**Lead**
O senador Flavio Bolsonaro (PL-RJ) afirmou, em publicação nas redes sociais, que levou canjica com leite condensado ao ex-presidente Jair Bolsonaro durante a estadia mais recente dele no Brasil. A declaração, feita em tom descontraído, repercutiu entre apoiadores e virou assunto nas redes sociais, sendo interpretada como um gesto de afeto familiar em meio ao conturbado cenário político brasileiro.
**Contexto**
A informação foi divulgada pelo próprio senador, que não detalhou a data exata ou o local do encontro. A canjica é um prato típico das festas juninas brasileiras, feito à base de milho branco, leite, açúcar e, frequentemente, leite condensado. A receita varia de região para região, mas a versão com leite condensado é uma das mais populares no país, especialmente no Sudeste e no Nordeste.
A declaração de Flavio ocorre em um momento em que o ex-presidente Jair Bolsonaro enfrenta uma série de investigações no Supremo Tribunal Federal (STF), incluindo inquéritos que apuram suposta tentativa de golpe de Estado após as eleições de 2022. Bolsonaro, que permanece inelegível até 2030 por decisão do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), tem buscado manter a base de apoiadores mobilizada enquanto sua situação jurídica segue indefinida.
A relação entre Flavio e o pai sempre foi marcada por proximidade política e pessoal. O senador, que atualmente é o presidente do PL no Rio de Janeiro, é um dos principais aliados do clã Bolsonaro e frequentemente atua como porta-voz oficioso da família em temas polêmicos. A menção à canjica, no entanto, chama atenção justamente por fugir do tom beligerante que costuma marcar as manifestações públicas da família.
Nas redes sociais, a publicação gerou reações mistas. Apoiadores enalteceram o que consideraram uma demonstração de humanidade do ex-presidente, enquanto críticos questionaram a pertinência da declaração em um momento de graves acusações contra o patriarca da família. Também houve quem ironizasse o episódio, transformando a canjica em meme.
**Analise**
A declaração de Flavio Bolsonaro pode ser interpretada como uma tentativa de humanizar a imagem do ex-presidente em um período de alta tensão política. Ao apresentar Bolsonaro como alguém que aprecia uma sobremesa típica da cultura popular brasileira, o senador busca reforçar a narrativa de que o ex-mandatário é uma pessoa comum, distante da imagem de radicalismo que os adversários tentam construir.
O episódio também evidencia a estratégia da família Bolsonaro de usar as redes sociais para pautar o debate público com temas do cotidiano, desviando a atenção dos desdobramentos judiciais. A tática não é nova: desde o início das investigações, aliados do ex-presidente têm alternado ataques ao STF com publicações de caráter pessoal ou religioso, na tentativa de manter o eleitorado engajado sem aprofundar o confronto direto com o Judiciário.
Por outro lado, a repercussão do caso mostra como a polarização política brasileira transforma até mesmo a menção a um prato típico em campo de batalha simbólica. A canjica, que deveria ser apenas um doce das festas juninas, tornou-se mais um elemento de disputa narrativa, com cada lado do espectro político buscando extrair significados favoráveis às suas posições.
Para o observador atento, o episódio revela menos sobre a preferência gastronômica do ex-presidente e mais sobre o momento delicado que a direita brasileira atravessa. Em um cenário em que a principal liderança da oposição está inelegível e sob investigação, a família Bolsonaro tenta construir pontes afetivas com o eleitorado, apostando em gestos simbólicos de proximidade e afeto como forma de preservar sua influência política.
**Fontes**
As informações contidas nesta reportagem foram obtidas a partir de publicações do senador Flavio Bolsonaro em suas redes sociais oficiais, que foram amplamente reproduzidas por veículos de imprensa e comentaristas políticos. Não houve confirmação independente, pela redação do FORTIS NEWS, sobre o episódio relatado, que permanece como declaração do parlamentar. A reportagem não teve acesso a imagens, vídeos ou testemunhas do encontro mencionado.
Por Renan Filho · 2026-10-13