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Fim da escala 6×1 pode encarecer supermercado? Veja projeção da CNI para Brasil

Renan Filho Por Renan Filho · 2026-10-15

A Confederação Nacional da Indústria divulgou projeções sobre os efeitos do fim da escala 6×1 no setor supermercadista. Estudo indica possível alta de custos, mas especialistas ponderam impactos sobre produtividade e consumo.

**Lead**

A possibilidade de extinção da escala de trabalho 6×1 — seis dias de trabalho para um de descanso — voltou ao centro do debate no Brasil após a Confederação Nacional da Indústria (CNI) divulgar projeções sobre os efeitos da medida no setor supermercadista. Segundo a entidade, o setor, um dos maiores empregadores do país, pode enfrentar aumento de custos operacionais e repasse de preços ao consumidor caso a jornada seja alterada. O estudo, apresentado em Brasília, acendeu o alerta em redes de supermercados, que já operam com margens historicamente apertadas. A discussão ganhou força com a tramitação de propostas na Câmara dos Deputados e no Senado que pretendem reduzir a jornada máxima permitida pela Consolidação das Leis do Trabalho (CLT).

**Contexto**

A escala 6×1 é uma das mais comuns no comércio varejista brasileiro, especialmente em supermercados, farmácias e restaurantes, que precisam funcionar todos os dias da semana, inclusive feriados. Nesse modelo, o empregado trabalha seis dias consecutivos e folga no sétimo, totalizando 44 horas semanais, limite máximo previsto na Constituição Federal. A PEC, proposta por parlamentares, propõe reduzir esse limite para 36 horas semanais, com jornada máxima de quatro dias trabalhados por um de descanso, sem redução salarial.

A CNI, que representa a indústria nacional, mas também acompanha os impactos no comércio e em serviços, calculou que a mudança pode elevar os custos com contratações no setor supermercadista em até 22%. O número, porém, não foi detalhado publicamente pela entidade, que apresentou cenários baseados em simulações. A projeção leva em conta a necessidade de contratar mais funcionários para cobrir as escalas, além de possíveis horas extras e a reestruturação das jornadas em lojas que operam 12 ou 14 horas por dia.

O setor supermercadista emprega diretamente cerca de 2 milhões de trabalhadores no Brasil, segundo dados da Associação Brasileira de Supermercados (Abrás). Um eventual fim da escala 6×1 exigiria que as empresas reorganizassem completamente as equipes, com impacto direto em funções como reposição de estoque, operação de caixa e atendimento ao cliente. Pequenas redes, que dependem de equipes enxutas, seriam as mais afetadas — muitas operam com um número mínimo de funcionários por turno, e a redução da jornada implicaria contratações que, em alguns casos, podem inviabilizar unidades inteiras.

**Análise**

O impacto sobre o preço dos alimentos é a principal preocupação dos consumidores. Se os custos trabalhistas subirem, parte desse valor tende a ser repassada para as prateleiras, em um momento em que a inflação de alimentos já pressiona o orçamento das famílias. Economistas ouvidos pela imprensa alertam que o efeito pode ser particularmente forte em itens de alto giro, como hortifrúti, carnes e laticínios, que exigem maior mão de obra para reposição e validade curta. No entanto, os mesmos analistas ponderam que o impacto pode ser menor nos grandes centros urbanos, onde redes de supermercado já adotam escalas alternativas e investem em automação.

Outro ponto levantado por especialistas é o efeito sobre a produtividade. Estudos internacionais indicam que jornadas mais curtas podem aumentar a eficiência por hora trabalhada, reduzindo o absenteísmo e elevando a satisfação dos funcionários. No Brasil, no entanto, a informalidade e a baixa taxa de participação no mercado de trabalho podem fazer com que o custo da transição seja maior do que que o benefício em um primeiro momento. A CNI reforça que o debate deve ser feito com cautela, considerando a realidade de cada setor e o impacto na competitividade da economia como um todo.

A projeção da CNI, portanto, não deve ser lida como uma sentença de aumento inevitável dos preços, mas como um alerta sobre as condições de implementação. Especialistas apontam que a forma da transição — escalonada ou imediata, com ou sem compensações para as empresas — será decisiva. Também há quem defenda que o fim da escala 6×1 seja acompanhado de políticas de incentivo à contratação e modernização do varejo, como forma de mitigar os efeitos sobre o consumidor final. O assunto segue em discussão no Congresso, e qualquer mudança só terá efeito concreto após a aprovação e promulgação da PEC.

**Fontes**

As informações são da Confederação Nacional da Indústria (CNI), que divulgou projeções preliminares sobre o impacto trabalhista e de custos no varejo supermercadista; da Associação Brasileira de Supermercados (Abrás), que mantém levantamentos setoriais sobre empregos e operação; e de reportagens da imprensa nacional que acompanham a tramitação das propostas de alteração da jornada de trabalho no Congresso Nacional. Os dados citados são baseados em manifestações públicas das entidades e documentos oficiais.

Renan Filho
Sobre o autor
Renan Filho
Editor-Chefe do FORTIS News

Editor-chefe do FORTIS News. Especialista em tecnologia, inteligencia artificial e mercados financeiros. Criador de fintechs e plataformas digitais que combinam tecnologia, dados e inteligencia artificial para entregar valor real.