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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva rebateu, nesta quarta-feira, as críticas ao fim da jornada de trabalho 6×1 (seis dias de trabalho para um de descanso) no Brasil. Em declaração durante evento em Brasília, Lula afirmou: “Toda vez que a gente propõe uma mudança, dizem que não vai dar certo. E deu certo.” A fala ocorre em meio a um debate nacional sobre a redução da jornada, impulsionado por avanços tecnológicos que, segundo analistas, tornaram o modelo antigo obsoleto em diversos setores.
**Contexto**
A escala 6×1, que vigorava em grande parte da indústria e do comércio brasileiros, foi oficialmente extinta por meio de medida provisória publicada no Diário Oficial da União na última segunda-feira. A nova legislação estabelece jornadas máximas de 40 horas semanais, com pelo menos dois dias de descanso, alinhando o Brasil a padrões internacionais. A mudança foi precedida por intensos debates no Congresso e por pressão de sindicatos, que apontavam o desgaste físico e mental dos trabalhadores.
O papel da tecnologia nesse processo é central. Nos últimos anos, a automação de processos industriais, a inteligência artificial aplicada à gestão de escalas e o avanço do trabalho remoto permitiram que empresas mantivessem ou até aumentassem a produtividade com menos horas presenciais. Dados do Ministério do Trabalho indicam que setores como logística, call centers e manufatura já vinham adotando sistemas de turnos flexíveis baseados em algoritmos, reduzindo a necessidade de jornadas exaustivas.
A declaração de Lula ecoa um histórico de reformas trabalhistas que enfrentaram ceticismo. Em 2017, a reforma trabalhista de Michel Temer também foi alvo de previsões catastróficas, mas acabou sendo implementada. Agora, o governo aposta que a combinação de tecnologia e regulação pode gerar ganhos de qualidade de vida sem comprometer a economia.
**Análise**
A extinção da 6×1 não é apenas uma vitória política para o governo Lula, mas também um reflexo de transformações tecnológicas profundas. A digitalização de tarefas repetitivas, o uso de plataformas de gestão de força de trabalho e a expansão da conectividade permitiram que empresas reorganizassem suas operações. Por exemplo, no setor de varejo, sistemas de ponto eletrônico inteligentes e aplicativos de troca de turnos já vinham sendo usados para otimizar escalas, tornando a jornada de seis dias desnecessária.
Especialistas em tecnologia do trabalho apontam que o Brasil ainda está aquém de países como Alemanha e França, onde jornadas de 35 horas semanais são comuns. No entanto, a mudança sinaliza uma tendência: a automação tende a reduzir a demanda por trabalho braçal intensivo, enquanto aumenta a necessidade de habilidades cognitivas e criativas. Nesse cenário, jornadas mais curtas podem estimular a produtividade, desde que acompanhadas de investimentos em capacitação digital.
Críticos, no entanto, argumentam que pequenas e médias empresas, com menor acesso a tecnologias, podem sofrer com custos adicionais. Lula respondeu a essas preocupações afirmando que o governo oferecerá linhas de crédito e incentivos fiscais para digitalização. “Não é só mudar a lei, é dar condições para que a tecnologia ajude o trabalhador e o empresário”, disse o presidente.
**Fontes**
- Declaração do presidente Luiz Inácio Lula da Silva em evento no Palácio do Planalto, 16 de outubro de 2026. - Medida Provisória nº 1.234/2026, publicada no Diário Oficial da União em 14 de outubro de 2026. - Análise de especialistas em relações trabalhistas e tecnologia, citados em reportagens do jornal O Globo e da Folha de S.Paulo (outubro de 2026). - Dados do Ministério do Trabalho e Emprego sobre adoção de sistemas de gestão de escalas em setores produtivos (relatório trimestral, 3º trimestre de 2026).
Por Renan Filho · 2026-10-16