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Economia

Fim da jornada 6x1 pode elevar mensalidades em até 23%, alerta Confenen

Renan Filho Por Renan Filho · 2026-10-15

Entidade que representa estabelecimentos de ensino alerta que a aprovação de proposta que extingue a escala 6x1 pode pressionar as mensalidades escolares, com impacto estimado de até cerca de um quinto sobre os atuais valores.

**Lead**

A eventual aprovação de uma proposta que extingue a jornada de trabalho conhecida como 6x1 pode elevar as mensalidades escolares em até 23%, segundo alerta da Confenen (Confederação Nacional dos Estabelecimentos de Ensino). A entidade, que reúne escolas privadas de todos os níveis, afirma que o impacto seria sentido principalmente nas instituições de educação básica, que operam com margens apertadas e dependem fortemente de mão de obra presencial.

**Contexto**

A chamada escala 6x1 é o modelo em que o empregado trabalha seis dias e folga um. Atualmente, a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) permite essa sistemática, e ela é amplamente usada em setores como comércio, serviços e também na educação privada, sobretudo em funções de apoio administrativo, limpeza, alimentação e segurança. Uma proposta de emenda à Constituição apresentada no Congresso Nacional, no entanto, prevê a redução da jornada para quatro dias de trabalho por semana, o que na prática eliminaria a escala 6x1 e estabeleceria um novo piso de descanso semanal.

A Confenen tem acompanhado o debate e encaminhou aos parlamentares uma análise técnica sobre os efeitos da medida para o setor. O cálculo divulgado pela entidade considera não apenas o salário dos funcionários diretamente envolvidos, mas também os encargos trabalhistas, horas extras, necessidade de contratações adicionais e os custos de adaptação das rotinas escolares. O percentual de 23% é apresentado como um cenário máximo em uma simulação que leva em conta escolas que hoje utilizam amplamente a escala 6x1 e que teriam de reorganizar integralmente seus quadros.

A proposta tramita em um momento de atenção redobrada para o custo de vida das famílias brasileiras. Dados recentes de inflação mostram que a educação é um dos itens que mais pesam no orçamento doméstico, especialmente no início do ano, quando são definidos os reajustes das mensalidades. No acumulado de 12 meses, os aumentos no setor educacional têm ficado acima da média geral de preços, o que torna qualquer pressão adicional um tema sensível para consumidores e para o governo.

**Análise**

Se aprovada, a mudança na jornada representaria uma transformação significativa no mercado de trabalho brasileiro, com efeitos que iriam muito além das salas de aula. No caso específico das escolas, o alerta da Confenen aponta para um dilema que atinge trabalhadores e famílias: de um lado, a redução da jornada é defendida como uma conquista social que pode melhorar a qualidade de vida e a saúde dos trabalhadores; de outro, o custo adicional tende a ser repassado, ao menos em parte, para as mensalidades, o que pode restringir o acesso à educação privada e sobrecarregar ainda mais a rede pública.

Especialistas em economia da educação ponderam, no entanto, que o impacto real dependerá de vários fatores. O primeiro é a forma como a jornada de quatro dias seria regulamentada — se mantida a carga horária semanal atual de 44 horas, por exemplo, as escolas poderiam simplesmente redistribuir as horas, sem necessidade de contratações. O segundo fator diz respeito ao porte da instituição: grandes redes têm mais poder de negociação com fornecedores e maior flexibilidade para realocar funções, enquanto pequenas escolas, que representam a maior parte do setor, tendem a sentir mais o efeito. Além disso, parte do custo pode ser absorvida por ganhos de produtividade — um argumento frequentemente usado pelos defensores da medida, mas ainda pouco comprovado em estudos específicos para o setor educacional.

Outro ponto que merece atenção é o possível efeito cascata sobre a inflação. Se as mensalidades subirem significativamente, o impacto não ficará restrito às famílias com filhos na rede privada. O aumento de custos no setor de serviços educacionais pode pressionar o Índice de Preços ao Consumidor Amplo, influenciar as próximas decisões de política monetária e, no limite, reduzir o poder de compra das famílias, o que contrariaria o objetivo inicial da medida de melhorar o bem-estar do trabalhador.

A Confenen defende que o tema seja discutido de forma mais aprofundada com o setor antes de qualquer votação em plenário. A entidade sugere que, caso a proposta avance, seja criada uma fase de transição com prazos mais longos para a educação e que o governo federal avalie mecanismos de compensação, como desoneração da folha de pagamento para instituições de ensino. Até o momento, porém, não há sinalização concreta dos líderes partidários sobre a inclusão dessas demandas no texto em análise.

**Fontes**

As informações deste artigo têm como base o alerta divulgado pela Confenen (Confederação Nacional dos Estabelecimentos de Ensino) sobre os impactos da proposta que extingue a jornada 6x1 para o setor educacional privado. O percentual de 23% foi apresentado pela entidade em comunicado oficial. Dados sobre inflação e custo de vida são públicos, divulgados por institutos oficiais de pesquisa e pelo Banco Central do Brasil.

Renan Filho
Sobre o autor
Renan Filho
Editor-Chefe do FORTIS News

Editor-chefe do FORTIS News. Especialista em tecnologia, inteligencia artificial e mercados financeiros. Criador de fintechs e plataformas digitais que combinam tecnologia, dados e inteligencia artificial para entregar valor real.