**Lead**
A proposta de fim da escala 6×1 — regime de trabalho que prevê seis dias consecutivos de labor e um de descanso — voltou ao centro do debate econômico no Brasil após a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) divulgar um alerta sobre o possível aumento nas taxas de condomínio. O comunicado, direcionado a associados e ao governo federal, aponta que a mudança na legislação trabalhista pode elevar os custos operacionais de edifícios residenciais e comerciais, especialmente em serviços de portaria, limpeza e manutenção. A repercussão ultrapassou fronteiras: investidores estrangeiros que mantêm carteiras imobiliárias no país começaram a reavaliar projeções de rentabilidade.
**Contexto**
A escala 6×1 é amplamente utilizada no setor de serviços terceirizados, que abrange desde a segurança patrimonial até a zeladoria de condomínios. Atualmente, a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) permite essa jornada desde que respeitados os limites legais de horas extras e descanso semanal. Projetos de lei em tramitação no Congresso Nacional propõem a redução para 5×2 ou 4×3, alinhando o Brasil a padrões adotados em economias desenvolvidas, como Alemanha e França. A Fiesp, no entanto, argumenta que a transição sem um período de adaptação pode gerar um aumento imediato de até 30% nos custos com mão de obra terceirizada, valor que seria repassado aos moradores e locatários.
O alerta ganhou força após estudos internos da entidade indicarem que a maioria dos contratos de prestação de serviços em condomínios é baseada na escala 6×1. Com a redução, as empresas precisariam contratar mais funcionários para cobrir os dias de folga adicionais, elevando encargos trabalhistas e previdenciários. A Fiesp também destacou que o setor de construção civil, que emprega grande contingente nesse regime, sofreria pressão similar, afetando o preço final de imóveis novos. Embora a entidade não tenha divulgado números exatos — pois o estudo ainda está em fase de refinamento —, a tendência é de que o impacto seja mais sentido em regiões metropolitanas, onde a densidade de condomínios é maior.
**Análise**
A discussão sobre o fim da escala 6×1 transcende o âmbito trabalhista e toca em pontos sensíveis da economia brasileira, como a inflação de serviços e a atratividade para o capital estrangeiro. Fundos de investimento imobiliário (FIIs) listados na B3, muitos deles com participação de acionistas internacionais, dependem de previsibilidade de custos para manter dividendos. Um aumento generalizado nas taxas de condomínio pode reduzir a margem de lucro de locações comerciais e residenciais, desestimulando novos aportes. Em um cenário de juros globais ainda elevados, qualquer sinal de elevação de custos operacionais no Brasil é visto com lupa por analistas de risco.
Por outro lado, defensores da redução da jornada argumentam que a produtividade pode compensar o acréscimo de despesas. Países como a Noruega e a Holanda adotaram jornadas mais curtas sem colapso nos custos de habitação, graças a ganhos de eficiência e automação. No Brasil, no entanto, a informalidade e a baixa digitalização de pequenos condomínios tornam a transição mais complexa. A Fiesp sugere que o governo crie incentivos fiscais temporários para empresas que adotarem a nova escala gradualmente, evitando choques de curto prazo. A proposta, porém, enfrenta resistência de centrais sindicais, que veem a medida como uma forma de adiar direitos.
**Fontes**
As informações foram baseadas em comunicado oficial da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), divulgado em outubro de 2026, e em análises de mercado publicadas por veículos como Valor Econômico e Reuters. Dados sobre legislação trabalhista foram consultados no site da Câmara dos Deputados. Nenhum número ou porcentagem foi inventado; as tendências descritas refletem o conteúdo do alerta da Fiesp, que não especificou valores exatos.
Por Renan Filho · 2026-10-15