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A especulação sobre uma possível candidatura de Flávio Bolsonaro ao Palácio do Planalto tem reacendido o interesse público sobre sua trajetória política. Antes de qualquer movimento rumo à Presidência, o filho mais velho do ex-presidente Jair Bolsonaro construiu uma carreira que começou nos anos 2000 e passou pelos três níveis do Legislativo: estadual, federal e federal com assento no Senado. Entender os cargos que ocupou é essencial para avaliar sua experiência e as controvérsias que o acompanham.
**Contexto**
Flávio Bolsonaro iniciou a vida pública em 2002, quando foi eleito deputado estadual do Rio de Janeiro pelo então PPB (Partido Progressista Brasileiro). Assumiu o mandato em 2003 e permaneceu na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) por três mandatos consecutivos, até 2015. Durante esse período, destacou-se por atuações ligadas a pautas de segurança pública e, também, por envolver-se em debates que viriam a repercutir nacionalmente, como a defesa de posições conservadoras.
Em 2014, foi eleito deputado federal pelo Rio de Janeiro, tomando posse na Câmara dos Deputados em 2015. No cargo, integrou comissões e participou de votações importantes, mas seu nome ganhou visibilidade nacional especialmente a partir das investigações que atingiram seu ex-assessor Fabrício Queiroz, apontado como operador de um suposto esquema de “rachadinha” na Alerj. Ainda como deputado federal, Flávio buscou blindar seu pai de processos na Câmara e atuou na articulação política do governo Temer.
Em 2018, foi eleito senador da República pelo Rio de Janeiro, com a maior votação no estado para o cargo naquele pleito. Tomou posse em 2019 e, desde então, exerce o mandato no Senado Federal. Durante o governo de seu pai, Flávio foi uma das vozes mais próximas a Jair Bolsonaro, atuando como uma espécie de conselheiro e articulador político. Também enfrentou questionamentos judiciais, como o caso das rachadinhas, que teve desdobramentos no Conselho de Ética do Senado e no Supremo Tribunal Federal (STF).
Além dos cargos eletivos, Flávio Bolsonaro nunca exerceu funções no Executivo, nem em secretarias ou ministérios. Sua experiência se restringe ao Legislativo, o que é comum para candidatos ao Planalto — mas também levanta debates sobre a necessidade de vivência administrativa para gerir o país.
**Análise**
A carreira de Flávio Bolsonaro até aqui revela um político que amadureceu dentro das instituições legislativas, mas que carrega um histórico de investigações que podem pesar em uma eventual campanha presidencial. Seu nome surge como alternativa ao eleitorado bolsonarista, especialmente após a inelegibilidade de Jair Bolsonaro e as incertezas sobre o futuro político do clã. No entanto, a ausência de experiência em gestão executiva — seja em prefeituras, governos estaduais ou ministérios — pode ser usada por adversários para questionar sua capacidade de administrar a máquina pública federal.
Por outro lado, o fato de ter ocupado por mais de duas décadas cargos no Legislativo lhe confere conhecimento do funcionamento do Congresso e das relações de poder em Brasília. Para muitos analistas, essa vivência é um ativo importante para quem pretende governar em um sistema de coalizão. Resta saber se o eleitorado preferirá um nome com perfil mais administrativo ou um representante da continuidade do bolsonarismo.
**Fontes**
As informações sobre os cargos ocupados por Flávio Bolsonaro são de conhecimento público e amplamente registradas nos sites oficiais da Câmara dos Deputados, do Senado Federal e da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro. Reportagens de veículos como Folha de S.Paulo, O Globo e UOL também documentam sua trajetória política.
Por Renan Filho · 2026-10-22