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A ex-ministra do Meio Ambiente e atual referência em políticas climáticas no Brasil afirmou, durante seminário realizado em Brasília nesta quarta-feira, que o fim do desmatamento ilegal precisa ser tratado como prioridade absoluta pelo próximo governo federal. A declaração ocorre em meio ao debate sobre a pauta ambiental na sucessão presidencial, com especialistas apontando que a reversão dos índices de devastação na Amazônia e no Cerrado será um dos maiores desafios da nova administração.
**Contexto**
A fala da ex-ministra acontece em um cenário de alerta. Dados oficiais do sistema de monitoramento por satélite indicam que, apesar de uma leve redução nos últimos meses, a taxa de desmatamento na Amazônia Legal permanece em patamares elevados, com áreas de floresta derrubadas para pecuária, grilagem e mineração ilegal. No Cerrado, segundo maior bioma do país, a situação é ainda mais crítica, com recordes de supressão de vegetação nativa registrados nos últimos anos.
A ex-ministra, que comandou a pasta entre 2016 e 2018, destacou que o Brasil já possui instrumentos legais e técnicos para enfrentar o problema, mas que falta vontade política e articulação entre os poderes. Ela lembrou que o Plano de Ação para Prevenção e Controle do Desmatamento na Amazônia Legal (PPCDAm), criado em 2004, foi responsável por uma queda expressiva das taxas até 2012, mas foi esvaziado nos governos seguintes, perdendo efetividade.
A declaração também ecoa posicionamentos de organismos internacionais e de acordos firmados pelo Brasil, como o compromisso de eliminar o desmatamento ilegal até 2030, assumido na COP26, em Glasgow. Para a ex-ministra, o próximo governo precisa não apenas retomar o PPCDAm, mas também ampliá-lo para o Cerrado e para outros biomas, com integração entre órgãos de fiscalização, como Ibama, ICMBio e Polícia Federal.
**Análise**
A defesa do fim do desmatamento ilegal como prioridade central não é apenas uma pauta ambiental, mas também econômica e diplomática. O mercado internacional, especialmente a União Europeia, tem pressionado por garantias de que produtos brasileiros, como carne e soja, não estejam associados à devastação. A aprovação de acordos comerciais, como o Mercosul-União Europeia, depende diretamente da credibilidade ambiental do país. Nesse sentido, a postura do próximo governo será observada de perto por investidores e governos estrangeiros.
Além disso, a questão climática ganhou relevância eleitoral. Pesquisas de opinião recentes mostram que a população brasileira, inclusive em regiões rurais, passou a considerar a proteção ambiental um fator importante na escolha de candidatos. A ex-ministra ressaltou que o desmatamento não é um problema apenas ecológico, mas também social, pois está ligado à violência no campo, à grilagem de terras públicas e à falta de regularização fundiária.
O desafio, no entanto, é enorme. A estrutura de fiscalização foi enfraquecida nos últimos anos, com cortes orçamentários e redução de efetivo. A ex-ministra defendeu a recomposição imediata dos quadros do Ibama e do ICMBio, além do fortalecimento do Cadastro Ambiental Rural (CAR) como ferramenta de controle. Ela também sugeriu a criação de um programa de incentivos para municípios que reduzirem seus índices de desmatamento, com repasse de recursos e prioridade em políticas públicas.
A fala da ex-ministra ocorre em um momento de transição de governo, com o presidente eleito já anunciando a criação de um Ministério do Clima e a volta do Brasil a posições de liderança em fóruns internacionais. A expectativa é de que o novo governo anuncie, nos primeiros dias de mandato, um pacote de medidas emergenciais para conter a devastação, incluindo a retomada de operações de fiscalização e o cancelamento de registros fundiários em áreas protegidas.
**Fontes**
As informações foram obtidas a partir de declarações públicas da ex-ministra durante o seminário "Transição Climática e Desenvolvimento Sustentável", realizado em Brasília, e de dados oficiais do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) e do Ministério do Meio Ambiente. O evento contou com a presença de representantes de organizações não governamentais, acadêmicos e membros do governo de transição. As declarações foram repercutidas pela imprensa nacional e por veículos especializados em política ambiental.
Por Renan Filho · 2026-10-08