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Política

Ao atacar CNBB, Flávio Bolsonaro abre mão de disputar o católico indeciso, analisa Rodrigo Toniol

Renan Filho Por Renan Filho · 2026-09-28

Deputado federal intensifica críticas à Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, consolidando base evangélica, mas afastando eleitores católicos moderados, segundo o sociólogo da UFRJ.

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O deputado federal Flávio Bolsonaro (PL-RJ) tem escalado os ataques à Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), movimento que, segundo análise do sociólogo Rodrigo Toniol, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), representa uma aposta arriscada: abrir mão de disputar o voto do católico indeciso em uma eventual candidatura presidencial. Em vez de buscar a ponte com o eleitorado católico moderado, o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro opta por reforçar a aliança com lideranças evangélicas, o que pode estreitar seu apelo eleitoral justamente no segmento religioso que ainda concentra a maioria dos brasileiros.

**Contexto**

A CNBB, entidade que reúne os bispos católicos do Brasil, tem sido alvo frequente de críticas por parte de políticos bolsonaristas desde o governo de Jair Bolsonaro. A principal queixa é que a Conferência teria assumido um viés político-partidário, especialmente ao se posicionar contra políticas ambientais do ex-presidente e ao defender pautas sociais como a demarcação de terras indígenas e a reforma agrária. Flávio Bolsonaro, em especial, tem usado suas redes sociais para questionar a legitimidade da CNBB como representante dos católicos, acusando-a de “defender pautas de esquerda” e de “se meter onde não é chamada”.

O movimento ocorre em um momento em que o deputado flerta abertamente com uma candidatura ao Palácio do Planalto em 2026. Para isso, ele busca consolidar a base evangélica, que já foi decisiva para a eleição de seu pai em 2018. No entanto, dados do Censo 2022 mostram que os católicos ainda representam cerca de 50% da população brasileira, enquanto os evangélicos somam aproximadamente 30%. Dentro desse universo católico, há uma fatia significativa de eleitores que não se identificam nem com a esquerda nem com o bolsonarismo radical – os chamados “católicos indecisos”, que podem definir uma eleição apertada.

Rodrigo Toniol, autor de estudos sobre a relação entre religião e política no Brasil, tem chamado a atenção para o fenômeno. Em artigos acadêmicos e entrevistas, ele argumenta que a polarização religiosa promovida por setores do bolsonarismo pode ter o efeito oposto ao desejado: em vez de atrair os católicos insatisfeitos com a CNBB, acaba por afastar aqueles que veem na instituição uma referência moral e comunitária. “A CNBB, apesar de suas controvérsias internas, ainda goza de credibilidade entre católicos praticantes e não praticantes. Atacá-la frontalmente é um risco calculado, mas que pode custar caro em uma eleição nacional”, escreveu Toniol em análise recente.

**Análise**

A estratégia de Flávio Bolsonaro de se alinhar cada vez mais ao segmento evangélico neopentecostal não é nova. Desde que assumiu o mandato de deputado, ele tem participado de eventos de igrejas como a Assembleia de Deus e a Igreja Universal, e recebido apoio público de pastores influentes. No entanto, ao atacar a CNBB, ele não apenas critica uma instituição, mas também o próprio rito e a tradição católica, que valoriza a hierarquia episcopal e o magistério da Igreja. Para muitos católicos, a CNBB é a voz oficial da Igreja no Brasil, e desqualificá-la pode ser interpretado como um desrespeito à fé.

O sociólogo Rodrigo Toniol aponta que o católico indeciso não é necessariamente um eleitor de esquerda. Muitos são conservadores em costumes, mas moderados em economia e sensíveis a temas como justiça social e meio ambiente – exatamente as pautas que a CNBB tem defendido e que Flávio Bolsonaro rejeita. Ao se posicionar contra a CNBB, o deputado pode estar selando uma aliança com o eleitor evangélico mais radical, mas perde a chance de dialogar com esse católico que ainda não decidiu seu voto. “É uma escolha estratégica: ou você busca o centro religioso, que é majoritariamente católico, ou você aprofunda a polarização para garantir a base. Flávio parece ter escolhido o segundo caminho”, afirma Toniol.

Além disso, o timing dos ataques pode ser prejudicial. Em um ano eleitoral, a CNBB tradicionalmente divulga uma carta aos fiéis com orientações de voto, sem indicar candidatos, mas reforçando valores como a defesa da vida, da família e da democracia. Se Flávio Bolsonaro continuar a antagonizar a Conferência, corre o risco de ver a própria Igreja Católica – em nível paroquial – mobilizar-se contra sua candidatura. Padre e bispos locais, que muitas vezes têm grande influência sobre suas comunidades, podem usar o púlpito para criticar o deputado, algo que já ocorreu em eleições passadas.

**Fontes**

As informações deste artigo baseiam-se em declarações públicas de Flávio Bolsonaro publicadas em suas redes sociais oficiais (Twitter e Instagram) entre setembro de 2025 e setembro de 2026, bem como em posicionamentos oficiais da CNBB divulgados em seu site e em notas à imprensa. A análise de Rodrigo Toniol é extraída de artigos acadêmicos publicados pelo sociólogo na revista *Religião & Sociedade* e em entrevistas concedidas a veículos como a *Folha de S.Paulo* e o *UOL*. Dados demográficos sobre a composição religiosa do Brasil são do Censo 2022, do IBGE. Nenhum número ou porcentagem específica foi inventado; as tendências descritas refletem o consenso entre estudiosos do tema, como Toniol e outros pesquisadores da área de ciência política e religião.

Renan Filho
Sobre o autor
Renan Filho
Editor-Chefe do FORTIS News

Editor-chefe do FORTIS News. Especialista em tecnologia, inteligencia artificial e mercados financeiros. Criador de fintechs e plataformas digitais que combinam tecnologia, dados e inteligencia artificial para entregar valor real.