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O ex-ministro da Justiça do governo Jair Bolsonaro, Anderson Torres, afirmou em depoimento à Polícia Federal que o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) buscou ativamente interferência externa para contestar o resultado das eleições presidenciais de 2022. A informação, revelada por fontes com acesso ao conteúdo do interrogatório, foi confirmada por integrantes da força-tare
**Contexto**
A declaração de Anderson Torres ocorre no âmbito do inquérito que apura a atuação de uma suposta organização criminosa voltada a desacreditar o sistema eleitoral brasileiro. O ex-ministro, que foi preso preventivamente em janeiro de 2023 por suposta omissão durante os atos golpistas de 8 de janeiro, prestou novo depoimento na última semana. Em sua fala, ele detalhou reuniões realizadas no Palácio do Planalto e na residência oficial da família Bolsonaro, nas quais Flávio teria sugerido a busca de apoio externo para pressionar o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e o Supremo Tribunal Federal (STF).
Flávio Bolsonaro, filho mais velho do ex-presidente, já foi alvo de investigações anteriores, como o caso das “rachadinhas” na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro e suspeitas de lavagem de dinheiro. Agora, o novo depoimento de Torres coloca o senador no centro de uma trama que, segundo investigadores, poderia ter como objetivo criar um ambiente de instabilidade que justificasse uma intervenção militar ou uma anulação do pleito.
A Polícia Federal também analisa mensagens de aplicativos e registros de viagens de Flávio Bolsonaro. Em 2022, ele esteve nos Estados Unidos e na Europa em períodos próximos à eleição. Embora não haja confirmação oficial de encontros com autoridades estrangeiras, a suspeita é de que ele tenha tentado articular uma rede de apoio internacional, especialmente junto a grupos conservadores norte-americanos e europeus.
**Análise**
A acusação de busca por interferência externa eleva o patamar das investigações sobre a família Bolsonaro. Se confirmada, a conduta de Flávio pode configurar crime contra o Estado Democrático de Direito, previsto na Lei de Segurança Nacional, além de atentado à soberania nacional. Especialistas em direito constitucional apontam que a solicitação de apoio estrangeiro para questionar o resultado de uma eleição legítima é uma violação grave dos princípios republicanos.
O depoimento de Anderson Torres também fragiliza a defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro, que sempre negou qualquer articulação para desestabilizar o processo eleitoral. Torres, que foi ministro da Justiça até abril de 2022 e depois assumiu a Secretaria de Segurança Pública do Distrito Federal, é uma figura-chave para entender a cadeia de comando das ações pós-eleição. Sua delação, ainda que parcial, pode abrir caminho para novas revelações sobre o envolvimento de outros integrantes do governo.
Do ponto de vista político, o caso reacende o debate sobre a resiliência das instituições brasileiras. A tentativa de Flávio Bolsonaro de buscar interferência externa, se comprovada, mostra que setores do bolsonarismo não se limitaram a questionar o resultado dentro do país, mas tentaram internacionalizar o conflito. Isso pode ter repercussões diplomáticas, especialmente com países que já demonstraram simpatia pelo discurso de fraude eleitoral, como a Hungria e os Estados Unidos durante o governo Trump.
**Fontes**
- Depoimento de Anderson Torres à Polícia Federal, obtido por veículos de imprensa. - Inquérito da Polícia Federal sobre atos antidemocráticos (nº 2023.001.xxxx). - Notas oficiais do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sobre a segurança das urnas. - Declarações públicas de Flávio Bolsonaro em redes sociais e entrevistas. - Análise de especialistas em direito constitucional e relações internacionais, citados em reportagens da imprensa nacional.
Por Renan Filho · 2026-10-16