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A ex-ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, afirmou nesta quinta-feira, 8 de outubro de 2026, que o fim do desmatamento ilegal na Amazônia deve ser tratado como prioridade absoluta pelo próximo governo brasileiro. Em evento promovido pelo Instituto de Estudos Avançados da Universidade de São Paulo, a ex-titular da pasta alertou que a destruição da floresta não é apenas uma crise ambiental, mas um grave problema de segurança pública, nacional e internacional. Segundo ela, a continuidade da devastação ilegal alimenta crimes como grilagem de terras, extração ilegal de madeira e mineração clandestina, que corroem a soberania e a estabilidade na região Norte.
**Contexto**
A declaração de Marina Silva ocorre em um cenário de crescente preocupação com os índices de desmatamento na Amazônia Legal. Embora não tenham sido divulgados números exatos no evento, fontes oficiais do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) indicam que o acumulado de alertas de desmatamento nos últimos meses supera as médias históricas, pressionando o próximo chefe do Executivo a adotar medidas enérgicas. A ex-ministra, que comandou o Ministério do Meio Ambiente entre 2003 e 2008 e novamente de 2023 a 2025, é uma das vozes mais respeitadas internacionalmente na defesa da floresta. Em sua fala, ela destacou que o combate ao desmatamento ilegal não pode ser visto como uma pauta exclusiva de ambientalistas, mas sim como um eixo central da política de segurança.
"Estamos falando de crime organizado, de lavagem de dinheiro, de violência contra povos indígenas e populações tradicionais. O desmatamento ilegal financia facções e milícias, e por isso exige uma resposta integrada das forças de segurança, do Ibama, da Polícia Federal e das Forças Armadas", declarou a ex-ministra, em trecho repercutido por veículos de imprensa presentes. A fala ecoa relatórios de órgãos de inteligência que apontam a correlação entre áreas desmatadas e rotas de narcotráfico e extração ilegal de recursos.
O próximo governo, que tomará posse em janeiro de 2027, herdará uma operação de fiscalização fragilizada, com cortes orçamentários e redução de efetivo nos órgãos ambientais nos últimos anos. A ex-ministra lembrou que a Polícia Federal já considera a grilagem de terras públicas como uma das principais modalidades de crime organizado no campo, e que a regularização fundiária é um passo fundamental para quebrar o ciclo de ilegalidade.
**Análise**
A defesa de Marina Silva coloca o desmatamento ilegal no centro do debate eleitoral, associando-o diretamente à segurança pública e à soberania nacional. Para especialistas que acompanham o tema, a abordagem é estratégica: ao vincular a devastação a crimes transnacionais, a ex-ministra busca ampliar o arco de apoio para uma agenda que historicamente enfrenta resistência de setores do agronegócio e da bancada ruralista no Congresso. A pressão internacional também deve ser considerada — acordos comerciais como o Mercosul-União Europeia condicionam a validação de cláusulas ambientais a resultados concretos na redução do desmatamento.
Do ponto de vista da segurança, a Amazônia se consolidou como um palco de conflitos fundiários e ações de facções criminosas que exploram a falta de presença do Estado. A ex-ministra sugeriu que o próximo governo crie uma força-tarefa permanente entre o Ministério da Justiça e o Ministério do Meio Ambiente, com orçamento garantido e coordenação com estados e municípios. A proposta ecoa o plano de ação apresentado por sua gestão anterior, que conseguiu reduzir em mais de 70% o desmatamento entre 2004 e 2012, mas que foi desmantelado nos governos seguintes.
**Fontes**
- Declaração de Marina Silva, ex-ministra do Meio Ambiente, em evento no Instituto de Estudos Avançados da USP, em 8 de outubro de 2026. A fala foi registrada e repercutida por agências de notícias nacionais. - Dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) sobre alertas de desmatamento na Amazônia Legal, disponíveis no portal TerraBrasilis. - Relatórios da Polícia Federal sobre grilagem e crimes ambientais na região amazônica, citados indiretamente a partir de documentos públicos de 2025 e 2026.
Por Renan Filho · 2026-10-08