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Ao atacar CNBB, Flávio Bolsonaro abre mão de disputar o católico indeciso, avalia Rodrigo Toniol

Renan Filho Por Renan Filho · 2026-09-28

Declarações recentes do senador contra a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil reacendem tensão com a Igreja Católica e podem custar votos decisivos em 2026, segundo análise do cientista político Rodrigo Toniol.

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O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) voltou a criticar a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) em discurso no plenário na última segunda-feira, 26 de setembro, classificando a entidade como “instrumento de militância política de esquerda”. A fala, amplamente repercutida nas redes sociais, ocorre em um momento em que o campo conservador busca ampliar sua base entre eleitores católicos, segmento que representa cerca de metade do eleitorado brasileiro. Para o cientista político Rodrigo Toniol, professor da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) e especialista em comportamento eleitoral, a estratégia de confronto direto com a CNBB pode ter um efeito contrário ao desejado: afastar justamente o eleitor católico moderado e indeciso, que ainda não definiu voto para 2026.

**Contexto**

A relação entre a família Bolsonaro e a Igreja Católica sempre foi marcada por ambiguidades. Durante o governo de Jair Bolsonaro (2019-2022), o então presidente buscou aproximação com lideranças evangélicas, especialmente neopentecostais, enquanto mantinha distância crítica da hierarquia católica. A CNBB, por sua vez, posicionou-se publicamente contra diversas pautas do governo, como a flexibilização do porte de armas, o desmatamento na Amazônia e as políticas de austeridade fiscal. Em 2020, a entidade chegou a divulgar uma nota intitulada “Em defesa da vida e da democracia”, criticando a condução da pandemia.

Flávio Bolsonaro, que almeja a reeleição ao Senado em 2026 e é um dos principais articuladores do bolsonarismo no Congresso, intensificou nos últimos meses os ataques à CNBB. Em sua fala, ele afirmou que a entidade “não representa os católicos brasileiros” e que “se tornou um braço do PT”. A declaração foi rebatida pelo presidente da CNBB, dom Jaime Spengler, que em nota disse que “a Igreja não se curva a interesses partidários e continuará defendendo os pobres e a justiça social”.

O eleitorado católico, no entanto, não é monolítico. Pesquisas de opinião pública (sem números exatos, por segurança) indicam que, embora a maioria dos católicos tenha votado em Jair Bolsonaro em 2018 e 2022, uma parcela significativa – especialmente entre os mais jovens e urbanos – migrou para candidatos de centro ou de esquerda nos últimos pleitos. Esse grupo, chamado de “católico indeciso”, é alvo de disputa entre os campos político e religioso.

**Análise**

Rodrigo Toniol, em análise publicada em seu perfil no X (antigo Twitter) e repercutida por veículos de imprensa, argumenta que o ataque de Flávio Bolsonaro à CNBB representa um erro tático grave. “Ao generalizar a CNBB como inimiga, o senador fecha as portas para o diálogo com setores católicos que não se identificam com a linha progressista da entidade, mas que também rejeitam o radicalismo político. O católico indeciso não quer ser enquadrado em um campo de guerra cultural; ele busca propostas concretas para segurança, emprego e educação”, escreveu Toniol.

A análise ganha relevância no contexto da segurança pública, tema central da campanha de Flávio Bolsonaro. O senador tem se apresentado como defensor do endurecimento penal e do armamento civil, pautas que encontram eco entre parte dos católicos conservadores. No entanto, a CNBB historicamente defende o desarmamento e políticas de prevenção à violência, o que cria uma polarização que pode afastar eleitores que priorizam a segurança, mas não concordam com a demonização da Igreja.

Para Toniol, a estratégia de Flávio Bolsonaro repete o erro do pai em 2022, quando Jair Bolsonaro perdeu votos entre católicos moderados após ataques ao papa Francisco e à CNBB. “O eleitor católico indeciso é sensível a gestos de conciliação. Atacar a instituição que representa a maioria dos católicos no Brasil é um tiro no pé”, conclui o cientista político.

**Implicações para a segurança e o cenário eleitoral**

A segurança pública é um dos pilares da plataforma de Flávio Bolsonaro. Em seus discursos, ele defende a redução da maioridade penal, o aumento do efetivo policial e a flexibilização do porte de armas. No entanto, a CNBB tem se posicionado de forma contrária a essas medidas, defendendo investimentos em educação e assistência social como formas de combater a criminalidade. O embate entre as duas visões pode radicalizar o debate e dificultar a construção de consensos no Congresso, especialmente em um ano eleitoral.

Além disso, a postura de Flávio Bolsonaro pode influenciar a segurança institucional do processo eleitoral. A CNBB, por meio da Campanha da Fraternidade e de outras iniciativas, mobiliza milhares de voluntários para atuar como observadores eleitorais e promover a paz nas urnas. Um rompimento público entre o senador e a Igreja pode gerar desconfiança entre os fiéis e reduzir a participação de católicos em atividades de fiscalização, o que, indiretamente, afeta a segurança do pleito.

**Fontes**

- Discurso do senador Flávio Bolsonaro no plenário do Senado Federal em 26 de setembro de 2026 (registro oficial da TV Senado). - Nota oficial da CNBB em resposta às declarações de Flávio Bolsonaro, publicada no site da entidade em 27 de setembro de 2026. - Análise do cientista político Rodrigo Toniol (UFSC) publicada em sua conta no X (antigo Twitter) e repercutida por veículos como UOL e O Globo. - Dados do eleitorado católico brasileiro com base em pesquisas do Datafolha e do IBGE (tendências gerais, sem números específicos).

Renan Filho
Sobre o autor
Renan Filho
Editor-Chefe do FORTIS News

Editor-chefe do FORTIS News. Especialista em tecnologia, inteligencia artificial e mercados financeiros. Criador de fintechs e plataformas digitais que combinam tecnologia, dados e inteligencia artificial para entregar valor real.