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A proposta de extinção da escala de trabalho 6×1 — seis dias trabalhados por um de descanso —, em tramitação no Congresso Nacional, pode gerar impacto direto no bolso do consumidor brasileiro, especialmente nos preços de supermercados. Projeção da Confederação Nacional da Indústria (CNI), obtida com exclusividade pelo FORTIS NEWS, indica que, sem ganhos compensatórios de produtividade, o custo da mão de obra no setor supermercadista pode subir entre 8% e 12%, o que, repassado integralmente, elevaria a cesta básica em até 4,5%. O estudo, ainda não divulgado oficialmente, foi apresentado a parlamentares em reunião técnica na última segunda-feira, 13 de outubro, em Brasília.
**Contexto**
A escala 6×1 é predominante no comércio varejista brasileiro, especialmente em supermercados, farmácias e lojas de conveniência. Atualmente, a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) permite jornada de até 44 horas semanais, com um dia de descanso obrigatório. A Proposta de Emenda à Constituição (PEC) em discussão reduziria o limite para 36 horas semanais, mantendo o descanso semanal remunerado, o que, na prática, eliminaria a escala 6×1 e obrigaria os empregadores a contratar mais funcionários ou pagar horas extras para cobrir a mesma carga horária.
A CNI, que representa a indústria e setores correlatos, encomendou um estudo de impacto setorial ao Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e ao Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese). O levantamento, com dados de 2024 e 2025, aponta que o varejo alimentar emprega cerca de 2,3 milhões de trabalhadores formais, dos quais aproximadamente 60% estão em regime 6×1. A mudança, segundo a CNI, exigiria a contratação de ao menos 350 mil novos empregados para manter o mesmo nível de atendimento, elevando a folha de pagamento do setor em R$ 12 bilhões anuais.
**Análise**
O impacto sobre os preços dos supermercados não é automático nem linear, mas a projeção da CNI acende um alerta em um momento de inflação de alimentos já pressionada por fatores climáticos e logísticos. Em 2025, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) acumulou alta de 5,8% nos alimentos no domicílio, segundo o IBGE. Um acréscimo de até 4,5% na cesta básica, decorrente do fim da escala 6×1, representaria um choque adicional relevante para famílias de baixa renda, que comprometem cerca de 30% do orçamento com alimentação.
Especialistas em direito do trabalho ouvidos pelo FORTIS NEWS divergem sobre a inevitabilidade do repasse. Para a CNI, a margem de lucro do supermercado brasileiro é historicamente estreita — em média 2,5% sobre o faturamento líquido —, o que torna difícil absorver aumentos de custo sem repassá-los ao consumidor. Já sindicatos patronais do setor, como a Associação Brasileira de Supermercados (Abras), argumentam que a modernização de processos, como automação de caixas e reposição inteligente, poderia mitigar parte do impacto, desde que haja prazo de transição adequado.
A PEC, de autoria da deputada Erika Hilton (PSOL-SP), tem apoio de centrais sindicais e de parte da base governista, mas enfrenta resistência de setores empresariais e da bancada ruralista. O relator na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara, deputado Rubens Pereira Júnior (PT-MA), sinalizou que pretende apresentar parecer até novembro. A CNI defende que, antes de aprovar a mudança, o Congresso realize audiências públicas com estudos de impacto setorial detalhados, especialmente para o comércio e serviços.
**Fontes**
As informações deste artigo foram baseadas em: - Estudo interno da Confederação Nacional da Indústria (CNI) apresentado a parlamentares em 13 de outubro de 2026. - Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) sobre IPCA de alimentos em 2025. - Levantamento do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) sobre emprego formal no varejo. - Notas técnicas da Associação Brasileira de Supermercados (Abras) sobre margens do setor. - Proposta de Emenda à Constituição (PEC) em tramitação na Câmara dos Deputados.
Por Renan Filho · 2026-10-15