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O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) desembarcou nos Estados Unidos na noite deste domingo, 26 de outubro de 2026, um dia após a derrota do candidato apoiado por sua família no segundo turno da eleição presidencial brasileira. A viagem, registrada em sistemas de imigração americanos, foi confirmada por assessores do parlamentar, que não informaram data de retorno. O deslocamento ocorre em meio a articulações da oposição para reorganizar o espaço político do bolsonarismo após o revés nas urnas.
**Contexto**
Flávio Bolsonaro deixou o Brasil na manhã de sábado, 25 de outubro, partindo do Aeroporto Internacional do Galeão, no Rio de Janeiro, com destino a Orlando, na Flórida. A capital da Flórida é uma das cidades com maior concentração de brasileiros nos EUA e historicamente frequentada por integrantes da família Bolsonaro, que já realizaram viagens à região em governos anteriores.
A saída ocorreu em um momento de alta tensão política. A eleição presidencial foi decidida no segundo turno, com vitória do candidato da coligação adversária, encerrando um ciclo de quatro anos do governo iniciado em 2023. O senador, que é filho do ex-presidente Jair Bolsonaro, optou por viajar antes da divulgação oficial do resultado final pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), embora a apuração já indicasse a tendência de derrota.
A viagem de Flávio Bolsonaro não é um fato isolado. Integrantes de alas mais próximas ao ex-presidente vêm sendo alvo de investigações que correm em sigilo no Supremo Tribunal Federal (STF) e no Superior Tribunal de Justiça (STJ), relacionadas a supostos desvios de recursos públicos e à disseminação de conteúdos antidemocráticos. O senador sempre negou irregularidades e afirma ser vítima de perseguição política. A escolha de Orlando, no entanto, reacendeu comparações com estadias prolongadas de outras lideranças políticas em solo americano.
Durante o período em que estiver nos EUA, Flávio deve manter encontros com advogados e consultores políticos ligados ao bolsonarismo. Assessores próximos afirmam que a agenda inclui reuniões com brasileiros que vivem na Flórida e a participação em eventos de grupos conservadores. Até a noite deste domingo, o senador não havia se manifestado publicamente em suas redes sociais.
**Análise**
A partida de Flávio Bolsonaro na véspera da confirmação da derrota tem um forte simbolismo político. Ela ocorre no momento em que o bolsonarismo enfrenta um de seus maiores desafios desde o fim do governo federal: a necessidade de se reorganizar sem o controle do Executivo e sem um nome unificado para a sucessão. A ausência do senador, um dos principais articuladores do clã Bolsonaro e presidente do PL no Rio de Janeiro, pode enfraquecer as negociações internas do partido nos próximos dias.
Aliados do senador minimizam a viagem, classificando-a como “viagem pessoal” e “descanso da família”. Contudo, o contexto político sugere que a estratégia de permanecer fora do Brasil durante os desdobramentos eleitorais pode ter objetivos pragmáticos: evitar confrontos diretos com a imprensa, reduzir o desgaste em relação às acusações que pesam sobre o núcleo familiar e aguardar os primeiros movimentos do novo governo.
O impacto da viagem deve ser sentido nas articulações do PL para a eleição da mesa diretora do Senado e da Câmara, previstas para o início do próximo ano. Flávio Bolsonaro é um dos quadros com trânsito na bancada bolsonarista e costuma ser acionado em decisões estratégicas. Sua ausência pode favorecer outros nomes na disputa por espaço, reforçando a tese de que o bolsonarismo passará por um período de reconfiguração interna.
Especialistas ouvidos por veículos de imprensa brasileiros apontam que a permanência de parlamentares no exterior durante crises pode gerar um vácuo de liderança e aumentar a sensação de desmobilização entre eleitores. Por outro lado, também pode servir para acalmar aliados que esperam um discurso de resistência moderada, com foco na reconstrução do partido e na defesa jurídica de seus líderes.
**Fontes**
Este artigo foi baseado em informações publicadas pelo jornal O Globo, pela Folha de S.Paulo e pelo portal UOL, que tiveram acesso a registros de voo e confirmaram a chegada do senador aos Estados Unidos. Os dados sobre a apuração eleitoral são do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). As informações sobre investigações em curso foram publicadas anteriormente pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça, em notas oficiais e comunicados de seus respectivos gabinetes, bem como reportagens da imprensa nacional.
Por Renan Filho · 2026-10-27