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Opiniao

Gravidez após os 40: quando a FIV é a melhor saída e quais os riscos reais para a mãe e o bebê

Renan Filho Por Renan Filho · 2026-10-26

Com o adiamento da maternidade, cresce a procura por fertilização in vitro entre mulheres acima dos 40 anos no Brasil. Especialistas apontam os critérios para a indicação do tratamento e os cuidados essenciais para uma gestação segura.

**Lead**

A decisão de engravidar após os 40 anos deixou de ser exceção no Brasil. Dados do Sistema de Informações sobre Nascidos Vivos (Sinasc) mostram que, na última década, a taxa de natalidade entre mulheres de 40 a 44 anos cresceu de forma consistente, impulsionada por mudanças sociais, carreira e estabilidade financeira. Nesse cenário, a fertilização in vitro (FIV) surge como uma alternativa real, mas cercada de questionamentos: quando ela é realmente a melhor opção e quais os cuidados indispensáveis para uma gravidez saudável nessa faixa etária?

**Contexto**

A biologia reprodutiva impõe limites objetivos. A partir dos 35 anos, a reserva ovariana começa a declinar de forma acelerada; após os 40, a queda é ainda mais acentuada. A qualidade dos óvulos também se reduz, aumentando as chances de aneuploidias — alterações cromossômicas que podem levar a abortos espontâneos ou síndromes genéticas, como a Síndrome de Down. Para mulheres que desejam engravidar nessa idade, a FIV com estimulação ovariana controlada e, em muitos casos, com diagnóstico genético pré-implantacional (PGT-A), tornou-se a ferramenta mais eficaz para aumentar as taxas de sucesso.

No Brasil, a Resolução do Conselho Federal de Medicina (CFM) nº 2.320/2022 estabelece que a idade máxima para a doação de óvulos é de 35 anos, mas não há limite etário para a paciente que receberá os gametas. Isso significa que uma mulher de 45 anos pode, tecnicamente, realizar a FIV com óvulos próprios, mas as taxas de nascido vivo são baixas — estima-se que fiquem entre 5% e 10% por ciclo, dependendo da reserva ovariana. Com óvulos doados, as taxas sobem para cerca de 40% a 50% por tentativa, independentemente da idade da receptora.

A Sociedade Brasileira de Reprodução Assistida (SBRA) recomenda que, antes de iniciar o tratamento, a paciente passe por uma avaliação completa: ultrassom pélvico, dosagem do hormônio antimülleriano (HAM), contagem de folículos antrais, além de exames cardiológicos e metabólicos. A FIV não é indicada para todas as mulheres acima de 40 anos; ela é a melhor opção quando há obstrução tubária, endometriose avançada, falha na inseminação artificial ou quando o tempo para engravidar é curto e a reserva ovariana está baixa.

**Análise**

A gravidez após os 40 anos, seja natural ou por FIV, exige um acompanhamento obstétrico diferenciado. O risco de complicações como hipertensão gestacional, diabetes mellitus gestacional, pré-eclâmpsia e parto prematuro é maior nessa faixa etária. Estudos internacionais apontam que a incidência de pré-eclâmpsia em gestantes acima de 40 anos pode ser até três vezes maior do que em mulheres na faixa dos 20 anos. Por isso, o pré-natal deve incluir monitoramento frequente da pressão arterial, curva glicêmica e avaliação do crescimento fetal.

Outro ponto crítico é a saúde cardiovascular da mãe. A gestação impõe um aumento do volume sanguíneo e do débito cardíaco, o que pode sobrecarregar um coração que já apresenta alterações relacionadas à idade. A SBRA recomenda que mulheres acima de 45 anos realizem um ecocardiograma e uma avaliação com cardiologista antes de iniciar o tratamento. Em alguns casos, a FIV pode ser contraindicada se houver hipertensão pulmonar, insuficiência cardíaca ou doença arterial coronariana significativa.

A questão emocional também não pode ser ignorada. O tratamento de FIV é longo, caro e emocionalmente desgastante. No Brasil, o custo médio de um ciclo de FIV varia entre R$ 15 mil e R$ 40 mil, dependendo da clínica e dos exames complementares. O SUS oferece o procedimento em alguns centros de referência, mas a fila de espera pode ultrapassar dois anos. Para muitas mulheres, a pressão do relógio biológico se soma à ansiedade do tratamento, o que exige suporte psicológico especializado.

**Fontes**

- Sociedade Brasileira de Reprodução Assistida (SBRA) — Diretrizes para tratamento de reprodução assistida em mulheres acima de 40 anos. - Conselho Federal de Medicina (CFM) — Resolução nº 2.320/2022 sobre reprodução assistida. - Ministério da Saúde — Sistema de Informações sobre Nascidos Vivos (Sinasc), dados de natalidade por faixa etária. - Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo) — Manual de gestação de alto risco.

Renan Filho
Sobre o autor
Renan Filho
Editor-Chefe do FORTIS News

Editor-chefe do FORTIS News. Especialista em tecnologia, inteligencia artificial e mercados financeiros. Criador de fintechs e plataformas digitais que combinam tecnologia, dados e inteligencia artificial para entregar valor real.