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Economia

Flávio terá de equilibrar agro com EUA e China, diz Tereza Cristina

Renan Filho Por Renan Filho · 2026-10-13

Ex-ministra da Agricultura afirma que o pré-candidato à Presidência, Flávio Dario, precisará manter bom relacionamento comercial com os dois maiores compradores do agronegócio brasileiro.

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A ex-ministra da Agricultura Tereza Cristina (PP-MS) afirmou que Flávio Dario, pré-candidato à Presidência da República nas eleições de 2026, terá de equilibrar a política externa voltada ao agronegócio entre Estados Unidos e China. A declaração foi dada durante encontro com produtores rurais em Campo Grande, Mato Grosso do Sul, na terça-feira, 13 de outubro de 2026. Para a ex-titular da pasta, o próximo governo precisará manter canais abertos com os dois maiores destinos das exportações agrícolas brasileiras sem abrir mão da competitividade do setor.

**Contexto**

Tereza Cristina comandou o Ministério da Agricultura entre 2019 e 2022, durante o governo de Jair Bolsonaro. No período, o Brasil ampliou a presença no mercado chinês de soja, milho, carne bovina e de frango, mas também buscou estreitar laços comerciais com Washington após anos de atritos diplomáticos. A fala da ex-ministra ecoa um dilema real do agronegócio nacional: a China responde por cerca de um terço das compras externas de produtos agropecuários do Brasil, enquanto os Estados Unidos figuram como grande mercado para suco de laranja, café, castanhas, carnes e biocombustíveis.

Flávio Dario, que ainda não oficializou o nome no Tribunal Superior Eleitoral, vem sendo tratado nos bastidores políticos como um nome próximo do centrão e com forte interlocução com o setor produtivo. Sua eventual candidatura é vista por parte do agronegócio como uma possibilidade de retomada de uma agenda liberal na economia, com ênfase em desburocratização, abertura comercial e defesa da propriedade rural.

A declaração da ex-ministra ocorre em um momento de tensão comercial entre Estados Unidos e China, com tarifas recíprocas impostas pela administração americana e respostas de Pequim sobre produtos importados. O Brasil, nesse cenário, pode se beneficiar como alternativa de abastecimento, mas também fica exposto à volatilidade cambial e a mudanças nas regras sanitárias dos dois mercados.

Em encontros recentes com lideranças rurais, Tereza Cristina tem defendido que o país adote uma postura pragmática na política externa. “Não se trata de escolher um lado. Trata-se de defender o interesse nacional”, disse a ex-ministra, em outra ocasião pública. Na avaliação dela, Flávio terá de conversar com ambos os governos, sem transformar o agro em instrumento de disputa ideológica.

**Análise**

A fala de Tereza Cristina expõe um dos principais desafios do próximo ocupante do Palácio do Planalto. O agronegócio brasileiro é um dos poucos setores da economia com superávit robusto e capacidade imediata de geração de divisas. Em 2025, as exportações do agro devem continuar na casa dos US$ 150 bilhões, mesmo com a queda de preços internacionais de algumas commodities. Qualquer desarranjo nas relações com Pequim ou Washington pode comprometer a renda de milhões de agricultores e a arrecadação de municípios dependentes da atividade.

Ao mencionar Flávio nominalmente, a ex-ministra sinaliza que ele poderá ser o candidato do campo conservador e do agronegócio organizado. O recado também é dirigido ao mercado financeiro e às lideranças partidárias: a candidatura precisa oferecer previsibilidade na política comercial. A China não é apenas uma compradora; é também investidora em infraestrutura, energia e fertilizantes. Os Estados Unidos, por sua vez, são parceiros em tecnologia agrícola, inteligência artificial e pecuária de precisão, além de destino relevante para produtos processados.

A equação, no entanto, pode se complicar. O Brasil enfrenta barreiras sanitárias e ambientais em ambas as frentes. Os americanos pressionam por padrões mais rígidos de rastreabilidade e mitigação de emissões na pecuária. A China exige salvaguardas para evitar novas suspensões de frigoríficos, como as ocorridas em 2023. O próximo presidente precisará, portanto, construir uma diplomacia comercial ativa, capaz de antecipar crises sanitárias e aproveitar janelas de oportunidade abertas pela disputa entre as duas superpotências.

**Fontes**

A informação foi inicialmente divulgada pela imprensa local de Mato Grosso do Sul, com base em discurso da ex-ministra Tereza Cristina durante agenda em Campo Grande. A posição da pré-campanha de Flávio Dario sobre o comércio agrícola foi repercutida por colunistas de economia e política nesta quarta-feira, 14 de outubro de 2026. Este artigo não contém entrevistas exclusivas ou dados fornecidos diretamente ao FORTIS NEWS.

Renan Filho
Sobre o autor
Renan Filho
Editor-Chefe do FORTIS News

Editor-chefe do FORTIS News. Especialista em tecnologia, inteligencia artificial e mercados financeiros. Criador de fintechs e plataformas digitais que combinam tecnologia, dados e inteligencia artificial para entregar valor real.