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Opiniao

Fim da escala 6×1 pode encarecer supermercado? Veja projeção da CNI para Brasil

Renan Filho Por Renan Filho · 2026-10-15

Estudo da Confederação Nacional da Indústria indica que a redução da jornada de trabalho no formato 6×1 pode elevar custos para o setor supermercadista. Especialistas debatem o repasse ao consumidor.

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A possibilidade de extinção da escala 6×1 — seis dias de trabalho para um de descanso — voltou a ocupar o centro do debate trabalhista no Brasil. A Confederação Nacional da Indústria (CNI) divulgou uma projeção, ainda sem números fechados, apontando que a medida pode aumentar os custos operacionais de setores intensivos em mão de obra, como os supermercados. O alerta acende uma preocupação imediata: parte desse custo adicional pode ser repassada ao consumidor, encarecendo o carrinho de compras.

**Contexto**

A escala 6×1 é uma das jornadas mais comuns no comércio varejista, especialmente em supermercados, que funcionam todos os dias da semana e dependem de equipes fixas em caixas, reposição de prateleiras e logística. Uma proposta de emenda à Constituição apresentada no Congresso Nacional propõe o fim dessa escala, assegurando ao trabalhador um descanso semanal mais amplo, com possibilidade de folga em dias alternados ou até mesmo a redução da carga horária total.

A CNI, entidade que representa a indústria brasileira, monitora o tema com atenção. Em análises internas e documentos encaminhados a parlamentares, a confederação tem alertado que uma mudança abrupta no modelo de escala pode gerar aumento de contratações, necessidade de horas extras e maior complexidade na gestão de equipes. O setor supermercadista, em particular, opera com margens de lucro historicamente apertadas. Qualquer elevação nos custos trabalhistas tende a ser incorporada aos preços finais dos produtos.

Embora a CNI não tenha divulgado projeções numéricas definitivas, o direcionamento do estudo é claro: a transição para um modelo sem a escala 6×1 exige planejamento e negociação setorial. A entidade defende que a discussão vá além do aspecto social e considere também a produtividade, a competitividade e o impacto sobre o emprego formal. Supermercados estão entre os maiores empregadores do país, e alterações na jornada podem afetar diretamente milhões de trabalhadores.

**Análise**

O possível encarecimento dos alimentos nos supermercados não é uma consequência automática, mas é um risco real. Isso porque o setor de supermercados é fortemente dependente de mão de obra presencial. Diferentemente de atividades que podem adotar o teletrabalho, reposição de prateleiras, atendimento ao cliente e operação de caixas exigem presença física. Com menos dias trabalhados por funcionário, a tendência é que as empresas precisem contratar mais pessoas ou pagar mais horas extras para manter as lojas abertas e abastecidas.

Por outro lado, há argumentos consistentes de que a redução da jornada pode aumentar a produtividade e o bem-estar dos trabalhadores, reduzindo o absenteísmo e os acidentes de trabalho. Um funcionário mais descansado tende a ser mais eficiente, o que pode compensar parte do custo adicional. O debate, portanto, não é simples nem pode ser resumido a uma equação de quanto o preço vai subir. É preciso avaliar o conjunto de efeitos econômicos e sociais, incluindo o poder de compra do trabalhador, que é o mesmo consumidor que sentirá no bolso qualquer alta.

A projeção da CNI, nesse contexto, serve como um alerta para que a mudança seja feita com responsabilidade. Não se trata de ser contra o direito ao descanso, mas de garantir que a implementação seja gradual e negociada com os setores produtivos. Uma transição brusca pode gerar inflação de alimentos, que atinge com mais dureza as famílias de baixa renda. Essas famílias são as que mais comprometem seu orçamento com alimentação e também as que mais dependem de empregos formais no comércio.

É importante lembrar que o Brasil vive um momento de recuperação econômica, com desemprego ainda elevado em algumas regiões. Qualquer política trabalhista deve levar em conta a capacidade das empresas de gerar postos de trabalho. A CNI, ao projetar os efeitos sobre os supermercados, abre espaço para uma discussão mais ampla sobre o modelo de desenvolvimento brasileiro: como conciliar melhores condições para o trabalhador com preços justos para o consumidor e lucratividade para as empresas. A resposta não é simples, mas passa necessariamente por diálogo entre governo, empresários e sindicatos.

O consumidor, enquanto isso, deve ficar atento. Se a escala 6×1 for extinta, os supermercados terão que se adaptar. Parte dessa adaptação pode vir em forma de tecnologia, como caixas de autoatendimento e sistemas de agendamento de equipe. Outra parte, no entanto, pode vir em forma de preço. O acompanhamento da evolução dos custos será essencial para medir o impacto real da medida no dia a dia da população.

**Fontes**

Confederação Nacional da Indústria (CNI) — projeção sobre impactos da redução da jornada de trabalho no setor produtivo.

Proposta de emenda à Constituição em tramitação no Congresso Nacional — trata do fim da escala 6×1.

Setor supermercadista brasileiro — análise de custos operacionais e margens de lucro típicas do segmento.

Renan Filho
Sobre o autor
Renan Filho
Editor-Chefe do FORTIS News

Editor-chefe do FORTIS News. Especialista em tecnologia, inteligencia artificial e mercados financeiros. Criador de fintechs e plataformas digitais que combinam tecnologia, dados e inteligencia artificial para entregar valor real.