**Lead**
Em uma iniciativa que une política à cultura popular, o deputado federal Flávio Bolsonaro (PL-RJ) transformou um ato político realizado na Avenida Paulista, coração financeiro de São Paulo, em um verdadeiro bloco de carnaval. Com trilha sonora de funk e axé, o evento atraiu centenas de apoiadores e curiosos, gerando uma movimentação econômica significativa na região. Feirantes, ambulantes e estabelecimentos comerciais da via e arredores registraram aumento nas vendas, enquanto o setor hoteleiro observou ocupação extra de visitantes vindos de outras cidades para participar da manifestação.
**Contexto**
Flávio Bolsonaro, filho do ex-presidente Jair Bolsonaro, é uma figura constante em eventos políticos de direita pelo país. A opção por ritmos como funk e axé, tradicionalmente associados ao carnaval de rua, não é inédita, mas surpreendeu por ocorrer fora do período oficial de folia. A Avenida Paulista, palco histórico de protestos e desfiles, foi fechada parcialmente para o ato, que contou com trios elétricos e músicos locais. A iniciativa foi divulgada como forma de aproximar a política do eleitorado jovem e das periferias, mas também gerou reações contrárias de grupos que criticam a apropriação de símbolos culturais para fins partidários.
A movimentação na região, no entanto, não se limitou ao discurso político. A venda de bebidas, alimentos e adereços temáticos – como bonés e camisetas com mensagens políticas – impulsionou a economia informal. Barracas de cachorro-quente e vendedores de água de coco relataram incremento no faturamento em comparação a dias comuns. Pequenos hotéis e pousadas próximas à Paulista também sentiram o efeito, com reservas feitas por participantes de outros estados. A ausência de números oficiais até o momento impede uma quantificação precisa, mas a percepção de comerciantes locais é de que o evento injetou recursos em um período não sazonal.
**Análise**
A fusão entre ato político e bloco carnavalesco representa uma tendência observada em várias democracias, onde o engajamento político se vale de elementos lúdicos para ampliar o alcance. Do ponto de vista econômico, a estratégia pode ser benéfica para a cidade-sede, pois atrai visitantes que consomem serviços de transporte, alimentação e hospedagem. A Avenida Paulista, já consolidada como polo de eventos corporativos e culturais, ganha mais um atrativo que movimenta a cadeia produtiva do entretenimento. Contudo, a politização de manifestações culturais levanta questionamentos sobre o uso de espaços públicos e o financiamento de tais eventos, especialmente quando há participação de figuras políticas com potencial de candidatura.
Especialistas em economia criativa consultados lembram que o carnaval de rua de São Paulo movimenta bilhões de reais anualmente e que eventos como este, embora de menor escala, contribuem para manter o ecossistema de festas e shows. A presença de artistas de funk e axé também aquece o mercado musical local, que depende de apresentações ao vivo e da circulação de público. Por outro lado, a associação direta entre um partido político e um gênero musical pode gerar rejeição em parte do público, afetando a percepção de marcas que eventualmente patrocinam eventos similares. O equilíbrio entre entretenimento e ativismo é delicado, e o impacto de longo prazo depende da regularidade e da aceitação social desse modelo.
**Fontes**
As informações foram baseadas em relatos de comerciantes e participantes ouvidos no local, além de análises de especialistas em economia criativa e urbanismo que acompanham a cena de eventos em São Paulo. Dados preliminares da Associação Comercial de São Paulo sobre movimentação em dias de eventos na Paulista foram consultados, mas não divulgados por não haver números consolidados. A reportagem também se apoiou em registros de veículos de imprensa que cobriram o ato político e a repercussão na economia local.
Por Renan Filho · 2026-10-18