declarações do ex-presidente contra o então presidente da CNBB, dom Walmor Oliveira de Azevedo. Agora, Flávio Bolsonaro, que busca consolidar sua própria imagem política para uma eventual candidatura majoritária, escolheu retomar as críticas à instituição, desta vez em tom mais duro.
Rodrigo Toniol, em sua análise, contextualiza que a CNBB não representa a totalidade dos católicos brasileiros, mas possui forte influência entre as lideranças pastorais e comunidades de base. O sociólogo ressalta que, historicamente, a entidade é vista com reservas por setores conservadores, mas ainda conserva capilaridade entre fiéis que frequentam missas e participam de movimentos paroquiais. Para Toniol, atacar a CNBB de forma genérica pode soar como um desrespeito à própria fé católica para uma parcela significativa dos fiéis, especialmente aqueles mais ligados à hierarquia eclesial.
O eleitor católico indeciso é alvo central das campanhas de centro e centro-direita. Pesquisas qualitativas indicam que esse grupo valoriza a estabilidade institucional e rejeita discursos agressivos contra instituições religiosas tradicionais. Flávio Bolsonaro, ao se posicionar contra a CNBB, corre o risco de associar sua imagem a um radicalismo que afugenta justamente o perfil moderado que ele busca conquistar para ampliar seu eleitorado além da base bolsonarista.
**Análise**
A decisão de Flávio Bolsonaro de intensificar o discurso anticlerical contra a CNBB precisa ser compreendida no contexto das disputas internas da direita brasileira. O senador tenta se diferenciar de outros pré-candidatos que também miram o eleitor conservador, como o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, e o próprio ex-presidente Jair Bolsonaro, que permanece inelegível. Ao atacar a CNBB, Flávio busca reforçar seu capital político junto a evangélicos e católicos mais radicais, mas, segundo Toniol, paga o preço de desagradar os católicos de centro.
O pesquisador da Unicamp destaca que o Brasil vive um processo de dessecularização do debate público, e a religião continua sendo um dos principais fatores de identificação partidária. Nesse cenário, a CNBB ainda exerce poder simbólico capaz de influenciar a percepção ética de candidatos. Flávio Bolsonaro, ao criticar a entidade sem nuances, pode consolidar uma imagem de político que desrespeita a autoridade moral da Igreja, mesmo que parte do clero também seja crítica à CNBB. O resultado, na avaliação de Toniol, é um estreitamento perigoso da base eleitoral.
A análise levanta ainda a questão do timing. Com as eleições de 2026 se aproximando, o senador fluminense precisaria ampliar seu diálogo com setores moderados para ter chance em um segundo turno, caso se candidate ao Executivo. Jogar contra a CNBB neste momento é interpretado por analistas como um movimento de curto prazo que pode render apoio imediato de bolsonaristas, mas que fecha portas para o eleitor católico que ainda não decidiu. Para Toniol, a estratégia é contraditória com a ambição de disputar o eleitorado nacional.
**Fontes**
A análise apresentada baseia-se no artigo de opinião publicado por Rodrigo Toniol, sociólogo e pesquisador da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), especializado em religiões, consumo e política. As informações contextuais sobre a relação entre a CNBB e o governo Bolsonaro foram extraídas de reportagens veiculadas por veículos como O Globo e Folha de S.Paulo, além de comunicados oficiais da própria CNBB. Nenhuma declaração direta adicional foi atribuída a fontes não verificadas.
Por Renan Filho · 2026-09-28