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A discussão sobre o fim da escala 6×1 chegou ao dia a dia dos condomínios brasileiros. Em alerta recente, a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) chamou atenção para os efeitos que uma eventual mudança nas regras de jornada pode ter sobre os custos de síndicos, administradoras e moradores. A proposta em tramitação no Congresso Nacional pode alterar a forma como porteiros, zeladores, faxineiros e seguranças são contratados, pressionando as taxas condominiais em todo o país.
**Contexto**
A escala 6×1 é o modelo em que o empregado trabalha seis dias consecutivos e folga no sétimo. Essa organização é amplamente usada em setores como comércio, serviços e também na operação de condomínios residenciais e comerciais. Para garantir a cobertura de portarias 24 horas, por exemplo, muitos prédios mantêm equipes em regime de revezamento, com jornadas que seguem essa lógica.
A Fiesp, uma das principais entidades patronais do país, divulgou uma análise técnica apontando que a aprovação de novas regras pode levar a um aumento dos custos trabalhistas. A entidade não divulgou números oficiais sobre o impacto direto nos condomínios, mas indicou que a tendência é de elevação das despesas com folha de pagamento. Esses custos, historicamente, são repassados aos moradores por meio do rateio condominial.
O tema ganhou força após a apresentação de uma proposta de emenda à Constituição (PEC) que pretende extinguir a jornada 6×1 e estabelecer um limite de quatro dias de trabalho por semana. O texto tramita na Câmara dos Deputados e tem gerado debates acalorados entre sindicatos, especialistas em direito trabalhista e representantes do setor produtivo.
Para os condomínios, o impacto não se limita a porteiros e zeladores. Serviços terceirizados de limpeza, manutenção e segurança também seriam afetados. Como grande parte desses profissionais é contratada por empresas prestadoras de serviços, a mudança nos contratos de trabalho pode gerar reajustes nos contratos de prestação de serviços, que seriam repassados aos condomínios.
**Análise**
A preocupação da Fiesp se baseia em um ponto central: a redução da jornada sem redução proporcional de salários tende a aumentar o custo por hora trabalhada. Em um setor que já convive com margens apertadas, como o de administração de condomínios, qualquer aumento de despesa fixa é sentido diretamente no bolso dos moradores. A tendência, segundo especialistas, é que os condomínios procurem alternativas como a redução de horas extras, a readequação de escalas e até a revisão de benefícios.
O impacto, no entanto, não é homogêneo. Condomínios de grandes centros urbanos, que dependem de equipes 24 horas, tendem a sofrer mais com a necessidade de contratar um número maior de profissionais para manter a cobertura. Já prédios menores, com portaria apenas em horário comercial, podem conseguir se adaptar com mais facilidade. Ainda assim, a mudança pode chegar a todos os lares, inclusive por meio dos chamados "condomínios digitais", que usam tecnologia para reduzir a presença de funcionários.
A Fiesp também alerta para o impacto no mercado de trabalho como um todo. O setor de serviços, responsável pela maior parte dos empregos formais no país, pode enfrentar uma onda de reajustes contratuais e renegociações. Empresas que prestam serviços a condomínios podem optar por demitir funcionários e recontratá-los em regimes diferentes, ou ainda repassar o aumento diretamente para os contratos — o que, na prática, significa mais pressão inflacionária.
O debate também levanta questões sobre a qualidade do emprego. Defensores da proposta argumentam que a redução da jornada melhora a qualidade de vida e pode aumentar a produtividade. Críticos, por outro lado, afirmam que o impacto nos custos pode levar à informalidade e à redução de postos de trabalho, sobretudo entre trabalhadores menos qualificados, como é o caso de muitos profissionais que atuam em condomínios.
Outro fator que preocupa as administradoras é a possível necessidade de adaptação de convenções coletivas. Muitas categorias já têm acordos que preveem escalas específicas, bancos de horas e compensações. Uma mudança constitucional obrigaria a revisão de centenas de acordos em todo o país, gerando um período de incertezas jurídicas e negociações complexas entre sindicatos e empresas.
**Fontes**
As informações deste artigo foram baseadas em alerta técnico divulgado pela Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) e no debate público sobre a Proposta de Emenda à Constituição que trata do fim da escala 6×1. Dados e declarações adicionais podem ser consultados nos canais oficiais da entidade e nos registros públicos da tramitação legislativa na Câmara dos Deputados.
Por Renan Filho · 2026-10-15